Acordo entre Oi e PT faz ações da tele brasileira dispararem

Participação da operadora europeia na companhia resultante da fusão, a CorpCo, será menor do que os 37,3% previstos anteriormente. Na BM&FBovespa, papéis preferenciais da empresa nacional fecharam em alta de 12,8%

Por O Dia

A Oi e a Portugal Telecom (PT) informaram, na madrugada de quarta-feira, que firmaram um memorando de entendimento para viabilizar a fusão entre as duas empresas — a operação havia sido posta em xeque depois que vieram a público empréstimos feitos pela PT à Rio Forte Investments, holding do Grupo Espírito Santo (um dos acionistas da PT). Com o calote da Rio Forte, que na última terça-feira deixou de honrar € 847 milhões em dívidas, a participação da Portugal Telecom na CorpCo encolhe dos 37,3% previstos anteriormente para 25,6%, dentro das bases do acordo firmado pelas operadoras.

No Brasil, o mercado reagiu positivamente ao memorando de entendimentos assinado por Oi e PT. Os papéis preferenciais da operadora brasileira terminaram o pregão de ontem com valorização de 12,82%, cotados a R$ 1,76. Já as ações ordinárias apresentaram alta de 11,73%, cotadas a R$ 1,81. “O mercado acabou interpretando o memorando de forma positiva, do ponto de vista da governança corporativa”, disse William Araújo, executivo da equipe de Análise de Investimentos da corretora UM Investimentos.

De acordo com fato relevante divulgado pela operadora brasileira, Oi e PT deverão realizar uma permuta. A PT entregará ações da Oi que ficarão custodiados em tesouraria, num total de 16,6% do capital votante e 16,6% do capital total. Em contrapartida, a companhia portuguesa receberá títulos (commercial papers) da Rio Forte, num valor de face equivalente às ações entregues à Oi. Conforme indica o documento, a PT terá opção de compra (pessoal e intransferível) sobre ações de emissão da Oi “em mesmo número e tipo que as ações permutadas.”

A opção de compra poderá ser exercida num prazo de seis anos. Mas o percentual de ações sujeitas à opção de compra será reduzido a cada ano caso a PT não exerça seu direito. Um ano após a data de fechamento do acordo, 10% dos papéis deixam de estar sujeitos à opção. Nos anos seguintes, esse percentual sobe para 18%, totalizando 100% ao fim de seis anos. Na prática, isso significa que, se não comprar os papéis ao longo do período, terá sua participação reduzida a 25,6%. “A Portugal Telecom será penalizada proporcionalmente ao rombo criado pelo investimento na Rio Forte. A PT vai arcar sozinha com o prejuízo”, resumiu Lucas Marins, analista da Ativa Corretora. “Caso receba os recursos da Rio Forte, a PT pode elevar sua participação para o que estava previsto (37,3%)”. Na avaliação de Marins, o memorando retirou um obstáculo à fusão, o que é positivo do ponto de vista do mercado. “A CorpCo é uma empresa mais sólida que a PT e a Oi”, sustentou ele. Outro ponto positivo destacado pelo analista é o preço do exercício de compra pela PT: R$ 1,8529 por ação preferencial e R$ 2,0104 por ordinária. “Os preços tendem a se aproximar dos valores colocados no acordo caso a Portugal Telecom exerça o seu direito”, explicou Marins.

Segundo informações divulgadas na quarta-feira no site do jornal “Diário Económico”, o presidente executivo e chairman da PT, Henrique Granadeiro, não deverá fazer parte da administração da CorpCo. Essa seria uma das consequências da revisão do acordo de fusão entre as duas companhias. Ainda de acordo com informações do site, Granadeiro ampliou a exposição da PT ao Grupo Espírito Santo quando aprovou o reforço na compra de commercial papers da Rio Forte em fevereiro deste ano, de € 750 milhões para € 950 milhões. Granadeiro seria vice-chairman da CorpCo, mas não deverá ter assento no novo conselho de administração. Mesmo assim, a CorpCo deverá manter a paridade entre administradores da PT e da Oi, incluindo os independentes. A decisão relativa ao conselho de administração da nova empresa está prevista para ser divulgada nos próximos dias.

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