Selic alta reduz financiamento a intercâmbio internacional

Escolas, que antes parcelavam os cursos em até 24 vezes para a Classe C, passaram a indicar instituição bancária

Por O Dia

O interesse da classe C por viagens de intercâmbio vem aumentando no Brasil. Do total de estudantes e intercambistas brasileiros que viajaram para fora do país em 2013, 19,1% eram da classe C. E a expectativa de faturamento do setor neste ano pega carona nessa parcela da população.De acordo com a Associação Brasileira de Operadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta), com a classe C viajando mais e impulsionando as vendas, a expectativa de faturamento do setor para esse ano é de R$ 1,3 bilhão, 30% acima do registrado no ano passado.

“Hoje, há empresas do mercado de viagens educacionais que têm em sua carteira mais de 50% dos clientes da classe C. Esse é sem dúvida o mercado que mais consome. Um intercâmbio pode ser oferecido a partir de US$ 1.700 com passagem, hospedagem e meia pensão. No entanto, se antes as empresas de intercâmbio tinham condições de arcar com custos financeiros da operação de parcelamento sem juros para os clientes em até 24 meses, hoje não o fazem mais, por conta da alta da Selic. Ficou mais pesado para as empresas”, diz Marcelo Alburquerque, diretor financeiro da Belta.

Com a alta da Selic, de 7,5% para 11,5%, as opções de parcelamento sem juros oferecidas pelas operadoras foram reduzidas a quatro parcelas. Mas para não perder essa clientela, um banco passou a concentrar boa parte das operações de financiamento para intercâmbio: o Santander, que não informou o percentual da população da classe C que usa esse tipo de financiamento nem o montante desembolsado pela linha.

“É uma cessão de crédito, em que há opções com e sem juros. A empresa de intercâmbio intermedia a operação de financiamento junto ao banco e recebe o valor total do pacote em 21 dias. Boa parte desse dinheiro é remetida para o fornecedor internacional. Já o estudante paga diretamente ao banco e, com juros mais altos, arca com estes custos. Os parcelamentos com juros chegam hoje a até 24 meses”, explica Albuquerque.

Celso Garcia, CEO da CI- Central de Intercâmbio, que atua nesse mercado há 25 anos, afirma que os próximos 25 de existência de sua empresa devem ser impulsionados pelo cliente profissional ou estudante da classe C. Hoje, 20% das vendas de pacotes de intercâmbio de sua empresa são adquiridos por essa parcela da população.

Além do financiamento — a CI também usa as linhas do Santander —, são muitos os clientes que recorrem ao empréstimo consignado para realizar o sonho de viajar para outro país e, ao mesmo tempo, estudar.

“Recebemos muitas pessoas que estão empregadas, procuram acesso a cursos com um mês de duração em média e negociam por pelo menos três meses conosco o melhor pacote, que caiba no bolso. O objetivo final é sempre a formação profissional. Mas quase sempre significa a primeira viagem ao exterior. Pelos programas de intercâmbio, eles se sentem melhor atendidos e seguros”, afirma Garcia, acrescentando que, para esse ano, sua empresa prevê dobrar o volume de vendas para a classe C.

Ainda de acordo com a Belta, o Canadá é o destino mais procurado, segundo 91,3% das empresas que responderam à pesquisa feita pela entidade. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 75%, e o Reino Unido em terceiro, com 68,8%.

Malta, África do Sul e China se destacaram como os novos países procurados pelos intercambista nos últimos anos. A Nova Zelândia apareceu como o destino mais desejado devido ao custo-benefício, segurança e facilidade para visto.

Apesar de não ter dados específicos sobre viagens de intercâmbio, o Instituto Data Popular afirma que, dentro da pesquisa que mostra o interesse por viagens internacionais pela classe C, esse acaba sendo um dos motivos para conhecer outros países. Pelo levantamento, feito com 1.500 pessoas em 100 municípios, 11% pretendem aprender um novo idioma e 5% querem viajar para o exterior.

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