Por bruno.dutra

Rio  - Em tempos de combustível mais caro e concorrência acirrada, a busca por redução de custos e obtenção de maior rentabilidade é a regra do jogo. Não por acaso, as companhias aéreas do mundo todo estão encolhendo ou mesmo descontinuando os serviços de primeira classe e intensificando o atendimento na classe executiva — ou criando um modelo intermediário entre esta e a econômica — fazendo dos espaços especiais, cheios de mimos e regalias, uma raridade.

“O fim da primeira classe é uma tendência no mundo. A classe executiva melhorou tanto que hoje oferece recursos como uma poltrona com inclinação a 180 graus. Essa evolução acabou canibalizando a primeira classe. Esse tipo de serviço hoje se tornou uma opção de exclusividade em algumas empresas internacionais, dispostas a uma oferta de serviços ‘premium’. Um luxo que custa bem mais caro”, explica Tarcísio Gargioni, vice-presidente Comercial e de Marketing da Avianca.

Aéreas investem em mais espaço na classe executivaDivulgação

Tanto que a última aérea nacional que ainda ofertava o serviço, apenas em voos internacionais para os Estados Unidos, Europa e México, parou de vender essas passagens em abril e descontinua o serviço no primeiro dia de novembro. Com a mudança, a TAM passará a oferecer a Classe Executiva e a Econômica em seus 19 destinos internacionais. A mudança na configuração dos aviões Boeing 777, com a retirada das quatro poltronas da primeira classe, será concluída até o fim do primeiro semestre de 2015.

A Gol, por sua vez, opera seus voos internacionais com a classe Comfort, um serviço intermediário entre a classe executiva e a econômica. A empresa promete espaço para as pernas de 34 polegadas (86,3 cm). Segundo a companhia, são três polegadas a mais que a econômica. Os assentos reclinam 50% a mais do que os da econômica, garante a aérea.

A tarifa Comfort está disponível somente nos voos com destino a Caracas, Punta Cana, Aruba, Barbados, Santo Domingo, Miami e Orlando, com origem nos aeroportos de Guarulhos (SP) ou Galeão (Rio).

Mas ainda há as que acreditam ser possível conciliar rentabilidade e primeira classe em uma mesma aeronave, ainda que ela tenha perdido parte de seu espaço para outras fileiras de assentos, menos caras. É o caso da Lufthansa, que reduziu de 16 para oito o número de poltronas na primeira classe. E aproveitou o espaço extra para criar uma nova categoria, a Premium Economy. Com isso, oferta quatro classes de serviços — First Class, Business Class, Premium Economy e Economy — e quatro tarifas diferentes. O Boeing 747-8, que inaugura a tarifa Premium Economy por aqui a partir de 10 de dezembro, na rota Frankfurt-São Paulo, oferece espaçamento de 97 centímetros entre as poltronas. A promessa é de ainda mais conforto aos passageiros, com assentos que se transformam em camas de dois metros de comprimento.

O mesmo número de poltronas é encontrado na primeira classe da Swiss, que oferece mimos como travesseiros e edredons de plumas de ganso, além de a possibilidade de um jantar a dois com total privacidade.

Nos voos domésticos, a realidade é bem outra e também reflete o foco em rentabilidade. Os aviões têm uma única configuração e o máximo de diferencial são poltronas com maior espaço entre elas. Para um analista que acompanha o mercado, o aumento da demanda e os altos custos do setor levam, cada vez mais, a opções mais rentáveis de operação. E uma delas é a uniformização da frota que, no caso dos voos brasileiros, oferecem uma única classe de serviço. De nada adiantaria ter uma classe executiva em companhias que não operam voos ponto a ponto, diz o especialista.

Em contrapartida, o serviço de bordo, que no mercado local chegou a ser cobrado fora do valor da tarifa, volta a ser um diferencial. A Gol retomou no final de maio o atendimento na rota mais rentável da aviação brasileira, a ponte aérea Rio-São Paulo. Café da manhã e lanches voltaram ao cardápio, de olho nas necessidades dos clientes corporativos, que predominam no trajeto. Com isso, a empresa passa a competir também na hora das refeições com seus concorrentes Avianca, TAM e Azul.

Na Emirates, passageiros tem suíte privativa,  bar exclusivo e cabines com serviço de spa

Enquanto muitas empresas no setor aéreo mundial investem na qualidade dos serviços da classe executiva, a Emirates, companhia de propriedade do Governo de Dubai e lançada em 1985, vê nos assentos da primeira classe o seu diferencial para atender aos exigentes sheiks árabes ou para aqueles que podem pagar US$ 14 mil para um voo saindo de São Paulo com destino a Dubai. Atualmente, a empresa voa, além de Dubai, para 142 destinos em 80 países e opera uma frota de 217 aeronaves.

Emirates investe no luxo e exclusividade da primeira classeDivulgação

Até então, o sucesso da primeira classe da companhia eram as suítes privativas, disponíveis em todas as aeronaves A380 e Airbus A340-500 da Emirates, e na maioria das aeronaves Boeing 777. Cada uma com porta de correr, iluminação ambiente ajustável, além de penteadeira, espelho, guarda-roupa,mini-bar e divisória privativa para as suítes centrais. A poltrona é convertida em uma cama plana com colchão. As cabines de primeira classe em outras aeronaves oferecem poltronas que se convertem em cama ou são totalmente reclináveis.

Agora, a companhia aérea oferece o Shower Spa a bordo, como parte do atendimento a passageiros da primeira classe nas aeronaves A380. Duchas de última geração e ambiente com design clássico em nogueira e mármore fazem parte dos chamados Shower Spas, que são equipados com kits de banho exclusivos, apelidadas de “Timeless Spa”, feitos com finos ingredientes naturais.

Depois de um banho refrescante, o passageiro ainda pode jogar conversa fora nos “barzinhos” instalados somente nas aeronaves A380 da companhia, antes de se recolher à sua suíte particular.

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