Por marta.valim

Atividade comum nos Estados Unidos desde os anos 50, onde movimenta US$ 24 bilhões por ano, o mercado de self storage — aluguel de boxes para armazenagem de produtos por pessoas físicas e jurídicas —, ainda dá os primeiros passos no Brasil, com potencial de crescimento principalmente em cidades acima de 160 mil habitantes e nas capitais. Aqui, o foco são as pequenas e médias empresas e profissionais liberais que precisam de espaços para armazenar estoques menores e não necessitam de um galpão logístico para isso. Segundo a Associação Brasileira de Self Storage (Abrass), criada com o objetivo de ajudar a ampliar esse mercado no país, existem hoje 146 endereços de empresas em funcionamento, que, juntas, vão faturar em torno de R$ 140 milhões até o final do ano. Destas, 14 companhias que concentram 30 unidades são associadas à Abrass.

“A diferença entre a nossa atividade no Brasil e a do mercado americano é percebida pelos números. São 52 mil unidades lá e apenas 146 aqui. No Brasil, o aluguel de um box ainda não é para todos, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos. Lá, o custo cai pela metade do nosso. O metro quadrado de um box para locação no Brasil, hoje, está em torno de R$ 70”, diz Flavio Del Soldato, presidente da Abrass.

Ele afirma que, em dez anos, a meta brasileira é ter o equivalente a 2,6 milhões de metros quadrados destinados a esse mercado. Hoje, são 260 mil metros quadrados. O atendimento aos empreendedores de menor porte, segundo ele, visa aumentar a demanda. Soldato acredita que o principal desafio hoje é a carência de uma regulamentação, o que acaba inibindo o desenvolvimento do mercado.

“É preciso haver um melhor entendimento do que é o self storage, que não é um galpão logístico e nem uma empresa de carga e descarga. Nosso país tem mais de 90% das empresas enquadradas entre micro, pequenas e médias e que precisam deste tipo de atendimento. Há muito caminho para crescer”, afirma.

Uma das companhias recém-criadas no Brasil, a Metro Max, teve investimentos de R$ 2 milhões, sem contar o imóvel, localizado na região portuária do Rio. Em sua primeira fase, oferece 350 boxes,com previsão de fechar o primeiro semestre de 2015 com 560 boxes. Hoje, diz Raul Trejos, um dos sócios da empresa, 60% dos clientes são empresas de pequeno e médio porte e 40%, pessoas físicas, que guardam objetos pessoais, que vão de móveis a equipamentos. O aluguel mensal de um espaço entre 6 metros quadrados e 6,5 metros quadrados, sai por R$ 520 mensais, fora o seguro de R$ 32.

"Vimos no self storage uma oportunidade de negócio, diante da nova configuração de empreendimentos comerciais, com poucas áreas para estoque e os residenciais, cada vez menores. A localização é muito importante neste tipo de negócio e por isso escolhemos um lugar de fácil acesso para os clientes. Nosso segundo movimento será na direção da zona Oeste do Rio, para atender aos bairros de Barra, Jacarepaguá e Campo Grande, entre outros” , detalha Trejos, que tem como meta de faturamento para este ano R$ 3,5 milhões e planos de chegar a 15 unidades em cinco anos. Tudo isso com a ajuda de aportes de um investidor europeu, minoritário, segundo ele, cujo nome é mantido em sigilo por questões contratuais.

Sistemas de segurança que garantam a integridade do que é armazenado é visto como fundamental por ele e seus concorrentes. E podem, em muitos casos, ser um aliado no caso de inadimplência. Trejos explica que, se um cliente não paga a mensalidade, sua senha de acesso ao box é bloqueada. É a forma de conter o não pagamento. No mercado americano, o mecanismo é diferente, diz ele.

“Lá, após dez dias sem pagamento, o usuário do box é avisado duas vezes do atraso. Se não paga, um comunicado em um site de leilões é publicado e é feito um leilão cego, onde o box fechado é ofertado. Quem arremata não sabe o que tem dentro e pode se arriscar a não encontrar nada ou abrir a porta e se deparar com uma fortuna em produtos, ou um Stradivarius guardado”, diz.

Allan Paiotti, CEO do Guarde Aqui, empresa com dez unidades espalhadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, pretende chegar a 50 endereços de self storage até 2017.
“O desafio é encontrar áreas de oito mil a dez mil metros quadrados em espaços urbanos que sejam bem localizados. Hoje, 50% dos nossos clientes são empresas que precisam fazer distribuição local”, diz.

Em fevereiro, a Guarde Aqui fechou uma parceria com a Morgan Stanley Alternative Investment Partners (AIP) para promover o crescimento de sua plataforma operacional no Brasil. O valor do aporte não foi divulgado.

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