Valor de teles brasileiras triplicou em 11 anos

Quatro maiores operadoras cotadas em bolsa valem, somadas, R$ 125,4 bilhões, contra um total de R$ 37 bilhões em 2004

Por O Dia

Impulsionado por mudanças quantitativas e qualitativas no consumo, o valor de mercado das quatro maiores teles brasileiras cotadas em bolsa mais que triplicou nos últimos 11 anos. De acordo com dados compilados pela consultoria Economatica, o valor combinado de Telefônica Vivo, Oi, TIM e Embratel era de R$ 125,4 bilhões no último dia 25 de setembro, contra um total de R$ 37 bilhões em 2004. No período, a operadora de capital aberto que mais se valorizou foi a TIM, que saltou de um patamar de R$ 2,76 bilhões para R$ 32,45 bilhões — uma expansão de quase doze vezes.

Entre as quatro companhias, a que menos cresceu — segundo os dados da Economatica — foi a Oi. Apesar do aumento de capital realizado neste ano para viabilizar a fusão com a Portugal Telecom, a operadora brasileira valia no fim de setembro R$ 14,55 bilhões, 91,7% a mais do que em 2004. De 2004 para cá, a Telefônica viu seu valor de mercado aumentar 118%, alavancado — também — pela incorporação da Vivo em 2011. Já a Embratel registrou crescimento de mais de 1.000% no período. “A Embratel incorporou a Net”, lembra Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. “Hoje, é praticamente uma empresa de capital fechado, com quase todas as ações em poder da América Móvil”, lembra, referindo-se ao grupo do bilionário mexicano Carlos Slim. A restrição de liquidez no caso dos papéis da Embratel torna difícil a comparação com as outras três operadoras.

Independentemente das fusões e aquisições ocorridas no período, analistas concordam que as estratégias de investimento adotadas pelas teles foram determinantes no patamar atual de valorização. “A Oi ficou para trás. O foco da empresa em investimentos ficou aquém da concorrência”, afirma Felipe Silveira, analista da corretora Coinvalores. A operadora vem mantendo uma estratégia focada na venda de pacotes triple-play (telefone fixo, móvel e internet) e quadri-play (que incluem a TV paga). “O reposicionamento da companhia tem essencialmente a ver com a capacidade de poder alavancar a presença que a Oi tem em mais de 4.800 municípios com a rede fixa, para poder oferecer não só voz, mas também cada vez mais dados; e principalmente TV, que é a âncora da estratégia da companhia”, esclareceu a empresa, via e-mail.

Ontem, a Oi anunciou que atingiu em setembro a marca de um milhão de clientes no serviço de TV paga, escala considerada essencial no mercado para que uma operação deste tipo seja rentável. Só no mês passado foram feitas 100 mil instalações da Oi TV. “A televisão é a alavanca que permite diferenciar a proposta de valor da companhia e é considerada a âncora da estratégia de multiproduto”, acrescentou a empresa em seu posicionamento. “A companhia vem investindo fortemente no reposicionamento do seu serviço de TV por assinatura com a melhoria da qualidade, a agilidade na instalação e a adequação do atendimento.”

Apesar da expansão acelerada no segmento de TV paga, a Oi perdeu market share nos últimos anos em telefonia móvel, fixa e banda larga. Em 2004, a fatia da empresa no mercado fixo brasileiro era de 62,4%, conforme indicam dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ao fim do primeiro semestre deste ano, esse percentual havia encolhido para 37,2%. No mesmo período, a Telefônica Vivo perdeu 7,2 pontos percentuais de participação. As maiores beneficiárias do decréscimo na participação das duas companhias foram Embratel e GVT, esta última adquirida recentemente pela Telefônica.

Felipe Silveira e Daniel Liberato — ambos da Coinvalores — destacam não só uma mudança quantitativa na operação de varejo das operadoras no país. Paralelamente à adição de milhões de clientes nos últimos anos, houve também um incremento na qualidade dos investimentos, sustentam eles. “Houve melhoria de qualidade nas cidades onde as teles já tinham cobertura. Ao mesmo tempo, ocorreu uma interiorização dos serviços”, sustenta Silveira. A transformação no mercado brasileiro também passa por uma mudança no perfil do consumidor. “De 2008 para cá vivemos um novo ciclo de consumo. Com o aumento da renda, o brasileiro passou a incluir na cesta de consumo, além dos produtos básicos, serviços”, diz Silveira.

A evolução das tecnologias e do poder de compra da população têm submetido às operadoras a um cronograma pesado de investimentos, ressalta o ex-presidente da TIM Mario Cesar Pereira de Araujo, hoje à frente da consultoria MC Sistemas de Comunicação. “Antes de amortizar os investimentos que fez na sua rede, a empresa é convidada a desembolsar mais recursos em outras tecnologias”, avalia Araujo, citando como exemplo o mais recente leilão de 4G, que aconteceu nesta semana. No caso específico da TIM, que ao contrário de Oi, Embratel e Telefônica não investiu numa estratégia de pacotes de serviço, ele acredita que foram essenciais os investimentos em redes de fibra ótica — parte do esforço da operadora italiana para garantir a qualidade dos serviços de telefonia móvel, principalmente em relação à transmissão de dados. “A Intelig foi adquirida (pela TIM) muito mais pelo valor da fibra do que pela sua carteira de clientes”, conta. “De qualquer forma, hoje uma operadora não pode ficar sem um combo para oferecer ao cliente.”

Como parte de sua estratégia de crescimento, a Telefônica Vivo aposta fortemente no mercado de dados móveis. “A empresa avalia que conseguirá capturar importantes receitas resultantes do crescimento do mercado de dados. Segundo dados da consultoria International Data Corporation (IDC), entre abril e junho deste ano, foram vendidos mais de cem smartphones por minuto”, diz Luis Plaster, diretor de Relações com Investidores da companhia. “A venda dos aparelhos cresceu 22% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2013. Os resultados obtidos pela Telefônica Vivo demonstram que estamos preparados para esse cenário.”

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