Jatos executivos ganham estacionamento VIP durante a Copa

Com mil aeronaves estrangeiras circulando no espaço aéreo do país, solução foi adotada em aeroportos no Rio, Belo Horizonte, São Paulo e Fortaleza

Por O Dia

Rio - Principal porta de entrada de turistas vindos de diferentes países, os aeroportos brasileiros se prepararam não só para o movimento de rotas comerciais como também para o aumento de jatos executivos durante a Copa do Mundo. Segundo a Secretaria de Aviação Civil (SAC) e a Infraero, a previsão é de mil aeronaves estrangeiras circulando no espaço aéreo brasileiro durante os dias de competição. Isso sem contar a frota de nacional, de 1.682 aviões a turbina.

Para Francisco Lira, sócio da operadora Cfly e ex-presidente da Associação Brasileira da Aviação Geral (Abag), a saída encontrada para evitar o gargalos nos aeroportos brasileiros por conta da aviação executiva foi o melhor gerenciamento do espaço físico dos aeroportos. A Cfly, por exemplo, fechou uma parceria com a Jet Aviation (empresa suíça comprada pela americana General Dinamics), que criou o sistema de hangar a céu aberto no aeroporto do Galeão, no Rio.

“O local onde ficava um pátio de carga agora pode abrigar 217 aeronaves executivas. A diferença é que elas são rebocadas para estes espaços permanentes e utilizam o tempo na pista apenas para embarque e desembarque de seus passageiros e tripulantes. O sistema é usado não só pelos clientes da Jet Aviation com a Cfly, mas também por outras operadoras brasileiras. É como um vallet park dos jatos”, brinca, acrescentando que o modelo já foi replicado nos aeroportos em São Paulo, Fortaleza e Belo Horizonte, por meio de consórcios de empresas. “Estes jatos transportam os executivos que decidem fazer investimentos no país. Oferecer uma logística para que eles possam se deslocar no Brasil com facilidade é um importante legado”, comenta Lira.

A parceria entre as operadoras vai além. Para dar conta de todo esse vai e vem de aviões — que transportam executivos de grandes corporações globais e celebridades pelo país —, as empresas de aviação executiva utilizam o sistema de networking global para conseguir espaço para as aeronaves e suas autorizações de pouso e decolagem. “Os operadores estrangeiros contactam os agentes locais. Essa rede de relacionamento existe no mundo todo e os operadores funcionam como agentes de handling (atendimento). Isso porque as empresas de aviação executiva não têm uma filial no Brasil e são os operadores locais que cuidam das autorizações de slots, entre outros serviços, que vão da limpeza e do abastecimento dos aviões até o traslado dos passageiros e a hospedagem”, explica Lira. As operadoras locais podem ainda sublocar seus espaços fixos nos aeroportos para as empresas estrangeiras. O custo apenas para o estacionamento dos aviões é de US$ 2,5 mil.

Entre os que pediram o maior número de autorizações para voos de jatos executivos no país estão os norte-americanos, seguidos pelos sul-americanos. Para as aeronaves executivas estão disponíveis 108 mil slots — autorizações de pouso e decolagem — distribuídos em 23 aeroportos. Esse volume não deverá ser alterado. Desse total, informa a SAC, 83% já foram ocupados por empresas de táxi aéreo ou aeronaves particulares tanto brasileiras quanto de outros países, que podem solicitar mais de um slot por aeroporto, de acordo com a necessidade. A margem de segurança estabelecida pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) não permite que o volume de slots ocupados chegue a 100%.

Os jogos do Brasil lideram os pedidos de autorizações em aeroportos locais. Logo depois, o maior percentual de solicitações são para as disputas da semifinal e a final carioca. A previsão da SAC e também da Abag é de uma movimentação de 300 aeronaves executivas no espaço aéreo, que vão pousar nos aeroportos Antonio Carlos Jobim e Santos Dumont. Entre elas, as de executivos como o mexicano Carlos Slim e Bill Gates.

Para evitar que as empresas e proprietários de aeronaves descumpram as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foram estabelecidas multas e também sanções mais rígidas, entre elas a suspensão da autorização de voo e da licença do piloto. O primeiro cartão vermelho saiu para a Acass Canada Limited, que tinha duas horas para permanecer no aeroporto de Guarulhos (SP), mas ficou 24 horas no local, além de não operar os demais slots solicitados no dia 11 de junho. Além da multa, teve a autorização de voo no Brasil suspensa e a aeronave foi obrigada a sair d o país no dia 14.

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