Por bruno.dutra

Rio - Apesar de terem vendido R$ 6,6 bilhões em aparelhos no ano passado, as operadoras brasileiras estão mais cautelosas com relação aos subsídios de telefones móveis. Ainda assim, o gasto total de TIM, Oi e Telefônica Vivo com a compra de aparelhos saltou de R$ 2,98 bilhões, em 2010, para R$ 5,98 bilhões, em 2013, de acordo com dados dos relatórios financeiros trimestrais das três companhias. Nos primeiros seis meses deste ano, as três operadoras desembolsaram R$ 2,32 bilhões, num sinal claro de que a estratégia de popularizar os smartphones no país — e com isto promover o consumo de dados — continua firmemente ancorada na venda de celulares pelas teles.

“Mais ou menos 50% dos aparelhos vendidos no Brasil são comercializados pelo canal das operadoras”, diz Renato Pasquini, líder da área de telecomunicações da consultoria Frost & Sullivan no Brasil. “Mas as empresas têm reduzido o subsídio de aparelhos. O cliente pré-pago já não tem subsídio e, no caso do pós-pago, as operadoras estão sendo mais seletivas”.
Na avaliação de Pasquini, a dinâmica do mercado está mudando. “As operadoras estão sendo forçadas a praticar tarifas mais reduzidas. Com as tarifas baixando, a empresa precisaria cobrar mais no plano para subsidiar os aparelhos”, analisa.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) implementa uma política de barateamento do serviço de telefonia móvel que vem reduzindo as tarifas de interconexão — remuneração que uma operadora celular recebe pelo uso de sua rede. Estudo da consultoria IDC indica que de abril a junho deste ano foram vendidos no Brasil 17,9 milhões de celulares, sendo 13,3 milhões (75%) de smartphones. “Smartphone é item de primeira necessidade”, resume Bernardo Weiss, diretor de Equipamentos da Oi. “Só 20% dos celulares comprados hoje pela Oi são daqueles aparelhos ‘basicões’”.

Em 2010, o custo dos aparelhos para a Oi totalizou R$ 149 milhões, valor que subiu para R$ 515 milhões no ano passado e, entre janeiro e junho de 2014, já soma R$ 318,2 milhões. “Muitas vezes o smartphone é o único meio de acesso digital de boa parte da população. Então, vemos um investimento maior na compra de telefones, agora smartphones, do que víamos anos atrás”, analisa o executivo da Oi.

A tendência de migração do consumidor brasileiro cada vez mais na direção dos smartphones também aparece com destaque nos números da Claro, única das quatro maiores operadoras móveis brasileiras que não é cotada em bolsa. O portfólio da empresa inclui mais de 80 modelos de telefones inteligentes. No segundo trimestre deste ano, os smartphones responderam por 77,54% das vendas da Claro e houve um crescimento de 40,14% no comparativo com o mesmo período de 2013.

Dentro da estratégia de ampliar a penetração dos smartphones no país, uma das ferramentas mais usadas pelas teles é a venda parcelada dos dispositivos. “As operadoras estão atuando mais como facilitadoras. Compram um grande volume de aparelhos e, a partir daí, conseguem obter preços mais baixos”, explica o Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. Tude enxerga o mercado de telefonia móvel pouco focado nos subsídios. Mesmo assim, a procura dos consumidores por aparelhos mais sofisticados e o interesse das operadoras em alavancar seus serviços de dados móveis vêm contribuindo para a manutenção dessa prática. “Há outras variáveis relevantes no mercado, como cobertura, inovação, qualidade nos serviços e no atendimento, embora o subsídio também tenha importância”, ressalta Fabio Avellar, diretor de Planejamento e Estratégia comercial da Telefônica Vivo.

Em 2013, o chamado “custo das mercadorias vendidas” pela companhia (aparelhos, basicamente) somou R$ 2,11 bilhões, um aumento de 17,2% em relação a 2010. No primeiro semestre deste ano, o montante alcança pouco mais de R$ 1 bilhão. “Vivo e TIM tem reduzido os subsídios”, afirma Pasquini. De acordo com o relatório “Análise do mercado total brasileiro de serviços de telecomunicações”, da Frost & Sullivan, a TIM respondeu em 2013 por 48% da receita total de aparelhos das operadoras, estimada em R$ 6,6 bilhões.

Somente no ano passado, a companhia desembolsou R$ 3,35 bilhões, dentro da rubrica “custo dos produtos vendidos”. O valor é mais de três vezes superior ao gasto registrado em 2010. “A TIM é a operadora que mais vende aparelhos no país e, ao mesmo tempo, a que menos pratica subsídio, tendo o menor custo de aquisição de cliente”, diz o líder da área de telecomunicações da Frost & Sullivan no país. Embora o custo total dos celulares vendidos pela TIM tenha alcançado R$ 3,35 bilhões em 2013, a operadora controlada pela Telecom Italia obteve uma receita líquida de produtos (aparelhos, principalmente) de R$ 3,2 bilhões.

A relevância das teles como canal de vendas para telefones inteligentes é, naturalmente, um fator que atrai os fabricantes de dispositivos. A brasileira Positivo Informática — por exemplo — anunciou ontem parcerias com Oi e TIM que permitirão a venda de seus aparelhos pelos canais das duas operadoras, num esforço para ampliar a capilaridade da sua distribuição.

Para este ano, a IDC projeta vendas de 52 milhões de smartphones no Brasil, o que representaria um avanço de 44% em relação ao total de 36,1 milhões de unidades comercializadas em 2013. A expectativa é de que a categoria dos celulares menos sofisticados, sem sistema operacional, encolha no país para 5% do volume total do mercado brasileiro em 2018, segundo estimativa da consultoria.

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