Por douglas.nunes

Após a morte repentina do pai, Ana Patricia Botín foi escolhida para suceder o banqueiro espanhol Emilio Botín na presidência do Santander, o maior banco da zona do euro e com forte presença na América Latina, especialmente no Brasil.

Apesar de nos últimos anos a participação da família Botín ter sido cada vez menor na instituição, Ana Patricia foi escolhida por unanimidade do conselho administrativo do banco, em reunião de urgência depois que Emilio Botin faleceu na madrugada desta quarta, aos 79 anos, vítima de um infarto.

Para o conselho, a filha de Botín "é a pessoa ideal para assumir o cargo, dadas suas qualidades pessoais e profissionais, sua experiência, sua trajetória no grupo e seu reconhecimento nacional e internacional".

Com 53 anos, foi a maior responsável pela filial do Santander na Grã Bretanha desde dezembro de 2010, quando se tornou a primeira mulher a dirigir um grande banco nesse país, o que lhe valeu o apelido, atribuído pelo Sunday Times, de "princesa do Santander".

"Nesse momento tão difícil para mim e para minha família, agradeço a confiança do conselho administrativo e assumo com total compromisso minhas novas responsabilidades", afirmou a nova presidente. "Continuaremos trabalhando com total determinação para seguir construindo um Banco Santander cada dia melhor para nossos clientes, empregados e acionistas", acrescentou.

A morte de Emilio Botín, considerado o banqueiro mais poderoso da Espanha, "foi uma surpresa e ao mesmo tempo um golpe", afirmou o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy.

O bisneto, neto, filho e pai de banqueiros, e um dos homens mais influentes do país, entrou no conselho administrativo do Santander em 1960 e assumiu a presidência do banco em 1986.

Sob seu comando, o Santander implementou uma política de internacionalização e fusões (na Espanha absorveu em 1999 o Banco Central Americano), e deu um salto na América Latina, onde consolidou seus negócios principalmente no Brasil, na Argentina, no Chile e no México.

Santander na América Latina

"Sua aposta em países como o Brasil abriu uma brecha que depois foi seguida por muitas outras empresas espanholas e sem dúvida foi uma das estratégias que contribuiu para que enfrentássemos essa difícil crise econômica que temos vivido", afirmou o Conselho Empresarial da América Latina.

A rígida política de gestão do grupo e seus fundos internacionais permitiram ao Santander escapar do naufrágio do setor bancário espanhol após o rompimento da bolha imobiliária de 2008.

Era, contudo, um personagem polêmico. Para seus desafetos era um dos símbolos do sistema bancário que levou a Espanha à crise, mas, ao mesmo tempo, o artífice da diversificação da entidade no exterior.

Sua bem-sucedida trajetória profissional e seu prestígio como apoiador da educação, da pesquisa, da cultura e do esporte foram acompanhados de problemas com a justiça dos quais sempre saiu vitorioso.

Em 2012 foi acusado de fraude fiscal depois de aparecer em uma lista de 659 contribuintes espanhóis com contas não declaradas na Suíça em uma investigação que terminou arquivada. Em maio de 2013 teve que prestar depoimento como testemunha o papel do Santander durante a entrada do Bankia na bolsa, em 2011.

Com a notícia de sua morte, as reações de pesar foram manifestadas em todos os âmbitos, principalmente no setor financeiro. "É uma das referências cruciais da história financeira e bancária da Espanha dos últimos 30 anos", afirmou a Associação Espanhola dos Bancos.

Nascido em 1 de outubro de 1934 em uma família de banqueiros em Santander, teve seis filhos com a basca Paloma 0'Shea Artiñano: Ana Patricia, Carolina, Paloma, Carmen, Emilio e Francisco Javier.

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