Trend Micro busca nova fronteira e o Brasil é um dos destinos dessa trilha

Mais conhecida por sua forte atuação no setor corporativo, a companhia japonesa de segurança está investindo em acordos diferenciados

Por O Dia

Mudanças de rota fazem parte do DNA da Trend Micro. A companhia de de segurança foi criada em 1988, em Los Angeles, pelo taiwanês Steve Chang, que decidiu tentar a sorte no mercado americano. Em 1996, mudou sua sede para Tóquio, com a compra de 35% de suas ações pelo grupo japonês Softbank e a abertura de capital na Bolsa de Tóquio. Agora, a Trend Micro prepara uma nova jornada. Mais conhecida por sua atuação no setor empresarial, a companhia quer fortalecer sua presença também no mercado consumidor. E o Brasil é um dos destinos dessa trilha. Curiosamente, a força entre as empresas é um dos motores para alcançar esse objetivo.

“Hoje, da mesma forma que o mercado assiste ao fenômeno dos dispositivos de consumo nas empresas, o contrário também começa a acontecer. Cada vez mais, as casas se parecem com uma pequena companhia, com uma série de aparelhos conectados”, diz Miguel Macedo, diretor de canais da Trend Micro para a América Latina. “Nossa ideia é oferecer aos consumidores um conceito de segurança empresarial, mas que seja simples de implementar e usar”.

O conceito começou a ser desenhado há dois anos. Os primeiros lançamentos chegaram ao mercado em setembro. O pacote permite criar, por exemplo, políticas para monitorar, a navegação dos filhos na web. Da mesma forma, é possível criar mapas virtuais com os limites do percurso do adolescente até a escola. Caso aconteça qualquer distorção nas regras predefinidas, os pais recebem um alerta via smartphone ou tablet. A estratégia inclui ainda tecnologias para a proteção dos conteúdos que trafegam entre tablets, smartphones, PCs, smart TVs e outros dispositivos.

Com exceção do Japão — onde detém uma participação de cerca de 50% —, as ações da Trend Micro no mercado consumidor sempre foram pontuais. Um acordo exclusivo com a Intel nos Estados Unidos e na Europa nos primeiros anos de operação, explica esse cenário. As soluções da empresa eram embarcadas nas tecnologias da Intel e, por consequência, a companhia perdeu a oportunidade de consolidar sua marca perante os usuários finais. “Quando o acordo foi encerrado, já tínhamos perdido terreno e esbarrávamos nessa falta de conhecimento. Colocar o produto no varejo exigia muito investimento e não era viável”, explica. As parcerias com provedores de internet — um modelo comum nesse mercado — também era um caminho árduo. “Esses acordos são exclusivos e têm duração longa. Não tínhamos como quebrar as parcerias já estabelecidas pelos rivais”, diz.

Para Macedo, mudanças recentes no mercado e no comportamento do consumidor, especialmente na oferta e na compra de produtos digitais, criaram um contexto mais propício à nova guinada. E , para ganhar tração, o investimento em parcerias diferenciadas são a principal arma da companhia.

Um dos exemplos são as parcerias dentro da própria base de 6,3 mil clientes corporativos, em especial, as grandes empresas, principal foco da Trend Micro. A ideia é aproveitar o relacionamento com essas companhias para criar lojas virtuais corporativas para cada um desses parceiros, como um benefício dessas organizações para os seus colaboradores. “Vamos oferecer descontos agressivos, de 50% a 75%. É uma abordagem positiva também para as empresas, pois para elas, é cada vez mais interessante que seus funcionários estejam protegidos em qualquer ambiente”, diz. Uma das primeiras empresas a fechar esse modelo de parceria no Brasil foi a Odebrecht.

Com o crescimento de fraudes nos seguros de dispositivos móveis, os acordos com as seguradoras são mais um modelo. A Trend Micro já negocia embarcar suas soluções na oferta aos segurados. Além de ampliar a proteção para os clientes, recursos como a localização dos aparelhos são um dos ganchos para ajudar as seguradoras a coibir as fraudes.

Outro esforço é a oferta de aplicações nas lojas de aplicativos da Apple e do Google. Nessa ponta, a estratégia é oferecer algumas ferramentas gratuitas, como forma de divulgar a marca entre os consumidores e estimular a aquisição de soluções mais avançadas.

A associação com novos modelos de serviços digitais é mais uma aposta para divulgar a marca e buscar receitas. Um dos exemplos que já estão sendo costurados são os acordos com aplicativos de táxi, para a oferta de soluções com descontos para os usuários mais frequentes. As receitas obtidas serão divididas entre os parceiros.

Hoje, o mercado consumidor tem uma participação de apenas 1,5% na receita local da Trend Micro. A meta é atingir uma fatia de 25% em cinco anos. Principal mercado da América Latina, o Brasil será o piloto dessa estratégia na região. “Como estamos começando praticamente do zero e não temos nada a perder, vamos tentar modelos mais disruptivos para aprender a como trilhar esse caminho”, diz Macedo.

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