Pague menos contra-ataca

A segunda maior varejista de farmácias planeja crescer no interior de São Paulo e na região Sul para responder ao avanço de concorrentes no Nordeste. No primeiro trimestre, rede apertou margem, reduziu preços e fez promoções

Por O Dia

A rede de farmácias Pague Menos, fechou o primeiro trimestre de 2014 com uma receita bruta de R$ 991 milhões, um crescimento de 18,4% frente aos R$ 837 milhões registrados no mesmo período do ano passado. O lucro líquido foi de R$ 278,8 milhões, alta de 15,8%. Segunda maior varejista de farmácias no país em faturamento e número de lojas, segundo Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), a Pague Menos, apesar dos bons resultados, sente o peso da concorrência que segue para o Nordeste, sua região de origem, em busca do mercado consumidor.

Deusmar Queirós, presidente da Pague Menos, afirma que os resultados da rede cearense só vieram sacrificando margens, com a redução de preços e muitas promoções para fazer frente à chegada de grupos consolidados no mercado.

“Tivemos que implementar uma política de preços mais competitivos, tanto para os medicamentos genéricos quanto nos de marca, para enfrentar a chegada de concorrentes como Droga Raia (RaiaDrogasil) , Drogaria São Paulo e Brasil Pharma, que estão investindo pesado na abertura de lojas no Nordeste”, diz ele.

A preocupação de Queirós com a concorrência e sua invasão rumo ao Nordeste do país não é à toa. A rede RaiaDrogasil, por exemplo, ao anunciar os resultados do primeiro trimestre desse ano, reiterou seu plano de abertura de 130 lojas em 2014, expandindo a presença no Nordeste com a entrada em Pernambuco, via abertura já em maio das primeiras unidades em Recife, Sergipe e Alagoas, além de filiais em Aracaju e em Maceió nos próximos meses. Antes, a empresa, com 986 lojas em operação até o momento , encerrou os três primeiros meses do ano com receita de R$ 1,7 bilhão.

A Brasil Pharma, que no primeiro trimestre de 2014 teve receita de R$ 929,3 milhões, encerrou o período com 131 lojas na região Norte e 255 no Nordeste. São do Nordeste as farmácias com o maior número de lojas e que fazem parte da Brasil Pharma: Drogarias Big Ben, presente em quase todo os estados da região e também no Norte do país, e Farmácia Santana, com atuação restrita à Bahia. Outra concorrente, a Drogaria São Paulo vem se expandindo, por enquanto, no estado da Bahia, com oito filiais.

Queirós afirma que ajudou também nos resultados o fato de as vendas estarem concentradas em sua maior parte nos medicamentos, que respondem por 65% do que é levado pelos clientes nas 670 lojas em funcionamento em todo o país. Mas a venda de cosméticos e produtos de higiene e beleza vem crescendo. Além de preços competitivos, os planos de contra-ataque da rede incluem a abertura de mais 60 lojas esse ano.

“Até o final de 2014, estaremos em Porto Alegre, Mato Grosso, interior de Minas Gerais, Brasília e interior do Rio de Janeiro com novas lojas. Posso dizer que não temos problemas para encontrar pontos de venda. A maioria de nossas filiais estão na rua e não nos shoppings. Mas o aluguel está mesmo muito alto. E para nossos planos de expansão, usamos recursos próprios e de bancos privados”, diz.

Para dar conta do projeto de expansão detalhado até 2017, quando a rede planeja ter mil lojas em funcionamento, o caminho é a ampliação dos centros de distribuição. O mais novo será inaugurado em Goiânia, na BR 153, ainda neste semestre, para abastecer as lojas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Além disso, a empresa tem outros dois centros, um em Fortaleza e outro em Pernambuco. Em 2017, outro será aberto. Segundo Queirós “ou no Pará ou no Paraná”. Tudo dependerá do comportamento da economia e do consumo, destaca ele.

“Nosso caminho agora será ir mais para o Sudeste, principalmente para as cidades do interior de São Paulo. Para isso, temos que ter suporte e agilidade para atendimento”, acrescenta Queirós. Quanto ao IPO da empresa, o presidente da Pague Menos garante que acontecerá no segundo semestre de 2015. No momento, quatro bancos — Credit Suisse, Itaú e Banco do Brasil e Santander — cuidam da operação. Queirós diz que não interessa a ele o assédio de outros grupos estrangeiros. “Prefiro ter dez mil acionistas do que um só. Por isso, vamos nos estruturar para realizar a abertura de capital”, completa.

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