Financiamento de veículo pode crescer

BB está otimista e espera que a carteira orgânica do crédito veículo encerre o ano com saldo entre R$ 12,5 bilhões e R$ 13 bilhões

Por O Dia

A decisão do governo Federal de prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis pode ajudar o segmento de crédito no segundo semestre do ano, período em que o consumidor costuma ver sua renda incrementada com o 13º salário e que está mais propenso a comprar coisas com maior valor agregado. Essa é a expectativa do diretor de empréstimos em financiamento do Banco do Brasil, Edmar Casalatina. “Estamos otimista para o segundo semestre e esperamos um crescimento do crédito como um todo. Se a curva negativa verificada no primeiro semestre for revertida, já será um grande resultado”, afirma.

O executivo disse que espera encerrar o ano com a carteira orgânica do crédito veículo (aquela gerada pelo BB), com saldo entre R$ 12,5 bilhões e R$ 13 bilhões. Atualmente, a carteira está na casa de R$ 11 bilhões. Casalatina ressalta que o modelo de crédito adotado pelo banco é diferente do usado nos bancos públicos. "O BB só opera crédito para cliente do banco. Então o risco é bem menor que o do mercado", pondera, lembrando que a inadimplência do BB no semestre é de cerca de 1,8% e a dos outros bancos, de 5,5%, segundo o Banco Central.

Para Casalatina, não está faltando dinheiro para nenhum segmento do crédito, inclusive o de auto. “Recursos para empresas não falta. O modelo é que precisar mudar", afirma. O executivo refere-se à dificuldade que os bancos têm para reaver o carro em caso de inadimplência. Para ele, se houver uma mudança neste modelo, as instituições financeiras devem se sentir mais seguras para aumentar o crédito nesta linha. Segundo ele, hoje, dos processos que os bancos movem para reaver o carro em caso de inadimplência, apenas 15% é um sucesso — eles pegam o carro de volta e conseguem vender. "Precisamos eliminar alguns parâmetros para facilitar o financiamento”, explica.

Segundo dados do Banco Central, o estoque de crédito de veículo em maio estava em R$ 188,07 bilhões, ante R$ R$ 193,21 bilhões registrados no mesmo período de 2013. Quando comparado a maio de 2012, quando o governo anunciou a redução do IPI para o setor automotivo pela primeira vez, o estoque era de R$ 184,57 bilhões. Os números mostram que, após o incentivo, houve um aumento do crédito, mas neste ano o que se vê é uma desaceleração neste segmento.

O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 1% em maio, para R$ 2,803 trilhões. No acumulado em 12 meses, o avanço é de 12,7%. A alta foi puxada por pessoa física (+1,3%). Empresas apresentou avanço de 0,7%. Sobre as projeções para o estoque de crédito de todo o sistema financeiro, o BC reduziu a estimativa de 13% para 12%. Na ocasião, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que os ajustes foram feitos com base nos “dados observados até o momento”.

Em nota, o banco Honda disse que aprovou a prorrogação e que irá avaliar a melhor estratégia de atuação. “A Honda avaliará a melhor estratégia de atuação e continuará oferecendo condições que atendam as expectativas dos consumidores no momento da compra do veículo”, diz a nota.

O diretor de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, concorda que os bancos estão preferindo escolher opções com risco menor, como o crédito consignado. “Uma coisa é ter gente interessada em comprar, a outra é encontrar quem queira financiar”, observa.

No entanto, Oliveira não é compactua do otimismo do diretor do BB. Para ele, a decisão do IPI pode não surgir o efeito desejado pelo governo, de ajudar as montadoras a desovarem seus estoques e a manutenção do emprego. O baixo crescimento econômico, a inflação, a alta taxa de juro e os sinais de esgotamento de renda devem levar os bancos a serem ainda mais seletivos na concessão do crédito. Oliveira avalia que o governo está numa "sinuca de bico". Por um lado, o Banco Central promoveu recentemente alta da taxa Selic para tentar conter a inflação, desacelerando a economia. Do outro lado, o governo toma uma medida para incentivar o consumo. "São medidas contraditórias. O governo está numa sinuca de bico", avalia.

Na segunda-feira, o ministro Guido Mantega, após reunião com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, anunciou a prorrogação da redução do IPI até dezembro deste ano. O anuncio foi bem recebido pelo setor que passa por um momento de fraqueza, recuo das vendas no mercado doméstico e anúncios de férias coletivas e planos de demissões voluntárias.

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