‘Não quero mais vender fogões’, diz herdeiro das Casas Bahia

Depois da aquisição das Casas Bahia pelo Grupo Pão de Açúcar, Michael Klein, agora à frente do Grupo CB, expande portfólio imobiliário da família com a compra de 36 imóveis comerciais da BR Properties. E planeja voos mais longos

Por O Dia

Depois de décadas consolidando a expansão da rede varejista Casas Bahia, fundada por seu pai, Samuel Klein, vendida ao Grupo Pão de Açúcar em meados de 2010, Michael Klein hoje preside e administra empresas e ativos da família Klein que não fizeram parte do pacote negociado com o GPA, por meio do Grupo CB (Capital Brasileiro), com sede em São Caetano do Sul (SP). O principal negócio da companhia são os ativos imobiliários, que começaram a ser adquiridos nos anos 60 pelo fundador da rede varejista para a instalação das lojas da Casas Bahia e dos Centros de Distribuição que davam suporte à sua logística própria.

Agora, o Grupo dá os primeiros passos para se expandir no campo da aviação executiva, com a futura criação da CBAir, empresa de táxi aéreo que vai atender a grandes empresários e corporações. O pedido de funcionamento para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já foi encaminhado. Com isso, Michael Klein deve transformar sua paixão por aviação em negócio.

Enquanto a CBAir não sai do papel, o faturamento do Grupo CB vem, em grande parte, dos negócios imobiliários. Com faturamento de R$ 240 milhões em 2013, a empresa acaba de fechar mais uma aquisição nessa área, de mais 36 imóveis comerciais em vários estados brasileiros, que antes pertenciam à BR Properties, que vem se desfazendo de ativos. O valor da transação foi de R$ 606,6 milhões. Com esta nova compra, o Grupo CB passa a ter 420 empreendimentos na área imobiliária, todos comerciais e alugados não só para as filiais do Grupo Pão de Açúcar e demais empresas da Via Varejo (Ponto Frio e a própria Casas Bahia), como para outras redes varejistas.

“Todas as lojas que estavam alugadas terão seus contratos mantidos. Muitos vencem em 2017, 2021. O que deixamos claro é que o cotista mudou, mas vamos manter os contratos em vigor. São alugueis para redes de grande porte, como C&A, em shoppings e lojas de rua, que somam 15 das 36 propriedades adquiridas. Queremos sempre diversificar o portfólio. Dos 420 imóveis que temos, 90% são de lojas de varejo, incluindo o Pão de Açúcar”, diz Michael Klein.
Segundo ele, com a aquisição, a empresa vai ter um acréscimo de R$ 60 milhões em seu faturamento, em um ano. Ele adiantou que está fechando a compra de mais imóveis com outros proprietários e corporações de ativos comerciais no Rio e em outros estados.

“Estamos sempre atentos a novas oportunidades. Ter ativos em cidades como Rio e São Paulo é, sem dúvida, importante. Mas nosso foco também é o Nordeste, onde estamos observando o crescimento da região”, diz.

A família de Klein continua com 27% de participação acionária na Via Varejo. Pelo acordo firmado com os acionistas, ele não pode ser dono de uma rede varejista e se tornar um concorrente no mercado por pelo menos cinco anos. Três anos e meio se passaram. Mas, segundo ele, não está nos seus planos, e nem do Grupo CB, ter uma nova empresa nesse setor.
“Não quero mais vender fogões, geladeiras e aparelhos de ar condicionado. Nosso investimento agora é em aluguel de lojas e galpões logísticos”.

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