Ventos não muito favoráveis para a energia eólica no Brasil

Cresce a variedade de turbinas eólicas para demanda doméstica no país, mas preços elevados ainda são a maior barreira

Por O Dia

Rio - De olho no mercado aberto pela regulamentação da geração distribuída no país, empresas de fabricação e distribuição de turbinas eólicas investem tanto no desenvolvimento de novas tecnologias como na formação de um mercado consumidor residencial. Apesar de estudos indicarem o amplo potencial do país nessa área, até o fim do mês passado havia apenas 191 micro e minigeradores conectados à rede das distribuidoras brasileiras, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desse total, apenas 17 geravam energia a partir da fonte eólica.

Um dos obstáculos é o alto custo dos aerogeradores: uma turbina com potência de 2,4 quilowatts (kW), capaz de gerar energia suficiente para abastecer uma residência média, pode custar R$ 44,9 mil. “Espera-se um crescimento muito grande da geração distribuída no Brasil”, diz Rafael Catelli Infantozzi, analista sênior da consultoria norte-americana ICF International. “Mas os equipamentos para geração de eletricidade a partir do sol ainda são mais baratos que as turbinas eólicas”. Em abril de 2012, entrou em vigor a Resolução Normativa nº 482, da Aneel, que permite ao consumidor gerar sua própria eletricidade a partir de fontes renováveis e, também, fornecer o excedente para a rede de distribuição da sua localidade. De acordo com a regulamentação, o excedente de energia gerada é usado para abater o consumo de eletricidade do cliente.

No mercado desde 2002, a fabricante brasileira de aerogeradores Enersud projetou e construiu uma turbina vertical, específica para uso em ambientes urbanos, completamente diferente das horizontais utilizadas em áreas rurais. À venda desde o ano passado, o aerogerador vertical já está em operação comercial nos estados do Rio de Janeiro, da Bahia, do Rio Grande do Sul e do Paraná. “Nas cidades, o ambiente eólico é muito turbulento: os ventos estão sempre mudando de direção, o que não acontece com tanta frequência no campo”, explica Luiz Cezar Sampaio Pereira, fundador da Enersud, que atualmente conta com mais de 600 turbinas (entre horizontais e verticais) instaladas no país.

O aerogerador vertical é lento em comparação com uma turbina horizontal mas extremamente silencioso, característica essencial para a operação em ambiente urbano. O modelo de 1,5kW custa R$ 14 mil, mas a empresa trabalha numa versão simplificada, de 0,5kW. Menos potente, o equipamento terá um preço mais acessível, que Pereira ainda não divulga. O objetivo é atender principalmente o mercado de telecomunicações, mas também o consumidor doméstico. “Não tenho dúvida que a geração distribuída vai avançar, mas sempre soube que este é um processo lento”, reconhece Pereira. “Assumimos um papel didático.”

Desde 1993 no mercado de microgeração, a distribuidora de equipamentos Energia Pura comercializa tanto painéis solares como aerogeradores, todos importados. “Hoje, o mercado residencial é metade do nosso negócio. Os outros 50% vêm de estabelecimentos comerciais”, conta Eduardo Konze, diretor de Marketing da empresa sediada em Paraty (RJ). O portfólio de produtos da companhia inclui desde uma turbina eólica de 160 watts (W), para uso em embarcações e locais remotos, até um aerogerador de 10kW, ao preço de R$ 418 mil. “Os preços vem baixando constantemente, por conta da evolução tecnológica”, acrescenta Konze, ressaltando que houve crescimento grande no interesse pela microgeração nos últimos cinco anos. Antes de instalar uma turbina eólica ou um painel solar, a empresa faz uma verificação do local onde o equipamento será montado. No caso dos aerogeradores, é necessária uma velocidade mínima para o vento de 16km/h, em média.

Estudo da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) estima que em 2030 haverá no país 450 mil consumidores (residenciais e comerciais) com microgeração distribuída. Desse total, cerca de 150 mil vão gerar energia a partir do vento e 300 mil por meio de placas solares fotovoltaicas, caso sejam mantidas as regras estipuladas na Resolução Normativa nº 482. Atualmente, das 191 conexões existentes, a maioria (171) é de microgeradores que utilizam a fonte solar.

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