Por douglas.nunes

Na trilha da febre dos aplicativos de táxi, os aplicativos de motofrete começaram a ser lançados no Brasil há um ano. Pioneiro nessa vertente, o VaiMoto está seguindo agora o mesmo percurso adotado por serviços como o Easy Taxi e o 99 Taxis: a estruturação de uma oferta para o mercado corporativo.
“Conforme crescemos a nossa base, entendemos que o mercado era muito mais amplo”, diz Daniel Muniz da Silva, executivo-chefe e fundador do VaiMoto. “Nosso objetivo é ser o maior marketplace de logística urbana expressa no país e para atingir esse patamar, estamos evoluindo a nossa oferta”, afirma.

O VaiMoto reúne mais de 3 mil motoboys. Para se cadastrar, o profissional passa por uma fase de checagem de dados e de documentos. Concluída essa etapa, ele pode participar das cotações realizadas pelos clientes do serviço. Caso seja escolhido, o cliente consegue rastrear todo o percurso. No modelo tradicional do VaiMoto, o contratante remunera diretamente o motoboy, que paga ao aplicativo uma taxa de R$ 1,99 por corrida. Já os clientes não pagam nenhuma taxa adicional para o aplicativo.

Ao lado das pessoas físicas, as micro e pequenas empresas já estavam no radar do VaiMoto. Porém, o papel do aplicativo estava restrito à intermediação, por meio de sua plataforma. Com a nova abordagem, a oferta passa a incluir ferramentas como relatórios de gestão e a possibilidade de criar múltiplas contas dentro de um mesmo CNPJ e de dividir as despesas em centros de custo. O modelo estabelece um pagamento mensal, gerenciado pela VaiMoto, que repassa o valor devido a cada motoboy, com o desconto de R$ 1,99 por cada corrida. Sob a ótica dos clientes, o serviço inclui uma taxa de 20% sobre o valor total das corridas no mês.“A taxa de conversão tem sido alta. Em setembro, o número de corridas de clientes mensalistas cresceu 340% em relação a agosto. Além do crescimento dos clientes nesse modelo, quem já usava o serviço, aumentou a frequência”, diz Silva.

Esse é o caso da Quality Software, empresa de tecnologia listada no Bovespa Mais. A companhia tinha uma média de três corridas diárias com o VaiMoto. Hoje, o volume mensal supera duzentas corridas. A Quality Software definiu o serviço como seu único fornecedor. Até então, a empresa trabalhava com quatro serviços tradicionais de motofrete. “Optamos por concentrar o serviço pelo acesso a recursos como relatórios e o rastreamento do serviço, que facilitam a gestão”, diz Bernardo Carvalho, gerente da Quality Software.
A empresa reduziu em 30% os custos com serviços de motoboy. Carvalho ressalta a disponibilidade como outro benefício. “Antes, nem sempre éramos atendidos no prazo que gostaríamos. E qualquer atraso na coleta de uma assinatura para faturar um contrato afeta diretamente o nosso caixa”, afirma.

A Sustentech – consultoria de sustentabilidade – foi outra empresa a adotar o VaiMoto como seu único fornecedor. “Não tínhamos controle e precisávamos adequar nossa demanda à disponibilidade do antigo prestador do serviço”, diz Lidyane Barros, coordenadora administrativa e financeira da Sustentech.

Com o lançamento do modelo corporativo, segmentos como agências de publicidade, escritórios de advocacia, seguradoras e empresas de trade são a prioridade inicial do VaiMoto. “As agências, por exemplo, têm uma demanda de rapidez na aprovação de peças pelos clientes”, afirma. Outro setor é o e-commerce, para o qual, o VaiMoto desenvolveu uma oferta específica. “Esse setor exige uma logística diferenciada. Muitas vezes, os centros de distribuição não estão no perímetro urbano. A velocidade, o tipo de carga e o cálculo do serviço são únicos”, explica.

O VaiMoto também vai investir em ações de divulgação em redes sociais como o LinkedIn e o Facebook, além de publicações especializadas em logística. Ao mesmo tempo, a companhia acaba de ampliar o modelo, com a inclusão de serviços prestados por ciclistas.
Após um aporte inicial de R$ 2 milhões da BRMotorsport, o VaiMoto está em fase de preparação para uma nova rodada de investimentos. “A ideia é buscar parceiros com perfil empreendedor, que possam compartilhar experiências e inserir profissionais qualificados na nossa operação”, observa. “Temos dinheiro em caixa, mas é o momento nos prepararmos para um próximo estágio, muito mais ambicioso”. Outro esforço será expandir — em médio prazo — o serviço hoje disponível na Grande São Paulo para cidades como Campinas, Curitiba e Rio de Janeiro. 

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