Por bruno.dutra

Madri - Vencedora de dois contratos para implantar sistemas de controle de tráfego em portos brasileiros, a empresa espanhola de tecnologia da informação Indra vê na demanda brasileira por infraestrutura uma de suas principais oportunidades de crescimento global para os próximos anos. A companhia tem hoje dois importantes projetos em implantação na área de transportes no país e espera que o avanço do projeto de investimentos ferroviários seja mais um fator para alavancar os negócios.

“O Brasil pode ter problemas nos próximos dois anos, mas vai precisar de investimentos em tecnologia para crescer”, diz o presidente da companhia para a América, Emilio Díaz.

Os contratos com os portos de Santos e Vitória foram assinados na última segunda-feira e preveem a instalação do Sistema de Informações para o Gerenciamento de Tráfego de Navios (VTMIS, na sigla em inglês), que têm por objetivo reduzir o tempo de espera para atracação nos terminais. Os contratos, de R$ 54 milhões, fazem parte de um programa do governo federal para modernizar a gestão dos portos brasileiros. O próximo a contratar deve ser o porto do Rio, informou Díaz, adiantando que a companhia participará dessa nova licitação.
Com 40% de sua receita nas Américas provenientes do Brasil, a Indra inicia também este ano a implantação de sistemas de radares em quatro aeroportos brasileiros.

O objetivo, mais uma vez, é gerenciar o tráfego, reduzindo os espaços entre os slots de pouso e decolagem. “Temos registrado crescimento de dois dígitos em nossas operações brasileiras nos últimos anos e acreditamos que os investimentos em infraestrutura vão continuar gerando oportunidades”, comenta o executivo.

O próximo alvo é a licitação para o projeto de vigilância da Amazônia Azul, tocado pelas Forças Armadas, que prevê o monitoramento da costa brasileira. Díaz informou que a Indra já fechou parceria com uma empresa local para participar da concorrência. Em sua sede em Madri, a empresa exibe modelos de sistemas de vigilância desenvolvidos para as Forças Armadas da Espanha e hoje em operação em outros países.

O grande salto, porém, é esperado com o programa de investimentos em ferrovias, hoje travado por divergências quanto às regras. A Indra é fornecedora da malha ferroviária francesa e tem como carro-chefe de suas operações o controle do trem-bala que liga Madri a Barcelona. “Creio que temos muito a contribuir com o projeto do trem-bala Rio-São Paulo”,afirma Díaz, demonstrando otimismo com um investimento que nem mesmo os brasileiros acreditam.

A visão da companhia é que o atual momento de crise econômica representa um ciclo, que se reverterá em dois ou três anos, permitindo a retomada do ritmo de negócios no país. “Todos os negócios têm ciclos. A América vai parar um pouco, depois de quatro ou cinco anos de muito crescimento. Mas vai retomar”, aposta, citando a diversificação geográfica como uma das vantagens da companhia para sobreviver aos ciclos. Atualmente, 39% da receita vêm da Espanha, 28% das Américas e 20% do resto da Europa. Ásia e África são responsáveis pelo restante.

Para o executivo, o maior desafio brasileiro está na formação de novos engenheiros. “O Brasil tem bons profissionais, mas são poucos. E está fazendo grandes obras de infraestrutura, o que torna mais difícil encontrar os bons”, afirma, acrescentando que os trâmites para a contratação de engenheiros estrangeiros, ainda que tenham melhorado, são complexos. “Uma das viradas que o Brasil tem que fazer é colocar estudantes no ramo da engenharia. Ou abrir a possibilidade de contratação de estrangeiros”, propõe.

Além das áreas de segurança e transporte a Indra atua no desenvolvimento de sistemas bancários, telecomunicações e saúde — na qual tem um projeto-piloto com o governo do Acre para unificar as informações de atendimentos em hospitais públicos. A companhia tem hoje 43 mil empregados e uma receita global de R$ 9,6 bilhões.

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