A partir de outubro, o GRU Airport – Aeroporto Internacional de São Paulo, entra em sua segunda fase de obras de infraestrutura, com a modernização dos Terminais 1 e 2, que deverão ficar prontos até o segundo semestre de 2016. A meta é transportar 60 milhões de passageiros por ano até 2022. Hoje, são cerca de 40 milhões, volume que aumentará com as mudanças que acontecerão nos dois terminais. A última obra entregue pelo GRU Airport foi a construção do terminal 3, em maio deste ano.
Áreas como check-in, restituição de bagagem e saguões de embarque e desembarque estão entre as prioridades nos dois terminais. O Terminal 1 será usado exclusivamente em voos internacionais e o Terminal 2 para a voos domésticos e internacionais de curta distância. Com a grande movimentação de passageiros e funcionários circulando pelo aeroporto, a concessionária também vai investir na ampliação de sua área de varejo. Um espaço semelhante a um shopping está no projeto e vai se chamar Avenida GRU. Ficará na área restrita e terá apenas lojas, restaurantes e bares, com vista para o pátio de aeronaves. No mezanino da área pública também será construída uma praça de alimentação.
“A percepção dos passageiros em relação ao aeroporto melhorou muito com o Terminal 3. Os novos investimentos deverão trazer ainda mais eficiência operacional e qualidade”, diz o presidente do GRU Airport, Antonio Miguel Marques.
Jorge Leal, professor Doutor da Politécnica USP e presidente da Associação Brasileira de Fornecedores de Serviços, Equipamentos e Tecnologia para Aeroportos(Abraset), afirma que, com exceção do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), os demais empreendimentos sob concessão estão cumprindo o cronograma de obras de infraestrutura e serviços.
“Isso mostra que o capital privado é muito melhor para este tipo de empreendimento do que o estatal. O modelo encontrado para as concessões está muito bom e deve ser ampliado. Agora, é esperar que as eleições passem para que novos aeroportos entrem na lista de concessões”, diz ele.
Enquanto Guarulhos decola, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos amarga a ameaça de multa de R$ 170 milhões que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá aplicar pelo atraso nas obras da primeira fase do empreendimento. A concessionária informou que apresentou no dia 18 de agosto sua defesa junto à Anac, reivindicando que a multa seja proporcional e não integral. De acordo com a concessionária, 92% das obras previstas foram entregues em maio deste ano.
A transferência das operações para o novo aeroporto de Viracopos será iniciada em outubro. As obras estão em fase de acabamento e vão receber também os voos internacionais, que começarão a ser operados pelas companhias aéreas Azul — que tem neste aeroporto o seu hub —, Copa Airlines e American Airlines, a partir de dezembro. O aeroporto terá capacidade para transportar 22 milhões de passageiros por ano, terá 56 novas lojas e um hotel da bandeira TRYP by Wyndham,que ficará pronto em 2017, com investimentos de R$ 118 milhões. Na segunda fase das obras, que começa no final de 2015, uma dos projetos é a construção de uma segunda pista.
Até o momento, segundo a Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos (Aneaa), o GRU Airport investiu R$ 2,9 bilhões dos R$ 6,3 bilhões previstos no prazo da concessão, que é de 20 anos. Já Viracopos desembolsou R$ 2,06 bilhões dos R$ 9,5 bilhões que serão investidos nos 30 anos de vigência do consórcio. A Inframérica, que administra o aeroporto de Brasília, gastou R$ 900 milhões dos R$ 2,85 bilhões que terá que investir em 25 anos de concessão. O consórcio Rio Galeão - Tom Jobim, terá, em 25 anos de administração, investimentos de R$ 5,7 bilhões, e Confins BH Airport investirá R$ 3,5 bilhões em 30 anos.
Leal destaca que aeroportos de menor porte também são interessantes para a iniciativa privada e devem ser avaliados em futuras concessões. Ele destaca o estado da Bahia, onde seis pequenos aeroportos funcionam sob administração de empresas privadas. Caso de Porto Seguro, que transporta 1,8 milhão de passageiros por ano.