Por douglas.nunes

Novas soluções de pagamentos estão sendo estudadas no mercado brasileiro. Uma das maiores apostas das empresas é a NFC (Near Field Communication), tecnologia que permite troca de informações entre dispositivos, como o smartphone ou tablet, sem a necessidade de cabos ou fios, apenas pela aproximação física. Ainda em fase de testes, as empresas envolvidas nesse desenvolvimento esperam por uma expansão do uso de celulares com esse recurso para oferecer o produto em grande escala no mercado.

Segundo o vice-presidente de Produtos da Visa, Percival Jatobá, o mercado de pagamentos móveis vive uma revolução silenciosa. “Este tema é prioridade para a indústria financeira, para os clientes, as bandeiras e até o governo”, disse. Para Jatobá, o mercado brasileiro já possui um grande número de terminais habilitados para esse tipo de transação, mas falta a massificação dos celulares com esse sistema. “Hoje, o Brasil tem um milhão de terminais habilitadas para transações via NFC. É o maior parque do mundo, mas ainda não conseguimos ter a comercialização em massa como gostaríamos”, argumentou. Atualmente, são 274 milhões de linhas de celulares no Brasil, mas apenas 15 milhões são habilitados para NFC.

Para o Vice Presidente de Convergência Digital da MasterCard, Marcelo Tangioni, o Mobile NFC é muito importante para a empresa, que tem como uma das principais funções passar o uso do dinheiro para o mundo digital. “Hoje é importante o cartão sem precisar usar o cartão, passar em algum lugar”, comentou. Segundo Tangioni, o Brasil vive uma situação curiosa com o fato de possuir uma grande aceitação, mas ainda estando atrás da Europa e do Japão no uso da tecnologia.“Acreditamos que até o fim do ano tenha uma base considerável de cartões na rua paraentender a reação do consumidor, do lojista”, disse.

A operadora Vivo também trabalha em um projeto de NFC e planeja o lançamento para o primeiro trimestre de 2015. Segundo o diretor de Produtos e Serviços Financeiros da Telefônica Vivo, Maurício Romão, a solução é bem complexa e necessita que a operadora tenha uma plataforma específica e que também seja utilizada pelos bancos. “O cliente precisará de um novo chip, um aparelho com esse sistema, não é uma mudança simples”. De acordo com Romão, a empresa já tem conversado com os bancos, para que a tecnologia possa ser utilizada por todos os clientes da empresa.

Projetos pilotos já estão no mercado

Em Janeiro, o banco Itaú, em parceria com TIM, MasterCard e Gemalto, fornecedora da tecnologia de chips, produziram um sistema móvel para pagamento de compras. Apenas com a aproximação de dois dispositivos eletrônicos compatíveis, do estabelecimento e do smartphone do cliente habilitado. As compras serão creditadas no cartão TIM Itaucard e cobradas na fatura enviada pelo banco. O projeto piloto dessa tecnologia envolve cem estabelecimentos.

Em junho, a operadora Claro lançou um serviço com o Bradesco e a Visa. Inicialmente, o pagamento por aproximação funciona apenas na cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo. A tecnologia funciona por meio de uma troca segura de dados por radiofrequência, a partir de uma antena instalada no celular e outra embutida no terminal de pagamento. Para ativar o cartão de crédito Bradesco VISA na carteira digital, o cliente deve adquirir o chip em uma das lojas Claro de Ribeirão Preto, baixar gratuitamente o aplicativo Claro NFC, compatível com o sistema operacional Android e ligar para a central de atendimento do Bradesco.

No mesmo mês, a Oi, em parceria com o Banco do Brasil e a Visa, lançaram também um produto disponível apenas para um grupo pré-selecionado de assinantes da operadora que são correntistas do Banco do Brasil e possuem cartão Ourocard Visa. Esses clientes receberam um Chip especial com os dados de seu cartão embutido.

No Rio de Janeiro, a Federação de transportes (Fetranspor) testou no inicio do ano a solução NFC em ônibus, trens, barcas e vans legalizadas. Por três meses, os funcionários receberam em seus celulares as recargas de passagens para utilizar nos meios de transporte do estado. Segundo a Fetranspor, a iniciativa visa à futura substituição de bilhetes e cartões no pagamento das tarifas, mas ainda segue em estudo. O projeto foi desenvolvido com a fornecedora de smartphones, Motorola; a fabricante de Chips, Gemalto; a consultora no projeto, GSMA; e as quatro operadoras de telefonia, Vivo, Tim, Oi e Claro.

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