Por bruno.dutra
Publicado 05/11/2014 10:34 | Atualizado 05/11/2014 10:35

Rio - Segundo maior varejista online do mundo no segmento B2C (business-to-consumer), o alemão Otto Group desembarcou no país sem alarde. No Brasil há dois anos com a marca Bonprix, com vendas exclusivamente via internet, o grupo intensificou sua exposição com inserções publicitárias na TV aberta, inclusive em horário nobre. Apesar do cenário desfavorável, com grandes varejistas online ainda no vermelho, a Bonprix aposta na forte expansão do mercado e no crescimento do poder de compra de clientes jovens para alavancar seus negócios no Brasil.

“O Brasil é um importante mercado e o forte crescimento do varejo e do e-commerce local também são cenários que contribuíram para a decisão”, conta Fábio Ferreira, recém-chegado ao posto de diretor-gerente da Bonprix no Brasil, referindo-se à decisão da empresa de iniciar sua operação no país. O público-alvo são as brasileiras jovens, na faixa de 29 a 44 anos. Para atender às encomendas, a companhia montou um centro de distribuição no município catarinense de Blumenau, conhecido pela colonização alemã. No site brasileiro da Bonprix é possível adquirir moda feminina e de praia, lingerie e calçados, entre outros itens.

Criada em 1986, a Bonprix atua em 27 países, com um total de aproximadamente três mil funcionários. No ano fiscal terminado em 28 de fevereiro deste ano, a empresa alcançou vendas de  1,288 bilhão, um incremento de 5,4% em relação ao período anterior. Já o Grupo Otto é um gigante que reúne cerca de 60 lojas online e mais 400 estabelecimentos físicos espalhados pelo mundo. No ano fiscal de 2012/2013, faturou 11,8 bilhões.

A aposta da Bonprix na ampliação do poder de compra das consumidoras jovens no país, principalmente a partir da ascensão da nova classe média, é vista com bons olhos pelo consultor especializado na área de varejo Marcelo Cherto. “A ascensão da Classe C é um fenômeno que ainda não se esgotou. E a situação lá fora (Europa e Estados Unidos) não está nenhuma maravilha. Por isso, muitos varejistas estão olhando para o Brasil”, argumenta o presidente do Grupo Cherto.

“Nos últimos dez, 12 anos surgiu um Canadá de consumidores no país”. Como exemplo de que a compra de roupas pela web se tornou relativamente comum no Brasil, Cherto cita o caso de uma amiga que adquiriu seu vestido de casamento num site chinês, por cerca de US$ 700. “O vestido chegou faltando menos de uma semana para o casamento, mas foi uma pechincha. No Brasil, minha amiga tinha visto modelos semelhantes com preço entre R$ 6 mil e R$ 7 mil”, conta.

Apesar do potencial de mercado, o consultor frisa que o varejo online ainda atravessa um período bastante complicado no Brasil, com grandes players registrando sucessivos prejuízos. Mesmo assim, as perspectivas são extremamente positivas no segmento de moda, conforme atestam dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Entre 2008 e 2011, o faturamento da categoria moda saltou da 15ª posição para a primeira, no ranking brasileiro de e-commerce. E vem se mantendo nesta colocação desde então. “Nas compras cross-border (em sites estrangeiros) dos consumidores brasileiros, a categoria de moda também é líder”, diz Mauricio Salvador, presidente da ABComm.

Entre os fatores que afetam positivamente o varejo online de moda, ele lista a facilidade no transporte e manuseio de roupas pelos operadores logísticos de e-commerce. “A logística desse tipo de produto é razoavelmente mais simples”, sustenta o executivo. Salvador destaca, também, a influência das redes sociais, canais utilizados pelos consumidores para compartilhar suas preferências em termos de roupas e acessórios.

Para 2014, o faturamento previsto pela ABComm para o segmento varejista online de moda é de R$ 3,02 bilhões, levando em consideração apenas as lojas virtuais nacionais. Embora reconheça as dificuldades oferecidas pelo mercado brasileiro de varejo online, Salvador afirma que o percentual de negócios lucrativos de e-commerce é muito mais elevado entre as pequenas e médias empresas.

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