Google se aproxima das start-ups brasileiras

Além do anúncio do escritório em São Paulo, companhia oferece cursos no Startup Rio

Por O Dia

O Brasil é visto pelo Google como um celeiro de inovação e empreendedorismo digital e não à toa a empresa — que nasceu em uma garagem — está trazendo para o país alguns de seus programas, atenta ao potencial das start-ups de tecnologia nacionais. Além do Launchpad, programa transitório de apoio a empresas em fase inicial e que fica na Startup Rio até hoje, a companhia anunciou recentemente a abertura em São Paulo de um “Campus Google” — escritório colaborativo para novas empresas de tecnologias, a exemplo do que já existe em Londres (Inglaterra), Tel Aviv (Israel) e Varsóvia (Polônia).

“O Brasil tem um ecossistema de start-ups em crescimento e o Google tem o papel importante de ajudar o empreendedorismo digital a prosperar. O Rio é um hub com diversas incubadoras como a 21212 e, por isso, trouxemos o Launchpad para cá”, diz o gerente de Relações com Desenvolvedores do Google Brasil, José Papo.

Doze especialistas nacionais e internacionais da norte-americana ficam até hoje no Startup Rio para compartilhar suas experiências com as 50 empresas que fazem parte do projeto do Governo do Estado do Rio. São cinco temas centrais: estratégia e tecnologia, interface para o usuário, desenvolvimento de aplicações para web e mobile, marketing e desenvolvimento do negócio.

“No Launchpad, além de treinamento, apresentações e mentorias, tratamos de temas não ligados à tecnologia, como pesquisa de mercado, análise da experiência da aplicação para os usuários, entre outros”, explica Papo.

Já o Campus, que tem previsão de abertura no ano que vem, segundo o executivo do Google, tem como objetivo ser um ponto de encontro das start-ups brasileiras, com foco no desenvolvimento de softwares e de aplicações.

“O Campus engloba vários projetos ao mesmo tempo: mentoria, workshops e treinamentos. Nele, haverá um espaço que vai funcionar como um escritório comunitário para algumas start-ups selecionadas, mas também terá outro ambiente aberto para qualquer empresa que se cadastre no site, independente da sua cidade de origem. Na verdade, companhias do mundo todo podem participar”, destaca ele.

Papo ressalta, no entanto, que o fato de se voltar para a tecnologia digital não restringe as áreas de atuação das empresas. “Aqui mesmo no Startup Rio temos empreendimentos envolvidos com aplicações digitais em diferentes áreas, como entretenimento, turismo, e-commerce, business to business. O interessante é como a tecnologia digital de hoje impacta todas as áreas de negócios das empresas”, diz o executivo, que cita, mais de uma vez, o aplicativo Easy Taxi como exemplo de sucesso de uma start-up brasileira.

“Um dos apps citados na página do ‘Google for Entrepreneurs’ é o Easy Taxi, conhecido no Brasil, mas que já está em outros países da América Latina. Um dos pontos que também sempre falamos no Google é como o Brasil acaba se tornando muitas vezes um ponto surgimento de ideias, mas não deixa de ser também uma porta de entrada para a América Latina”.

Startup Rio abriga 50 projetos

Programa da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, fomentado pela Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e outros parceiros, o Startup Rio selecionou 50 projetos para receberem orientação de especialistas da área de tecnologia, além de financiamento de até R$ 100 mil cada um.

Segundo o subsecretário de Ciência e Tecnologia, Augusto C. Raupp, o objetivo é receber projetos na fase anterior à incubação. “Achamos fundamental a criação de empresas de base tecnológica no estado. Como o secretário de Desenvolvimento, Julio Bueno, mesmo diz: o petróleo ajuda o Rio hoje, mas ele acaba, e temos que ter alternativas”, ressalta. “O programa é de criação de empresas, não queremos pegar algo já criado e acelerar”, completa ele.

Os projetos selecionados ficam no espaço de co-working, que facilita a troca de ideias, por um ano. Um novo edital para a seleção de novos empreendedores está previsto para outubro ou novembro deste ano. Raupp reforça que os projetos não são restritos a uma área ou setor. “Todos são aplicativos digitais, mas temos projetos de turismo, mobilidade urbana, entretenimento, entre outros”, destaca.

A sede do programa foi inaugurada no último dia 17, no Catete, zona Sul do Rio, onde já funcionou a Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O prédio foi cedido pela universidade para a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, que o reformou ao custo de R$ 1,5 milhão.

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