O CEO interino da Oi, Bayard Gontijo, aproveitou ontem a teleconferência de resultados do terceiro trimestre da companhia para defender a consolidação do setor brasileiro de telecomunicações, com a diminuição do número de operadoras. Em conversa com analistas, o executivo qualificou como “desequilibrada” e “insustentável” a estrutura de mercado atual, que — segundo ele — contribuiria para a redução do retorno ao acionista. Gontijo assegurou que os recursos provenientes de uma possível venda dos ativos da PT Portugal seriam destinados somente a viabilizar esse processo de consolidação ou para diminuir o endividamento da Oi.
“O que vemos hoje no setor é uma demanda cada vez mais por tráfego de dados o que implica numa necessidade cada vez maior de investimentos, num mercado competitivo, com importantes players, e, além disso, regulado”, afirmou ele, que acumula também os cargos de diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores. “No nosso entendimento, existe hoje um alinhamento de interesses entre todos os players para que a consolidação aconteça. E é isso que a Oi vai protagonizar e liderar”. Em agosto, a Oi anunciou a contratação do BTG Pactual para viabilizar a aquisição da participação da Telecom Italia na TIM, que é de 67%.
Perguntado sobre as duas ofertas feitas pelos ativos da PT Portugal, Gontijo disse que não enxerga qualquer risco envolvendo a operação de venda da subsidiária da Oi, detentora de ativos da Portugal Telecom. Mas frisou que não poderia opinar especificamente sobre os riscos regulatórios. A francesa Altice, que já controla as operadoras Oni e Cabovisão em Portugal, ofereceu € 7,025 bilhões pela PT Portugal, enquanto os fundos Apax Partners e Bain Capital colocaram na mesa uma proposta de € 7,075 bilhões. Em teoria, a oferta da Altice poderia ser prejudicada por possíveis restrições regulatórias relacionadas à concentração de mercado. “A única simpatia que tenho é gerar valor para o acionista”, disse Gontijo, referindo-se às duas propostas, que na opinião dele ainda “podem melhorar”. De acordo com o CEO, a Oi não tem prazo para escolher a proposta vencedora.
Além das duas ofertas pela PT Portugal, uma terceira pode ser apresentada em breve. Ontem, os Correios de Portugal (CTT) informaram em comunicado ao mercado que estão acompanhando o processo de venda da PT Portugal com o objetivo de “analisar todas as oportunidades que façam sentido no desenvolvimento das suas áreas de negócio”. Ainda de acordo com o comunicado, os Correios “não tomaram qualquer decisão quanto a essas oportunidades.”
Com relação ao uso dos recursos gerados pela possível venda dos ativos em Portugal, Bayard frisou que teriam apenas duas destinações: consolidação de mercado ou diminuição do endividamento. “É muito difícil você alinhar todos esses interesses e ter certeza ou uma garantia de que as coisas vão acontecer no mesmo momento”, justificou o CEO interino. “O que nós podemos garantir é que o dinheiro será utilizado apenas para esses propósitos, sendo a consolidação o maior propósito da companhia neste momento.
Entre julho e setembro deste ano, a Oi obteve lucro líquido de R$ 8 milhões, montante 95,6% inferior ao total de R$ 172 milhões registrado no mesmo período de 2013. A receita líquida da companhia encolheu 4,5% no terceiro trimestre, na comparação anual, totalizando R$ 8,84 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 3 bilhões, o que representa um recuo de 1,5% frente ao mesmo trimestre do ano passado. Na comparação com o período de abril a junho de 2014, houve melhora do indicador (+17,8%). A dívida líquida da companhia atingiu, ao fim de setembro, o patamar de R$ 47,79 bilhões, contra o total de R$ 46,23 bilhões registrado no final de junho. “Nosso desempenho de receita nesse trimestre reflete o fraco volume de adições brutas que registramos nos primeiros nove meses do ano”, resumiu Gontijo. Entre as prioridades da companhia para os próximos trimestres, ele listou a redução no ritmo de consumo de caixa, a melhoria do perfil do balanço patrimonial da Oi por meio da venda de ativos e a elevação no nível da governança corporativa.