Estoques estão à espera de dias melhores no Brasil

Cosan trabalha com cenário de aumento nos preços do açúcar e do etanol. Empresa teve queda de 92,6% no lucro líquido do 3º tri

Por O Dia

Rio - A Cosan trabalha com a perspectiva de um aumento na sua produção de cana-de-açúcar para 2015, ainda que num patamar modesto, segundo informou ontem o presidente da companhia de infraestrutura e energia Marcos Lutz. Entre julho e setembro, o volume de cana-de-açúcar moído pela Raízen Energia — unidade de negócios da Cosan que atua nos segmentos de açúcar, etanol e cogeração — encolheu 8,8% na comparação com terceiro trimestre de 2013. A redução se deu por conta do clima muito seco, que prejudicou o plantio e o crescimento da cana-de-açúcar.

“No ano que vem devemos ter uma produção parecida com a deste ano, talvez um pouco maior. Mas não vai ser uma produção 20% maior”, estimou Lutz, em teleconferência com analistas. Para o executivo, o incremento na produção própria deverá ser contrabalançado por um declínio na cana fornecida por terceiros. “Vemos o setor sucroalcooleiro inteiro numa dificuldade grande e com menos investimento em canavial do que achamos que é o correto ou o ideal para maximizar a produção.” Entre os fatores que tendem a impulsionar a produtividade da lavoura está o alto nível de mecanização alcançado pela Cosan — 96,2% no terceiro trimestre, contra 94% no período de julho a setembro do ano passado.

A Cosan projeta preços mais elevados para o açúcar no próximo ano, como consequência da menor oferta do produto no mercado mundial, principalmente devido ao gargalo na produção brasileira, acrescentou o executivo. Atenta às oportunidades mais favoráveis de comercialização do produto em 2015, a Cosan optou por manter estoques de açúcar produzido ao longo deste ano. Em 30 de setembro, a companhia possuía 1,58 milhão de toneladas de açúcar em estoque — volume 45% superior ao contabilizado na mesma data do ano passado.

Com negócios nas áreas de logística, distribuição de gás natural e combustíveis, logística e lubrificantes, entre outras, a Cosan apresentou crescimento de 7,7% na receita líquida entre julho e setembro, alcançando o patamar de R$ 10,28 bilhões. “Esse aumento é resultado, basicamente, de uma melhoria substancial das receitas no negócio de combustíveis da Raízen”, explicou ontem o CFO (diretor financeiro) da Cosan, Marcelo Martins, em teleconferência com analistas de mercado. “Juntamente com o negócio de lubrificantes, (o de combustíveis) foi responsável pelo offset (compensação) de alguns impactos negativos na receita, como por exemplo da Raízen Energia.”

A Raízen Energia moeu no terceiro trimestre deste ano um volume de cana-de-açúcar de 24,4 milhões de toneladas, ante um total de 26,8 milhões registrado no mesmo período de 2013. A redução foi consequência do clima muito seco, “que prejudicou o processo de plantio e crescimento da cana-de-açúcar afetando o nível de moagem no trimestre”, informou a Cosan em seu relatório de resultados referente ao período.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Cosan também diminuiu no trimestre (-11,75%), totalizando R$ 1,06 bilhão. A margem Ebitda diminuiu de 12,6%, no terceiro trimestre de 2013, para 10,3% (julho a setembro deste ano). O lucro líquido da companhia recuou 92,6% no terceiro trimestre, na comparação com igual período de 2013, passando de R$ 205,9 milhões para R$ 15,2 milhões.

No segmento de etanol, a empresa também decidiu carregar estoques, partindo da premissa de que os preços no Brasil não devem cair. “Se houver algum ajuste, será para cima”, disse Lutz, horas antes do reajuste de combustíveis anunciado ontem pela Petrobras. Conforme esclareceu o executivo, a estratégia de estocar etanol foi pensada a partir da crise que assola o mercado, com usinas fechando e produtores descapitalizados. Nesse cenário, a expectativa é de que haja poucos players para suprir a demanda no período da entressafra.

No segmento de distribuição de combustíveis, a Cosan ampliou em 12,5% sua receita líquida no terceiro trimestre, na comparação anual. O incremento foi gerado majoritariamente pelo aumento de 6,1% no volume total de combustíveis vendidos no período, com destaque para diesel e gasolina, que cresceram respectivamente 7,4% e 7,9% na comparação entre os trimestres.

Com agências

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