Por parroyo

Os detentores de títulos de dívida externa da Oi SA, os chamados bonds, têm acompanhado de perto um enrosco corporativo com traços dramáticos nos últimos três meses.

Na semana passada, a companhia telefônica com a dívida mais elevada do Brasil anunciou a saída de seu CEO de forma inesperada. Três semanas antes, contratou um banco para trabalhar na aquisição da participação majoritária da Telecom Italia SpA em sua unidade brasileira, a TIM Participações SA, o que tenderia a ampliar os níveis de alavancagem da Oi, que já atingem nível recorde de alta. Em julho, a Oi disse que não havia sido informada a respeito de um investimento de US$ 1,2 bilhão de sua parceira em uma empresa que depois deu um calote.

“A saída do CEO em um momento difícil para a empresa não é uma boa notícia”, disse Robert Jaeger, analista de crédito do Société Générale em Londres, por e-mail. “A história de recuperação é mais difícil com a liderança agora em transição. Não será fácil”.

O montante de US$ 1,5 bilhão da empresa em notas com vencimento em 2022 perdeu 3,5 por cento desde que o CEO Zeinal Bava se demitiu, no dia 7 de outubro, criando um vazio de liderança em um momento em que os concorrentes estão adotando medidas para aumentar a participação de mercado na maior economia da América Latina. Essa é a maior queda entre os bonds de 22 empresas de serviços de telecomunicações em mercados emergentes, e faz com que o prejuízo acumulado pelas notas nos últimos três meses atinja 2,6 por cento.

Luisa Guedes, assessora de imprensa da Oi, preferiu não comentar a saída de Bava e o desempenho dos bonds da companhia.

‘Drama’ da Oi

Bava, 48, havia sido anteriormente CEO da Portugal Telecom SGPS SA e ingressou na Oi no ano passado para facilitar a fusão das duas empresas. O diretor financeiro Bayard Gontijo assumirá até que o conselho nomeie um sucessor, disse a Oi em um documento publicado no dia 7 de outubro.

“Este parece ser outro episódio do drama pelo qual a Oi tem passado nos últimos meses”, disse Karina Freitas, analista da Concórdia SA, em entrevista por telefone, de São Paulo. “Não está muito claro como as coisas vão evoluir. O novo CEO precisará lidar com uma dívida pesada, e é necessário mostrar ao mercado como isso será feito”.

Os quase US$ 20 bilhões em dívidas da Oi representam mais de quatro vezes seus lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, segundo Luísa Vilhena, analista da Standard Poor’s.

Reduções de rating

A Oi teve sua nota de crédito reduzida pela S&P e pela Fitch Ratings para BB+, um nível abaixo do grau de investimento, depois que a Rioforte Investments SA, uma subsidiária da Espírito Santo International, com sede em Lisboa, não pagou 897 milhões de euros em notas devidas à Portugal Telecom em julho.

Em entrevista para o jornal Valor Econômico, publicada no dia 10 de outubro, o CEO interino Gontijo disse que reduzir os níveis de dívida é uma prioridade e que a empresa pretende ser um grande player na consolidação do mercado de telecomunicação do Brasil.

Três dias antes, em um documento, a Oi reiterou que está buscando melhorar a flexibilidade financeira vendendo ativos não estratégicos e participações em empresas como a Africatel Holdings BV.

A Oi e a Portugal Telecom fecharam um acordo de fusão um ano atrás para criar uma operadora com 100 milhões de clientes e cujo objetivo era competir com a Telefónica SA e a América Móvil SAB, de Carlos Slim. Contudo, com uma participação de mercado de 18,5 por cento em julho, a Oi era a menor operadora de telefonia celular do Brasil, segundo dados da agência reguladora do setor de telecomunicações.

No dia 12 de setembro, a Oi disse que contratou o Banco BTG Pactual SA para trabalhar na aquisição da participação da Telecom Italia na TIM Participações SA, o que levou a uma queda nos bonds da companhia. A assessoria de imprensa da Oi preferiu não comentar os planos. “O mercado está claramente muito desconfortável com essas constantes mudanças,” disse Freitas, da Concórdia.

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