Por marta.valim

O Grupo Boticário concluiu ontem com a inauguração de sua segunda fábrica, em Camaçari (BA), a última etapa do plano de investimentos iniciado em 2011,no valor de R$ 650 milhões — sendo R$ 562 milhões vindos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — , com foco na expansão e futuro aumento de produção. A unidade em Camaçari recebeu R$ 380 milhões deste total. O restante foi distribuído na abertura de um centro de distribuição, também na Bahia, e ainda a construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento em São José dos Pinhais (PR), além de uma unidade de produção de maquiagem, também no Paraná.

Com duas fábricas em funcionamento, o grupo aumenta sua capacidade instalada dos atuais 315 milhões de itens por ano para até 465 milhões. E reduz de 35% para 15% sua dependência de fornecedores externos, que atuam em diversas linhas de produtos. O grupo pretende dessa forma balancear a produção entre as duas fábricas, mantendo o ritmo atual de São José dos Pinhais.

A abertura de uma nova unidade de produção, além de projetar uma continuidade de crescimento de dois dígitos no faturamento do grupo — que prevê crescimento de 16% na receita deste ano — , vai ajudar também a atender mais rapidamente o mercado do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Norte e Nordeste são os maiores consumidores de perfumaria no país, justamente o carro-chefe da nova fábrica, que será responsável por produzir 12 linhas de perfumes e outras nove de cuidados pessoais. A configuração da produção, com maior volume sendo desenvolvido “dentro de casa” como destacou o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, visa ampliar os ganhos de eficiência e produtividade, além de mais agilidade na distribuição de produtos para a rede de 3.831 lojas hoje em funcionamento com todas as marcas do grupo.

A fábrica em Camaçari já tem condições de produzir de 14 milhões a 15 milhões de itens por ano nesse momento e já fará parte do abastecimento de produtos para as lojas no período de festas de final de ano. Em 2015, estará produzindo 50% de sua capacidade, ou seja, 75 milhões de itens por ano. Grynbaum não descarta buscar o BNDES novamente para um novo ciclo de investimentos, que deverá acontecer apenas a partir de 2016 ou 2017. Sem dar mais detalhes, ele mencionou que esse novo ciclo poderá incluir novos formatos de lojas para chegar a mais cidades onde o grupo ainda não está presente. Grynbaum adiantou que a empresa olha os potenciais mercados para abertura de lojas a partir do poder econômico da população e que, nesse momento, é hora de observar mais, o que levou a rede a repensar sua estratégia de abertura de lojas.

Depois de um boom de inaugurações de unidades com uma média de 250 novas lojas por ano de 2009 a 2012, outras 170 em 2013 e 150 em 2014, além da criação de novas marcas — quem disse, berenice; Eudora e The Beauty Box—, o ritmo deverá ser menor a partir de 2015, com uma média de 100 filiais ao ano.

“É um movimento natural essa redução, mas que ainda permanece alto em relação a outras redes de franquias. É hora de olhar mais mercados. A presença no Nordeste, onde a rede tem 912 lojas O Boticário até o momento, ajudará nessa busca. Além disso, quando pensamos em toda essa infraestrutura que estamos desenvolvendo para o grupo, pensamos em novos formatos a partir de 2016”, diz ele.

Para o ano que vem, ele acredita que o grupo continuará em uma trajetória de crescimento em dois dígitos, porém abaixo dos 16% estimados para esse ano.
“No início de 2014, nossas projeções eram mais otimistas, com alta em 18%. Reduzimos para 16% porque mesmo diante de um cenário econômico adverso e de estagnação, o setor de cosméticos segue em crescimento.

Em geral, a população em tempos de inflação mais alta e crédito mais escasso, tende a evitar a compra de bens de consumo de alto valor agregado. Mas o item de bem estar acaba sendo uma escolha. É um mercado resiliente, que tem boa resposta quando cenário econômico vai bem e também quando não vai”, diz ele, destacando que 2015 será “um ano mais duro”. “Vamos ter um ano mais difícil. Mas não olhamos apenas 2015 e, sim, os anos seguintes. E é por isso que estamos criando uma infraestrutura pensando no futuro. Empresário no Brasil é um ser otimista”, admite Grynbaum.

A nova fábrica de Camaçari tem espaço para uma nova expansão, que deverá acontecer somente a partir de 2017, afirma Giuseppe Musella, diretor executivo de Operações do Grupo Boticário. 

Unidade é imã para a cadeia

Uma das metas do grupo é atrair fornecedores parceiros para a região, o que reduz também custos de frete de alguns produtos. Um deles, a Vitro, fabricante mexicano de vidros para embalagens no setor de cosméticos, assinou na segunda-feira um acordo com o governo da Bahia para se instalar também em Camaçari. Também está nos planos que os fornecedores de fragrâncias, que hoje se dividem no eixo Rio-São Paulo, se interessem por criar unidades na região. Estes fornecedores criam o “cheiro” de cada um dos perfumes, que são enviados em galões para que as fábricas realizem as misturas e o envase. A matéria- prima utilizada por estas casas de fragrâncias vem do exterior, como óleos essenciais e químicos de base.

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