Por monica.lima
Setor aéreo brasileiro teve alta de 8%2C9% na demanda de janeiro a março. Viagens corporativas ajudaram%2C com antecipação de reuniões e eventos para antes da CopaVanderlei Almeida/AFP

Com uma previsão de 16 mil autorizações de pousos e decolagens (slots) extras para atender a demanda de passageiros durante a Copa do Mundo, que começa na semana que vem, as companhias aéreas já estão reavaliando a real necessidade de manter esse patamar. O motivo: a fraca procura por bilhetes para as 12 cidades-sede do Mundial. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as principais empresas estão alterando a malha constantemente, mas ainda não há um número consolidado de voos, assunto que está sob os cuidados da área técnica da autarquia. Foram aprovados até o momento pela Anac sete mil voos extras. Exceto nos dias de jogos do Brasil, sobram assentos nos aviões destinados a rotas específicas para a Copa.

Segundo o vice-presidente Comercial e de Marketing da Avianca, Tarcísio Gargioni, a expectativa da aérea é de que o avanço do Brasil e de outras seleções na competição estimule as vendas.

“Por enquanto, os voos para jogos do Brasil estão lotados. Os demais, não. Isso pode mudar a partir das oitavas de final da Copa, tanto pelo resultado do Brasil como de outros países próximos, caso da Argentina”, comentou.

Outra empresa que está na torcida pelo Brasil para vender mais bilhetes é o grupo Latam — formado pelas empresas TAM e Lan. O presidente Enrique Cueto, disse ontem, durante participação na Conferencia Anual Associação Internacional das Empresas Aéreas (Iata), que a companhia vai perder dinheiro com a Copa porque o ritmo das viagens de negócios cairá muito no país.

A baixa expectativa na procura de voos durante o Mundial já havia sido alertada pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). De acordo com a associação, historicamente o movimento é menor durante esses eventos e a tendência é de queda tanto no mercado doméstico quanto no internacional. E com a redução na procura pelo bilhete corporativo, o valor médio dos tickets cai. A Abear informou, ainda, que a movimentação está dentro do esperado e que a Copa não costuma ser o melhor momento para o setor, pela mudança dos hábitos de consumo.

Desde 2011 a oferta de assentos no país vem reduzindo, por conta dos sucessivos resultados ruins das empresas aéreas locais. Esse ano, a taxa de ocupação está perto de 80%. O mercado aéreo brasileiro cresceu no ano de 2014 — de janeiro a março a alta foi de 8,9% na demanda, ante o mesmo período de 2013. Em abril, o incremento foi de 8,2%. Um dos fatores para o bom desempenho, diz a Abear, vem da reprogramação de viagens corporativas para antes da Copa, assim como a realização de eventos.

Se o período de crescimento no Brasil, nos quatro primeiros meses do ano, teve ligação com o mercado corporativo, a alternativa agora, com voos para a Copa cheios de assentos vagos, é o investir em promoções, diz uma fonte do setor. Ele lembrou ainda que as empresas solicitaram à Anac pedidos de voos extras diante de uma expectativa que se dissolveu também pelos sucessivos episódios de violência que ganharam a mídia internacional.

A Azul Linhas Aéreas informou que tem feito promoções semanais. A empresa lançou o “passaporte TudoAzul” para voos durante a Copa. Com investimento de 50 mil pontos, os clientes ganham passagens para seis trechos de ida e volta. A promoção teve início em 31 de maio e as viagens devem ser realizadas entre 1 de junho a 31 de julho. Outra promoção é de passagens a partir de R$ 59 ou três mil pontos do TudoAzul por trecho. O valor máximo por trecho é de R$ 999.

Já a TAM declarou que os preços para o período variam de acordo com fatores como demanda, horário de voos, antecipação da compra e tempo de permanência no destino. Até o momento, diz a empresa, 60% das passagens aéreas domésticas foram vendidas por preços abaixo de R$ 200.

A Avianca também está apostando nos descontos para aumentar a taxa de ocupação na Copa. Voos de Brasília para o Rio, com desembarque no aeroporto Antônio Carlos Jobim (Galeão), saem a R$ 99. Já trechos saindo do Rio para Salvador são encontrados a partir de R$ 299. E de São Paulo para Cuiabá, o bilhete custa a partir de R$ 159. Se o destino for o Rio, ainda é possível encontrar tickets a R$ 159.

A Gol informou que em sua política tarifária, 85% das passagens poderão custar até R$ 499, levando-se em conta a proximidade da data da viagem. Os 15% restantes podem ser encontrados acima de R$ 499, em função de alocação do voo e proximidade da data.

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