Por bruno.dutra

Rio - A Via Varejo, braço do Grupo Pão de Açúcar que reúne as varejistas do setor de eletrodomésticos Casas Bahia e Ponto Frio, vai fechar o ano mantendo o ritmo de expansão de anos anteriores, com 70 novas lojas abertas — chegando a 1.058 em dezembro — e a preocupação em estudar ainda mais os pontos de venda com foco na rentabilidade. Para Jorge Herzog, passado o período difícil do começo do ano, que se estendeu com a realização da Copa e a alta da inflação, fica ainda mais claro a necessidade de olhar as oportunidades, desde que tragam “o retorno que nosso acionista exige”, comentou ele durante o Congresso da Associação de Lojistas de Shopping Centers (Alshop), ontem, no Rio.

Herzog acredita que para os próximos anos a Via Varejo deverá manter o mesmo ritmo de inaugurações, mas evitou cravar um número, já que isso depende de sua controladora, o grupo francês Casino. O que está certo mesmo é que cada marca terá fortemente definido o seu público-alvo e a expansão estará baseada neste perfil.

“Casas Bahia sempre manteve o foco nas classes C e D e Ponto Frio, com o tempo, perdeu identidade ao querer falar com todos os públicos. Isso torna a comunicação com o consumidor mais difícil. Foi quando decidimos trabalhar a marca Ponto Frio voltada para as classes A e B. Temos uma evolução dos clientes C e D no país e também investimos na entrada em comunidades. A mais recente é a loja do Complexo do Alemão, no Rio. Estas lojas [são cinco, sendo três no Rio e duas em São Paulo] vão muito bem, com vendas acima da média”, afirma Herzog.

Segundo ele, depois da desaceleração, as vendas devem crescer no final do ano e o faturamento aumentar em “um dígito alto”.

Com a fusão que originou a Via Varejo, a companhia segue também fechando filiais, cumprindo uma determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que exigiu a descontinuidade de 74 lojas. O processo deverá se concluir no começo do ano que vem. Este ano, foram fechadas 32 unidades.

Para ele, o ano de 2015 não será tão difícil quando foi 2014, que, além da Copa do Mundo, teve o efeito eleições. “Pelo que acompanhamos da indústria e do varejo, vemos algo positivo para o setor no ano que vem. A presidenta também prometeu estar mais perto dos setores produtivos. E o governo sabe a importância do varejo”, afirma o executivo.

A expectativa para o ano que vem é bem diferente para o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun. Ele espera um 2015 mais difícil para a indústria de shopping centers. Segundo ele, o momento agora é de confiar que o governo dê continuidade, com a eleição da presidenta Dilma Rousseff (PT), crie uma linha direta com o empresário.

“Esta é uma das promessas da presidenta Dilma que vamos acompanhar. O empresário precisa de um ambiente econômico e tributário que favoreça a expansão do setor e, consequentemente, a geração de empregos. Tudo depende de desonerações, de uma carga de impostos reduzida e da melhora do poder aquisitivo da população. O choque de credibilidade passa pela escolha de um ministro da Fazenda que seja reconhecido pelo empresariado”, destaca Sahyoun.

O ano de 2014 deverá ser encerrado com mais 25 shopping abertos, que vão se somar aos 688 já existentes. Outros 20 a 25 empreendimentos já estão em andamento para inaugurações até o final do ano que vem. O ritmo é visto como bom pelo presidente da Alshop. Mas ele mesmo admite que o país tem muitos shoppings.

“Sim, temos muitos shoppings. Mas ainda há campo para crescer. Assim como o varejo está mais seletivo, a indústria faz o mesmo. E preciso estudar onde estar, preferencialmente onde não haja um empreendimento semelhante. Hoje, o lojista procura administradoras de shoppings com projetos sólidos e que as auxilie na escolha do ponto de venda”, diz ele.

Quanto ao final do ano, a expectativa é de que os R$ 50 bilhões que serão injetados na economia por conta do 13º salário dos trabalhadores, tenha uma boa fatia para as compras.
“O movimento vai ser bom e deveremos fechar o ano com alta de 7% a 7,5% no faturamento — em 2013, o setor fechou o ano com R$ 129 bilhões. A abertura de 25 shoppings este ano, o que equivale a mais 4.500 lojas no país, vai ajudar neste crescimento”, conclui o presidente da Alshop.

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