Oi muda estratégia para área corporativa com expansão de portfólio de serviços

Um dos objetivos da reestruturação é compensar, com novas tecnologias, a queda na receita de voz fixa para companhias

Por O Dia

São Paulo - Depois de amargar no primeiro trimestre uma queda no total de clientes no segmento corporativo e de PMEs (pequenas e médias empresas), a Oi anunciou uma reestruturação — já esperada pelo mercado — na sua estratégia de negócios para estes mercados. Em evento realizado anteontem, a operadora informou que está ampliando seu portfólio de serviços, com ênfase nas ofertas de tecnologia da informação, incluindo computação em nuvem e aplicativos para aumento de produtividade.

“A Portugal Telecom tem uma forte atuação na oferta de TI para o segmento corporativo e, com a integração, vamos acelerar a entrega de novas aplicações de vanguarda. A ideia é unir nossa estrutura de conectividade com essas ofertas para entregar um pacote de ponta a ponta às grandes empresas”, disse Maurício Vergani, diretor da unidade de Negócios Corporativos da Oi, durante o evento em São Paulo. “Em 2013, o investimento dos 5 mil maiores grupos brasileiros em TI e telecom cresceu 2,3%, enquanto nós crescemos 5,1% no segmento corporativo. Nosso foco é continuar avançando acima do mercado”, afirmou.

O evento marcou a inauguração de um showroom para clientes corporativos. O espaço será voltado à demonstração de ofertas de TI para grandes clientes. Durante o encontro, a Oi apresentou algumas dessas soluções. Entre outros recursos, o portfólio inclui aplicativos de produtividade e de controle de equipes em campo; plataformas de relacionamento das empresas com clientes usuários de celulares básicos; sistemas de gestão de filas e soluções de vitrines virtuais e de autoatendimento no varejo; gestão de dispositivos móveis no ambiente corporativo; e a oferta da infraestrutura de TI por trás de todas essas operações. Um dos pontos destacados foi a plataforma de gestão da infraestrutura de comunicação de dados, que está sendo utilizada pela Fifa nesta Copa do Mundo. 

Mais que a maior atenção a um novo nicho de mercado, a estratégia da Oi é também um movimento de defesa da operadora frente a uma tendência que vem impactando negativamente o mercado corporativo. “Nossa expectativa é compensar a queda nas receitas de voz fixa para empresas. Com esse portfólio mais amplo, estamos reduzindo a exposição a esse risco”, afirmou Vergani.

A aproximação com a Portugal Telecom na oferta para o mercado corporativo não está restrita à incorporação das soluções criadas pela equipe de operação em Portugal, mas também ao desenvolvimento conjunto de novos produtos e serviços. “Para ganhar escala no mercado de TI, é preciso ter mais velocidade e flexibilidade, algo que a estrutura de uma operadora acaba limitando. Por isso, criamos uma espécie de start-up de TI, que funciona aqui dentro, com funcionários brasileiros e especialistas que trouxemos de Portugal”, disse.

Ao mesmo tempo, a Oi investiu na redistribuição da equipe da unidade de negócios corporativos, que hoje, somada ao time da Portugal Telecom, conta com 1,5 mil colaboradores. “Nesse segmento, o desenho e a entrega do projeto são os fatores mais críticos. Dessa forma, hoje, 80% dessa equipe está concentrada nas áreas de pré-venda e pós-venda”, afirmou. A busca por mais qualidade e a redução no número de fornecedores de hardware e de infraestrutura foi outra estratégia adotada. Hoje, a Oi mantém parcerias com empresas como Samsung, Palo Alto Networks, NEC e Cisco.

De acordo com Vergani, as receitas do segmento empresarial/corporativo — que reúne ofertas para pequenas, médias e grandes empresas — somaram R$ 2,1 bilhões no primeiro trimestre. Desse montante, os serviços de TI representaram 7% no período. “A expectativa é que as ofertas de TI respondam por 15% dessa receita em 2015 e por 25% do faturamento de B2B em cinco anos”, observou.

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