Após queda no mercado de PCs, Intel investe em novos mercados

Nova via de expansão da gigante de chips inclui a Internet das Coisas, os dispositivos vestíveis, os PCs híbridos e os smartphones

Por O Dia

São Paulo - “Não se deve colocar todos os ovos numa única cesta”. O velho ditado popular se aplica perfeitamente ao momento da Intel. Após perder espaço pela demora em estender sua atuação para além do mundo dos PCs, a gigante americana de chips recuperou parte do tempo perdido ao alcançar neste ano a liderança no mercado mundial de processadores para tablets. Sob o impulso dessa conquista, a companhia está reforçando a diversificação do seu portfólio e prepara uma nova escalada em diferentes segmentos.

“Continuamos atendendo aos parceiros tradicionais, mas estamos ampliando nosso leque”, diz David González, diretor-geral da Intel no Brasil. “Os resultados que atingimos nos tablets nos mostram que temos um bom potencial em categorias que estão logo à frente, como os vestíveis, os celulares e a internet das coisas”, afirma.

No vasto campo da Internet das Coisas — conceito que sintetiza a conexão dos mais variados dispositivos à internet —, González diz enxergar as principais oportunidades nas aplicações industriais, sem perder de vista, no entanto, os exemplos dessa abordagem em dispositivos voltados aos consumidores. Hoje, os projetos globais da Intel nessa vertente incluem segmentos como manufatura, saúde e energia, e em tendências como os carros conectados, por meio de parcerias com montadoras como a Ford e a BMW. Globalmente, a divisão de Internet das Coisas da Intel registrou uma receita de US$ 530 milhões no terceiro trimestre, alta de 14% na comparação anual.

No Brasil, uma das iniciativas ligadas a esse campo foi a instalação, em abril, de um centro de inovação no Rio de Janeiro. Como parte de um investimento de R$ 300 milhões firmado com o governo federal, a unidade tem como prioridade criar inovações baseadas na Internet das Coisas e em conceitos como big data voltadas às áreas de óleo e gás e de cidades inteligentes.

No plano dos dispositivos vestíveis, um dos passos recentes da Intel foi a aquisição da start-up americana Basis Science, que passou a integrar a divisão de novos dispositivos da empresa. Segundo González, mais que uma linha de produtos que marcou a entrada da Intel na categoria, o acordo traz como benefício o acesso às tecnologias e sensores desenvolvidos pela novata. “Vamos anunciar alguns modelos de vestíveis próprios, mas a prioridade nessa área será a oferta de componentes para dispositivos de outras marcas e fabricantes”, observa. Em setembro, por exemplo, a Intel anunciou uma parceria com o Fossil Group para desenvolver produtos na categoria.

Os esforços incluem ainda o desenvolvimento de chips ultra-pequenos — “do tamanho do botão do meu paletó”, diz González — com alta eficiência energética para serem embarcados em relógios e pulseiras conectadas. Batizada de linha Quark, a novidade tem previsão de chegar ao mercado entre o fim de 2015 e o início de 2016.

A busca por parcerias que acelerem a entrada em novos segmentos é também a aposta no mercado de smartphones, uma categoria na qual, assim como os tablets, a Intel encontrou dificuldades anteriormente para igualar o desempenho obtido nos PCs, seja pela questão do consumo de energia ou mesmo pelo desafio de atingir custos de produção mais baixos. No mercado brasileiro especificamente, um dos exemplos recentes e bem-sucedidos foi o lançamento local do Zenfone, smartphone da taiwanesa Asus equipado com processador Intel Atom e que vendeu mais de 10 mil unidades em suas primeiras 24 horas no mercado.

Outra grande aposta global e também no Brasil são os chamados 2 em 1 — híbridos de notebook e tablet. A categoria já é a de mais rápido crescimento no país e a expectativa é que ela represente 14% das vendas locais da empresa no segmento de computadores. Segundo Mauricio Ruiz, diretor de vendas da Intel, a venda desse modelo de produto para empresas é uma frente que começa a se tornar atrativa. À medida que os preços desses equipamentos caem gradativamente, eles surgem como uma opção para a renovação dos parques das companhias. “As linhas novas estão chegando ao mercado na faixa de R$ 2 mil. Antes, como a maioria era importada, o preço variava entre R$ 5 mil e R$ 6 mil”, diz.

Hoje, no Brasil, os chips da Intel já estão embarcados em 23 modelos diferentes de híbridos. Já no segmento de tablets, os processadores da marca estão em 20 modelos,o que inclui nomes como Lenovo, Dell e Samsung, e também fabricantes locais, como a DL. Parte do sucesso da Intel na categoria pode ser explicado por parcerias similares ao acordo com a DL. A empresa é a líder no mercado brasileiro, como resultado da estratégia de investir em tablets de entrada e de preços intermediários.

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