Olimpíada revela nova geração de profissionais inovadores no país

Promovida a cada dois anos, evento leva desafios reais das empresas para alunos do ensino profissionalizante

Por O Dia

Belo Horizonte - À primeira vista parece uma escola em um dia de atividade fora da sala de aula. Muitos jovens andando de um lado para outro, curiosos diante de máquinas, robôs, equipamentos da indústria, e simuladores que se parecem com games. Mas o objetivo da visita de cerca de 20 mil alunos por dia à oitava edição da Olimpíada do Conhecimento — que acontece no Expominas, em Belo Horizonte até domingo — não é apenas deixar estes estudantes curiosos e, sim estimulados a escolher uma carreira, dentro do ensino profissionalizante.

Para isso, a inovação e a nova relação do aluno com o ensino é vista durante o evento, em mostras que apresentam algumas soluções já utilizadas nas escolas do Senai e do Senac.
“Damos aos alunos tecnologias que podem ser usadas no ambiente didático. Entendemos que um país não cresce com o ensino da forma tradicional como conhecemos. A interação entre o ensino e a tecnologia é fundamental. Queremos estimular esse aluno para que ele possa ser um empreendedor ou então estar em uma empresa aplicando os seus conhecimentos. É uma relação onde o aluno é mais que um espectador estanque e o professor passa a ser um consultor”, explica Jefferson Gomes, gerente de Inovação do Senai.

Neste ambiente, 800 estudantes do Senai e do Senac realizam em provas diárias, que vão selecionar os três melhores em cada uma das 58 profissões que fazem parte da competição. Ao todo, são 48 profissões na indústria, sete no setor de serviços e três em agropecuária. São alunos de todo o país, escolhidos em etapas regionais. Eles são observados por representantes de empresas que, além de patrocinadoras e apoiadoras, estão de olho nestes talentos para seus quadros. Segundo Filipe Morgado, gerente executivo de Educação Profissional do Senai, praticamente todos os participantes das Olimpíadas saem empregados da competição.

“Temos grandes empresas aqui, que patrocinam o evento, montam os espaços de competição e observam os melhores. Ao todo são mais de 150 empresas, como Bosch, Romi, de tornos, Autodesk, de tecnologia, e Starret, fabricante de serras”, explica.

Jefferson Gomes diz que é também no espaço da indústria do futuro em que a relação do aluno com o mundo real acontece, porém com o foco no que o mercado busca para se desenvolver. Nesta área do evento, times de alunos criam soluções para problemas reais das empresas. Este ano, Vale, Fiat, Natura, 3M e Mercedes-Benz patrocinam o espaço. Nele, todos os dias são colocadas ideias livres, diz ele. Laboratórios como o que está montado nesta edição da Olimpíada do Conhecimento já existem em unidades pelo país.

“Temos dez projetos como este que está exposto no evento. Daqui e destes outros laboratórios saem ideias livres que podem vir a ser compradas pelas empresas. São ambientes que buscam a formação profissional como um todo, com o aluno se adequando a diferentes culturas de organizações. O princípio da inovação é o de gostar das diferenças”, acrescenta.
Mas quem explica melhor o que acontece dentro dos laboratórios de ideias da Indústria do Futuro são dois alunos, ambos com 17 anos, que por cinco minutos saíram da mesa de trabalho para dizer algumas das ideias que estão levando para a fabricante de cosméticos Natura.

“Estamos desenvolvendo ideias para suprir as lacunas na relação mãe e filho. Estamos pensando em tecnologias que usem o cheiro da mãe para acalmar o bebê, um aplicativo de voz ou mesmo uma pulseira que fica no pulso da mãe e que, a um movimento atípico do bebê no berço ou na cama, vibre ou acenda uma luz alertando a mãe que está em outro ambiente”, detalha Wiver Barros, estudante do Senai em Sete Lagoas (MG) e que cursa modelagem de protótipo.

Fernando Blumer, estudante de mecânica de usinagem, detalhou o projeto para a mineradora Vale, que tem problemas para monitorar internamente as modificações de suas minas e a comunicação neste ambiente.

“Pensamos em drones para registrar as áreas de sombra e também roteadores com wi-fi em caminhões que circundam as minas, que seriam responsáveis por levar os dados em tempo real para uma central de monitoramento", diz.

Bruno Duarte, gestor do Programa Senai de Tecnologia Educacional do Senai Nacional, diz que, antes de um aluno chegar a este nível de capacitação, é preciso tornar a escola menos “chata”.

“Temos 21 milhões de jovens em idade escolar e nove milhões vão para a escola. Os outros não vão porque na era da interatividade, a escola permanece a mesma. Caderno, livro, lousa. Nosso trabalho é o de estudar a tecnologia participativa, envolvendo o aluno na dinâmica da aula. Simuladores de plataformas de petróleo, de portos, usinas, construção civil, de aviões já estão em algumas escolas pelo país. É isso que estimula o aprendizado”, diz ele.

Para tornar a aula ainda mais estimulante, o Senai desenvolveu aplicativos para celular e tablet em que o aluno aproxima o livro e estuda em realidade aumentada. Outro aplicativo, o mobile learning, também desenvolvido pelo Senai, interage com o aluno dentro de casa e usa cenas do cotidiano como base para as aulas.

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