Por marta.valim

O mercadinho de vizinhança — formado por até quatro check-outs — vem crescendo a ritmo mais acelerado do que as versões maiores do varejo. Segundo um levantamento feito pela consultoria GfK, de março a maio deste ano, os hipermercados tiveram uma queda média no faturamento de 2% a 3%, enquanto os mercados de vizinhança cresceram de 3% a 5%.

Não por acaso, grandes redes como o Carrefour e o Grupo Pão de Açúcar — dona das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, e que lançou recentemente uma versão premium dos mercadinhos de vizinhança, o Minuto Pão de Açúcar, em uma zona nobre da capital paulista —, estão investindo no formato.

Formado por empresas familiares, que em sua maioria são donas de apenas uma loja, o varejo de vizinhança responde por um universo de 73 mil estabelecimentos, segundo dados do Instituto Nielsen. O seu trunfo está no atendimento mais personalizado e em serviços.
Mas com o avanço dos grandes players varejistas, o desafio dos supermercadistas de menor porte será a melhoria da gestão do negócio, diz Marco Aurélio Lima, diretor da área de Bens de Consumo da consultoria GfK e responsável pela pesquisa Estudo do Mercado de Vizinhança. O preço já não é mais um diferencial para as grandes redes, apesar delas terem maior poder de negociação com fornecedores. A diferença dos itens da cesta básica entre um grande supermercado e um pequeno, de acordo com a GfK, é de 1,3%. E, segundo Lima, no caso de produtos perecíveis, os mercados menores conseguem oferecer preços até 2% menores.

“O mercado de vizinhança cresceu muito porque o consumidor está indo mais vezes às compras e opta por fazer isso mais perto de casa ou do trabalho. A comodidade e o relacionamento humanizado fez desse modelo o que apresentou o melhor desempenho, de acordo com nossa pesquisa”, explica o especialista. O varejista de vizinhança também está mais atendo ao mix de produtos oferecido aos seus clientes.

A região Nordeste como um todo e o interior do país estão ajudando a turbinar o faturamento das pequenas empresas com até quatro caixas. Em ambos os casos, o crescimento econômico e o aumento do poder aquisitivo já registrados são fatores positivos. Segundo especialistas, o setor tende a manter um forte ritmo de desenvolvimento.

O entrave para o crescimento do formato está na alta da inflação e na diminuição da confiança do consumidor, somada à falta de processos para fazer com que a operação seja ainda melhor em resultados. “Todos esses fatores geram um ambiente de fragilidade. No entanto, percebemos que no Nordeste o otimismo permanece. Lá, 60% dos empreendedores pretendem ampliar ou reformar e estão mais preocupados com a gestão. A região é a que tem mais varejistas jovens, entre 18 e 30 anos. Muitos estão vendo o supermercado de vizinhança como uma oportunidade de negócio”, acrescenta.

José Lourenço Fraga, analista de Mercado da Nielsen, afirma que os mercados de pequeno porte não sofreram a retração que todo o setor passou em 2013. “Enquanto o autosserviço como um todo registrou em 2013 queda de 0,4%, os mercados menores cresceram 2% e aumentaram em 7% a frequência de compras. A tendência é pela concentração no modelo de mercado de vizinhança, sobretudo com a chegada das grandes redes nestes formatos. Mas, apesar da disposição dos grandes, não deverá haver um domínio por parte delas desse segmento”, comenta Fraga.

Para ajudar os varejistas de pequeno porte, o Sebrae está investindo em capacitação. A entidade montou uma loja de vizinhança na 34ª Feira e Convenção Anual da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), que acontece em Curitiba. O objetivo é mostrar que hábitos de um pequeno empresário podem comprometer o faturamento.

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