Por bruno.dutra

São Paulo - Das aplicações para fins militares e no agronegócio aos projetos de gigantes como Amazon e Google, o potencial dos veículos aéreos não tripulados (VANTs) é cada vez mais extenso e já se traduz em cifras bilionárias em todo o mundo. No entanto, para os fabricantes brasileiros dos também chamados drones, o horizonte ainda é nebuloso. Em meio às limitações impostas pela ausência de uma legislação que regule o setor, essas empresas estão buscando alternativas, enquanto aguardam um cenário propício para alçar voos mais ambiciosos.

“Temos dois cenários distintos. O mercado existe e tem enorme demanda. Mas as perspectivas dessa indústria, no curto prazo, são péssimas”, afirma Ulf Bogdawa, executivo-chefe da SkyDrones.

Mais que os constantes adiamentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na aprovação de uma regulamentação desse mercado, um dos principais entraves é uma instrução suplementar divulgada pela agência em 2012. O texto proíbe o uso dos drones para fins lucrativos e limita sua venda a projetos ligados a treinamentos, pesquisa e desenvolvimento e esforços de segurança pública, por meio da obtenção do certificado de autorização de voo experimental (CAVE).

Procurada pelo Brasil Econômico, a Anac respondeu por meio de sua assessoria de imprensa que a regulamentação do setor está em processo de desenvolvimento e a previsão é que ela seja apresentada no primeiro semestre de 2015. “Para cada mês que deixamos de efetuar uma venda, nós defasamos nossa tecnologia cerca de um ano na comparação com o que está sendo feito no exterior. Só se aprende errando e as empresas estrangeiras já têm muito mais horas de voo que nós brasileiros”, diz Bogdawa.

A busca por parcerias com empresas estrangeiras e pela abertura de mercados fora do Brasil é justamente um dos focos das fabricantes locais. A SkyDrones fechou recentemente um acordo com a americana 3D Robotics nessa direção. Num modelo amplo, o acordo envolve termos como o desenvolvimento conjunto de tecnologias e a distribuição de produtos da parceira em seus respectivos mercados. No caso da SkyDrones, o formato inclui o lançamento e a comercialização do drone Zangão no mercado americano de agronegócios.

Primeiro país da América Latina a aprovar uma legislação, o Uruguai é outro foco. Para explorar esse mercado, a SkyDrones está construindo uma rede de distribuição no país. Bogdawa ressalta ainda o fato de a companhia ser constantemente procurada no Brasil para projetos que vão além das aplicações mais tradicionais, o que inclui o uso dos drones para a entregas de produtos, em uma abordagem próxima dos planos da Amazon.

A carioca Storm Security também já desenvolve testes de aplicações diferenciadas. Um dos exemplos é um piloto em andamento com uma grande empresa de mídia. No projeto, o X8, um dos modelos da companhia é usado para a transferência de documentos entre as instalações da companhia.

Com atuação local mais direcionada ao setor de defesa — a empresa venceu uma licitação para a entrega de seis VANTs ao Exército Brasileiro —, a companhia também está buscando o exterior. E nessa frente, a aposta não está restrita aos equipamentos, mas também, aos sistemas de controle e de navegação dos drones. “Os sistemas e tecnologias no entorno das aeronaves têm enorme potencial de receitas”, diz Wanderley de Abreu Jr., presidente da Storm Security.

Sob essa visão, a Storm Security fechou uma parceria com a Honeywell, gigante americana de automação, para embarcar seus sistemas na aeronaves não tripuladas desenvolvidas pela parceira.

Uma das pioneiras do setor no Brasil e única empresa no país a obter o CAVE, a Xmobots, do interior de São Paulo, tem uma visão um pouco mais otimista sobre o mercado no país já para 2015. “O atraso na regulamentação limita o crescimento, mas, ao mesmo tempo, está dentro do estágio de maturidade da nossa operação”, diz Giovani Amianti, diretor-presidente da Xmobots. “Trabalhamos com uma tecnologia nova, que ainda precisa de retorno dos clientes para garantir que quando for o momento de expansão, teremos um equipamento mais maduro. Hoje, as nossas vendas são compatíveis com a nossa capacidade produtiva”, afirma.

Com dois modelos cujos preços partem de R$ 150 mil e boa penetração em projetos no agronegócio e no mapeamento de áreas de desmatamento, entre outras aplicações, a Xmobots desenvolve no momento um novo drone para a área de segurança pública e prevê expandir sua capacidade produtiva e equipe no próximo ano. “Nossa previsão é ampliar o volume atual de vendas de duas aeronaves por mês para quatro a seis unidades”, diz. Segundo Amianti, a Xmobot já tem R$ 4 milhões em contratos firmes para os próximos doze meses, além de contratos já faturados de cerca de R$ 3 milhões para esse ano.

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