Acordo com credores dá novo fôlego a Eneva

Geradora criada por Eike Batista e controlada pela alemã E.ON consegue suspender pagamento de dívidas, à espera de capitalização e início de operações de térmica

Por O Dia

Com dificuldades financeiras, a geradora de energia Eneva (ex-MPX) anunciou um acordo com seus credores para suspensão, até o dia 21 de novembro, do pagamento de dívidas. A medida tem como objetivo preservar o caixa da companhia, insuficiente para honrar os compromissos e manter suas operações, até que novos projetos entrem em operação. Criada por Eike Batista como braço energético de seu grupo econômico, a Eneva é hoje controlada pela alemã E.ON, que também passa por um processo global de reestruturação financeira.

Entre os credores que aceitaram o acordo, estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BTG Pactual, Citibank, HSBC e Itaú Unibanco. Segundo fontes, as instituições apostam em uma melhora na estrutura financeira da companhia após a entrada em operação da térmica Parnaíba II, no Maranhão, prevista para o final do ano. Caso contrário, a empresa pode apelar à recuperação judicial, assim como a petroleira OGX, a empresa de construção naval OSX e a mineradora MMX.

A Eneva fechou o primeiro semestre com o R$ 87,7 milhões em caixa e dívidas de R$ 5 bilhões — dos quais, R$ 3,14 bilhões com vencimento no curto prazo. “O acordo em questão objetiva a preservação de caixa da Eneva e suas controladas, bem como possibilita dar sequência ao plano de estabilização da companhia, tendo como base o reperfilamento das dívidas financeiras e a adequação da estrutura de capital”, informou a empresa, em comunicado aos acionistas. A empresa finaliza ainda um processo de capitalização aprovado em maio, que prevê um aporte adicional de até R$ 1,2 bilhão pelos sócios — além dos R$ 365 milhões já aplicados pelos sócios.

Em julho, a companhia vendeu 50% da termelétrica Pecém II, no Ceará, para a DD Brazil Holdings, em mais uma etapa do processo de reestruturação financeira e operacional. Em setembro, anunciou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para evitar punições por atrasos no início das operações de Maranhão III, que lhe obrigariam a comprar energia no mercado de curto prazo para atender os contratos. Vencedora do leilão A-3 de 2011, a usina deveria começar a gerar este ano.

Baseada em um modelo integrado de negócios — a geração de energia tendo como combustível o gás natural produzido por outra empresa criada por Eike — a Eneva era considerada uma das empresas saudáveis do grupo econômico de Eike Batista, mas acabou contaminada pela crise de confiança que se abateu sobre os negócios do empresário. As ações da empresa, que valiam R$ 4,70 há um ano, fecharam o pregão de ontem a R$ 0,62, queda de 8,82% com relação ao valor de fechamento de sexta-feira.
A empresa está atualmente com apenas dois diretores e duas cadeiras vagas em seu conselho de administração. O conselheiro representante do BNDES, Ricardo Luiz Souza Ramos, deixou a vaga na semana passada — segundo fontes, alegando conflito de interesses. Ronnie Vaz Moreira já havia renunciado no início do mês. A companhia informou, em comunicado aos acionistas, que está trabalhando para recompor o conselho, que é presidido por representante do controlador alemão. No Maranhão, a empresa opera um complexo com capacidade projetada de 98 megawatts (MW).

Controlador também passa por reestruturação

No exterior, o grupo E.ON também passa por um processo de reestruturação financeira, com o objetivo de “trazer os negócios de volta a um caminho sustentável”, com foco em redução de custos e de investimentos em geração convencional e com o fechamento de até 15 gigawatts (GW) em capacidade até 2015. A meta é reduzir os custos em € 1,3 bilhão até o ano que vem, focando em segmentos prioritários, como energias renováveis.

Na apresentação, a empresa destaca que suas operações brasileiras passam por um “plano de refinanciamento para estabilizar a estrutura financeira”. A E.ON é dona de 43% das ações da Eneva, que tem hoje capacidade instalada de 1,7 GW. A térmica Parnaíba II, que deve entrar em operação até o fim do ano, tem potência de 517 megawatts (MW).

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