Big data transforma saúde e educação

Em tempos de petabytes e avalanche de dados, quatro projetos em áreas distintas como educação, aeronáutica, saúde e marketing explicam porque o big data veio para ficar

Por O Dia

Da análise genética de células doentes a testes de desempenho em turbinas de avião, passando pela avaliação quase em tempo real dos resultados de campanhas de marketing voltadas para dezenas de milhões de clientes, o big data já está presente no cotidiano de milhões de pessoas ao redor do mundo. A coleta e processamento em tempo real de quantidades gigantescas de dados é uma realidade nas áreas de educação, saúde, comunicação e manufatura, entre muitas outras.

Educação

Na Turquia, o ministério da Educação desenvolve o Projeto Fatih (Movimento para Reforçar Oportunidades e Melhorar a Tecnologia), que inclui a aquisição de 12 milhões de tablets para estudantes do ensino fundamental da rede pública. A estratégia governamental passa pela digitalização dos conteúdos didáticos. Mais do que simplesmente fornecer o hardware, o ministério sentiu necessidade de utilizar um sistema que lhe permitisse monitorar o consumo do conteúdo educacional e o ritmo de aprendizado de cada aluno.

A partir da análise dos dados gerados pelos milhões de dispositivos móveis, é possível — por exemplo — entender por que uma escola está mais avançada que outra em termos de conteúdo. “E também, dentro de uma escola, porque uma turma está mais adiantada do que outra. E, dentro de uma turma, porque um aluno se destaca mais do que outro”, explica Luis Campos, diretor de Soluções de Big Data da Oracle para as regiões da Europa, Oriente Médio e África. A Oracle foi a empresa contratada pelo governo turco para implementar o sistema de análise dos dados.

Nada menos que um petabyte de dados é gerado por ano letivo, com o monitoramento dos tablets. O total corresponde a mil terabytes ou um milhão de gigabytes. A título de comparação, 50 petabytes equivaliam em 2009 a tudo que a humanidade havia escrito ao longo da história em todas as línguas existentes.

Aeronáutica

A americana Oracle também tem entre seus clientes uma companhia aeronáutica europeia que utiliza ferramentas de big data para testar o desempenho de novas aeronaves. A aplicação utilizada já existia há 15 anos, mas antes do advento da tecnologia de processamento de dados havia um intervalo considerável entre a coleta dos dados, a análise e os resultados finais.

Atualmente, quando o avião está em processo de aterrissagem, a equipe de manutenção já recebe no seu painel de controle uma lista com as peças da aeronave que necessitam ser analisadas, para fins de manutenção, e substituídas. “Essa informação foi recolhida durante o voo e, assim que o avião entra em espaço onde é possível a transmissão, é passada para a equipe de terra”, explica Luis Campos, diretor de Soluções de Big Data. Além de testar a resistência e o desempenho de peças específicas, o big data auxilia no desenvolvimento de tecnologias que consumam menos combustível.

Uma turbina de avião gera aproximadamente 30 terabytes de dados a cada 30 minutos de operação. “O problema é capturar os eventos que são realmente relevantes”, resume Félix del Barrio, vice-presidente da Oracle Ibérica para as áreas de Banco de Dados, DBO e Middleware. Os dados importantes estão mesclados com uma quantidade enorme de informações irrelevantes do ponto de vista da engenharia aeronáutica.

Marketing

Conhecida principalmente por suas estratégias comerciais agressivas, principalmente no mercado americano, a operadora móvel alemã T-Mobile adotou uma tecnologia que permite a análise — em questão de horas — dos dados gerados por milhões de clientes. A plataforma SAP Hana permite o processamento e a avaliação em três horas dos efeitos de uma promoção da operadora sobre uma base de 21 milhões de assinantes. “Se você está lançando uma campanha, quer ter certeza de que ela tenha impacto positivo. Se é um desconto promocional, você quer se certificar de que a quantidade de dinheiro da qual está abrindo mão está sendo compensada pelo número de clientes que você ganha”, diz Sergio Maccotta, vice-presidente da SAP para a Europa, o Oriente Médio e a África.

Com base nos dados referentes aos bilhões de transações feitos pelos seus clientes, a operadora pode criar ofertas específicas para determinadas regiões do país, diferentes horários ou peculiaridades específicas de um determinado grupo de assinantes. A limitação que existia no passado — destaca o executivo — era de que, mesmo se esses dados estivessem disponíveis, não podiam ser consumidos em tempo real. Isso porque a quantidade de informações superava em muito o poder computacional existente. Como o processamento levava tempo, os dados coletados ficavam desatualizados e já não tinham mais utilidade.

Saúde

A análise genômica (do DNA) de células cancerosas, utilizada para determinar o tratamento mais indicado para o paciente, consumia de duas a três semanas. Atualmente, em plena era do big data, o processo pode ser feito em 20 minutos, graças aos avanços no processamento de informações. A quantidade de dados que uma simples amostra de DNA pode gerar é suficiente para preencher dezenas de discos.
“Para começar o melhor tratamento possível, o médico deve analisar não apenas a situação do seu paciente mas também compará-la com o maior número possível de amostras”, ressaltou Sergio Maccotta, da SAP. O novo sistema é 402.000 vezes mais rápido do que o anterior. “Se você comparar esse prazo com uma caminhada da cidade do Porto até Roma, isso significaria chegar à capital italiana em 3,5 segundos”, disse Maccotta, que na semana passada participou de evento organizado pela empresa WeDo Technologies na cidade do Porto. Em linha reta, a distância que separa a metrópole portuguesa de Roma é de aproximadamente 1.750 quilômetros. “O tempo de diagnóstico deixou de ser medido em semanas. Hoje, o tratamento pode ser aplicado no mesmo dia”, conclui Maccotta.


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