Por bruno.dutra

Rio - As marcas que atuam no Brasil ainda não estão atentas às mudanças nos hábitos de consumo provocadas pela nova classe média, que tem a mulher no poder, com uma maior referência à família e novos valores que não se aproximam do que a classe A pensa, defendeu o CCO (diretor de Criação, da sigla em inglês) e COO (diretor de Operações, da sigla em inglês) da agência Publicis Brasil, Hugo Rodrigues, em sua participação no Brasilshop, congresso de varejo realizado ontem pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping, no Rio.

“O discurso é um e a prática ainda é outra. As pessoas pensam mais em manter suas origens do que em se adaptar ao que a classe A determina”, disse, citando que hoje a nova classe média movimenta R$ 1,3 trilhões, sendo as mulheres responsáveis por 70% das decisões de compra nos lares , 64% da audiência do Facebook e 58% do Twitter.

Somente respeitando seus gostos, ressaltou ele, as marcas conseguirão dar o próximo passo, que é a fidelização desses consumidores, que passam a agir também como propagadores, o que é essencial em um mundo totalmente digital. Embora receba muitas críticas, a segunda marca que mais investe em publicidade — cerca de R$ 1,1 bilhão —, a Casas Bahia é um exemplo empresa, que de acordo com Rodrigues, fala a língua dos consumidores e, assim, consegue que suas ações publicitárias sejam lembradas e até queridas.

“O consumidor não é mais a caça e sim o caçador”, destacou o COO da Publicis, acrescentando que com o “massacre” de informações recebido diariamente por diversos meios, as marcas têm que se destacar, construindo suas ações em cima do entendimento real do seu consumidor. “Em Parintins (PA), por exemplo, a Coca-Cola tem uma lata azul para os seguidores do boi caprichoso. Ela também teve que comprar o Guaraná Jesus, que era o mais vendido do Maranhão. (...) Algumas marcas como Ford e Kodak sumiram, porque não se relacionaram com o consumidor”, lembrou Rodrigues, que citou ainda um comercial da Mercedes, que contrariando as expectativas, usava o funk “Ah lelek lek lek lek lek”, e teve mais de 36 milhões de views no Youtube.

Outro desafio,disse ele, é entender as diversas gerações que hoje convivem. Um exemplo é o novo jovem, que já se relaciona com o mundo digital de uma maneira completamente diferente à geração anterior, embora ela também já tenha nascido digital.

“Esse novo jovem usa o digital para tudo e dá um pulo no mundo real eventualmente. O antigo jovem digital usava essa conexão para se comunicar”, explicou. “Hoje há uma série de ferramentas que faz com que as pessoas criem vida no mundo digital e visitem o mundo real, então isso para as marcas é um desafio, porque muitas vezes elas podem usar seu ponto de venda para experimentar uma roupa, descobrir o seu número, voltar para casa ou usar o próprio celular comprar a roupa no concorrente”, finalizou.

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