Por monica.lima

Com um roteiro que harmoniza boa cerveja, turismo e gastronomia, o Rio de Janeiro deu o primeiro passo para a criação da Rota Cervejeira do Estado. O roteiro é dedicado às cervejas das montanhas, produzidas nas cidades de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim e Santa Maria Madalena. Com a iniciativa, que engloba as grandes fabricantes instaladas na região — caso de AmBev, Cervejaria Petrópolis e Cervejaria Therezópolis — e mais 60 microcervejarias já registradas, a meta é estimular a cultura cervejeira no estado, apoiada por projetos que incluem também bares, restaurantes, pousadas e brewpubs (que fabricam artesanalmente apenas para consumo dentro dos próprios bares).

“Pensamos em um projeto que pudesse proporcionar uma experiência para o turista, muito mais rica e estruturada, bem como possibilitasse a expansão econômica na região a partir da atividade turística em torno da cultura cervejeira. Os empresários entenderam que o setor cervejeiro e o turístico podem andar juntos e promover o desenvolvimento da região. E para integrar todos em um só objetivo foi que criamos a Associação Turística das Cervejarias e Cervejeiros do Estado do Rio de Janeiro (ACCERJ-TUR)”, diz Alexandre Zubaran, idealizador do projeto.

O charme da Rota Cervejeira estará na criação de eventos, passeios, cursos e, em uma segunda fase, um grande festival internacional de cervejas na região. O primeiro passo é aprimorar o projeto cartográfico da rota da cerveja na região das montanhas para, em seguida, preparar a sinalização dos pontos de visitação, turismo e degustação da bebida.

“Depois disso, vem a fase do engajamento da população. Vamos montar cursos de sommelier de cerveja, valorizar a cultura local e os atributos que a serra fluminense tem. A primeira cerveja produzida no país foi feita em Petrópolis, que foi a Bohemia, hoje da AmBev. O fato de tantas empresas escolherem a região da serra e das montanhas para produzir vem também da qualidade da água, que é uma matéria-prima importante para a boa cerveja. Tudo isso precisa estar na cabeça de quem vive na região. Logo depois, vamos criar eventos com harmonização de pratos com as cervejas das montanhas”, acrescenta Zubaran.

A grande celebração, diz ele, será com um grande festival que vai juntar, claro, cerveja, gastronomia, turismo e boa música e promoção dos destinos onde as cervejarias estão instaladas.

“Não é a invenção da roda. A região já recebe uma grande quantidade de visitantes. Mas a disseminação da cultura cervejeira e a sofisticação de consumo pela experiência gastronômica, aliada ao estilo de vida da região serrana vão amplificar o poder de atração que a região já tem”, acredita ele.

Para ordenar todas as ações que estão previstas pela ACCERJ-TUR, Zubaran diz que foi criado um estatuto determinando as diretrizes da associação, em que o peso e o poder de voto de uma grande fabricante é equivalente ao de uma microcervejaria.

“É uma troca. Uma tem a tecnologia, a expertise. A outra, tem a relação mais próxima com o consumidor, com o estilo de vida da região. Unir as empresas e os municípios envolvidos no projeto foi um importante desafio, que conseguimos depois de um ano de conversas”, diz ele.

Ele destaca que o fato de o governo estadual ter reduzido a alíquota do ICMS para cervejarias instaladas no Rio de 19% para 13% também ajudou a ampliar o volume de empresas registradas no estado. Zubaran afirma que este estímulo, aliado ao trabalho do Sebrae-RJ de profissionalização da produção das microcervejarias, são importantes para que o projeto se sustente. Segundo ele, com base em dados do IBGE e da FGV, o estado do Rio emprega 350 mil pessoas na cadeia produtiva da cerveja e arrecada em impostos o equivalente a R$ 3,4 bilhões.

“Hoje, o estado do Rio ocupa a sexta posição em número de unidades produtoras no país. O primeiro lugar é de São Paulo, seguido do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, em terceiro. Nossa meta é, em dois anos, saltar do sexto para o segundo lugar. Os estímulos à instalação de novas cervejarias, além do desenvolvimento dos projetos da Rota Cervejeira vão ajudar a conquistar essa meta”, acredita Zubaran.

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