Por bruno.dutra

São Paulo - Na contramão do viés de baixo crescimento da economia, a Bematech continua a colher os frutos de seu processo de reestruturação iniciado há pouco mais de três anos. A companhia encerrou o terceiro trimestre com uma receita líquida de R$ 110,8 milhões. Mais que o salto de 15,1% na comparação com igual período de 2013, o desempenho representa a maior receita trimestral da história da empresa. No período, o lucro líquido cresceu 13,7%, para R$ 15,3 milhões.

“Estamos numa toada forte, de três anos consecutivos de crescimento”, afirmou Cleber Morais, presidente da Bematech, em entrevista ao Brasil Econômico. “E um indicador importante dessa evolução é o crescimento da participação das receitas recorrentes na operação, o que é um símbolo da transformação dos nossos negócios no decorrer desse período”, disse.

Com um crescimento de 31,7% em relação ao terceiro trimestre de 2013 e uma participação atual de 29,4% na receita total da Bematech, as receitas recorrentes estão diretamente ligadas à remodelação da companhia. De um portfólio antes restrito aos equipamentos e ao foco em produtos, a empresa investiu na incorporação dos softwares e serviços em sua oferta, bem como em uma estratégia de especialização nos setores de varejo, hotelaria e restaurantes. Nesse formato, os contratos que abrangem soluções completas são baseados em pagamentos mensais e cada vez mais em tecnologias dentro do conceito de computação em nuvem.

Segundo Morais, esse escopo mais diversificado é o principal fator por trás do crescimento sustentável nesse intervalo e a base da companhia para enfrentar eventuais impactos de uma crise econômica. “Hoje, temos uma resiliência muito forte. Se, por exemplo, os varejistas decidem adiar projetos, conseguimos compensar esse efeito negativo sazonal com outros segmentos”, afirmou. Ao mesmo tempo, a Bematech já tem uma base bem distribuída entre clientes de grande porte e pequenas e médias empresas, acrescentou.

Setor de maior destaque no trimestre — especialmente pelos projetos ligados à preparação para as vendas de fim de ano —, o varejo é o segmento que apresenta melhores perspectivas em curto e médio prazos. Um dos elementos que fundamentam essa projeção é o crescimento dos projetos de grandes redes e de pequenos e médios varejos regionais. Como reforço a esse cenário, ele citou a aquisição recente da UNUM, empresa especializada em sistemas no modelo de nuvem. “Além da questão tecnológica, o acordo está ampliando nossa presença no varejo para setores como vestuário e óticas”, explicou.

Ainda no varejo e também no segmento de restaurantes, o executivo destacou o crescimento do modelo de franquias no país, tanto por redes locais como por marcas multinacionais. Já no setor de hotelaria, o horizonte positivo mescla elementos como a tendência de interiorização das redes e a proximidade da Olimpíada de 2016.

A estratégia da Bematech para se beneficiar desse contexto inclui ainda duas pontas: o investimento em inovação — especialmente em tecnologias ligadas à mobilidade — e as parcerias para ganhar escala e acelerar o ganho de participação em mercados ainda pouco explorados. Nessa última frente, a empresa acaba de anunciar uma parceria com a Rede para a oferta de um pacote de gestão completa — do estoque aos meios de pagamento e à emissão de nota fiscal eletrônica — via dispositivos móveis, voltado aos pequenos e médios varejistas.

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