Por marta.valim

O sucesso do Waze — empresa israelense adquirida pelo Google em junho de 2013 — influenciou até start-ups de tecnologia voltadas para a área ambiental. Focadas na gestão mais eficiente de recursos hídricos, outras duas empresas de Israel chegam ao Brasil com plataformas de software inspiradas no aplicativo de geolocalização mundialmente conhecido. Entre os fatores que estimulam a entrada no país de start-ups voltadas para a área ambiental estão a maior agilidade na concessão das chamadas patentes verdes e os desdobramentos da escassez de água na geração hidrelétrica e no abastecimento da população.

“Há cinco anos, talvez não estivéssemos falando de uma tecnologia para evitar vazamentos e desperdício de água. A escassez de chuvas fez o país repensar sua estrutura hídrica”, analisa Benny Spiewak, sócio do escritório ZCBS Advogados e representante no país das start-ups TaKaDu, Scantask e Mapal Green Energy. Auto-intitulada o “Waze da Agricultura”, a Scantask desenvolveu uma ferramenta digital voltada para pequenos agricultores. Por meio de um aplicativo instalado no telefone celular, no tablet ou no PC, os produtores podem otimizar o consumo de insumos agrícolas — especialmente água. O agricultor deve fornecer dados sobre a área plantada, o tipo de cultura e a temperatura ambiente, entre outras variáveis. Com base nas informações, o usuário do Scantask recebe relatórios com indicações e previsões, além de poder recorrer a serviços de consultoria agrícola. Para contornar as limitações da cobertura de internet móvel no país, o aplicativo da start-up funciona também em modo off-line.

Voltada para a gestão em tempo real de sistemas de distribuição de água, a TaKaDu faz uso de inteligência artificial para monitorar e avaliar o abastecimento. O primeiro passo é realizar um mapeamento da tubulação, com a instalação de sensores que medem pressão e velocidade da água, além de outros indicadores. Os dados brutos são processados e analisados a partir de algoritmos desenvolvidos e patenteados pela companhia. Uma redução na velocidade e na pressão com que a água é distribuída, por exemplo, pode indicar a existência um vazamento em determinado ponto da rede de distribuição. Os mapas da tubulação e o monitoramento da velocidade da água remetem à plataforma do Waze.

Uma terceira empresa israelense, a Mapal Green Energy, também lança mão da tecnologia da informação para aumentar a eficiência de processos ligados ao aproveitamento da água. Nesse caso, os clientes potenciais são indústrias que precisam melhorar a qualidade da água usada no processo produtivo antes de devolvê-la ao meio ambiente. O objetivo é aumentar a eficiência das estações de tratamento utilizadas pela indústria. O processo patenteado pela Mapal envolve o uso de arejadores flutuantes, que utilizam bolhas de ar para remover poluentes e separar a lama da água. A aeração é um processo já conhecido no tratamento de água — a inovação da Mapal está no desenvolvimento de mangueiras e chips patenteados, que — segundo a companhia — difundiriam o oxigênio por uma área maior e com economia de energia.

Um dos principais incentivos à entrada dessas start-ups no país foi a simplificação no processo de concessão das patentes verdes, relacionadas às categorias de energias alternativas, transporte, conservação de energia, gerenciamento de resíduos e agricultura. Criado em abril de 2012 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o programa busca incentivar a inovação sustentável. “Para serem usadas no Brasil, essas tecnologias precisam estar registradas no país. O regime de patentes para tecnologias verdes tem um atalho. Foi simplificado, permitindo uma agilização das patentes estratégicas”, justifica Spiewak. “Isso certamente torna o Brasil um país atraente para as start-ups ambientais.”

Você pode gostar