Energia dos jogadores vai iluminar campo de futebol

Projeto no Morro da Mineira testa geração de energia cinética a partir de placas instaladas sob o gramado

Por O Dia

Com duzentas placas instaladas sob o gramado sintético, um campo de futebol na comunidade do Morro da Mineira, região central do Rio, é o primeiro teste, no país, de uma nova tecnologia em desenvolvimento pela britânica Pavegen, start-up apoiada pela petroleira Shell. As placas são usadas para capturar a energia cinética gerada pela movimentação dos jogadores. Operando em conjunto com painéis fotovoltaicos, o sistema será usado para iluminar o equipamento esportivo durante a noite. A tecnologia foi usada pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Londres e hoje já fornece iluminação a aeroportos, estações de trem e escritórios europeus.

“Estava caminhando por uma estação de trem lotada cinco anos atrás e pensei se seria possível acumular a energia dos passos de todas aquelas pessoas”, contou Laurence Kemball-Cook, engenheiro responsável pelo projeto e presidente da Pavegen. “Estava terminando meus estudos em design e queria fazer algo que mudasse a relação que as pessoas têm com energia”, acrescentou. O projeto venceu uma concorrência para apoio do programa Shell LiveWIRE, de fomento a novos empreendedores. Em 2011, Kemball-Cook recebe um prêmio de empreendedor do ano concedido pela petroleira.

Atualmente, são quase 5 mil placas instaladas, em escritórios, escolas e locais de grande circulação, como o Aeroporto de Heathrow, na Inglaterra, e a estação ferroviária Saint Omer, na França. O fundador da Pavegen evitou falar sobre custos de implantação, limitando-se a dizer que, no início, as placas custavam 20 vezes mais do que o valor atual de fabricação. “Acredito que, em dois anos, teremos preços similares aos de revestimentos de painéis solares”, ressaltou. Kemball-Cook diz que os sistemas já em operação são usados para suprir parte das necessidades de iluminação.

No campo do Morro da Mineira, que foi inaugurado com a presença de Pelé, as 200 placas atuam em conjunto com um arranjo de painéis fotovoltaicas com potência total de 2 quilowatts (kW), para abastecer seis refletores de LED no entorno do campo. O presidente da Shell Brasil, André Araújo, disse que ainda não há planos de instalar a tecnologia em outras localidades. “Nosso objetivo é incentivar jovens ao redor do mundo a iniciar a carreira científica”, afirmou. “A demanda mundial por energia vai ser 75% maior em 2050 e precisamos discutir quais serão as fontes de abastecimento, qual o mix de energia necessário para suportar esse crescimento.”

Kemball-Cook ressalta que, no momento, a tecnologia vem sendo usada apenas em locais menores, mas vislumbra um futuro em que as placas possam ser instaladas sob rodovias, para aproveitar a energia da movimentação dos carros. “Ou até nos sapatos, para que possamos recarregar os celulares”, brincou o executivo.

Shell inicia terceira fase no Parque das Conchas

Sócia da Petrobras na área de Libra, primeira concessão do pré-sal licitado sob o modelo de partilha da produção no Brasil, a Shell dobrou sua produção de petróleo no país no primeiro semestre, para 70 mil barris por dia. A companhia iniciou a terceira fase de seu maior complexo produtor, a província batizada de Parque das Conchas, na Bacia de Campos, com a perfuração de novos poços para manter os níveis de produção das jazidas.

A empresa ainda está focada em negociações com a Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) sobre detalhes da unificação da descoberta Gato do Mato, na Bacia de Santos, cujo reservatório ultrapassa os limites de sua concessão. “As conversas com a PPSA estão sendo boas e é do interesse de todos concluirmos o processo o mais rapidamente possível”, disse Araújo. Representando a União, a PPSA se tornará sócia da Shell no projeto, recebendo parte da produção da jazida que está fora da concessão. É o primeiro processo de unificação do pré-sal em curso com companhia privada de petróleo no país.

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