Vicunha Têxtil se prepara para ganhar novos espaços fora do país

Cerca de um terço do faturamento da companhia já vem do exterior. O foco, diz o presidente da empresa, é a América Latina

Por O Dia

Rio - Maior produtora de tecidos denim do Brasil, a Vicunha Têxtil planeja incrementar a receita vinda do exterior. Hoje, um terço de seu faturamento — a receita líquida foi de R$ 1,29 bilhão em 2013 — já vem de operações e vendas para outros países e a expectativa é aumentar esta fatia. Segundo o presidente Ricardo Steinbruch, o foco é a América Latina, apesar de a empresa já ter escritórios e operações em outros continentes, como o europeu.

“Já crescemos mais fora do Brasil do que aqui, apesar de o primeiro semestre ter sido muito bom, com expansão de 7,5%. De 2007 para cá, compramos, modernizamos e duplicamos nossa fábrica no Equador. Estamos com outra unidade na Argentina, que já duplicamos e agora estamos também modernizando”, diz Steinbruch. A Vicunha tem ainda três plantas no Nordeste do Brasil — duas no Ceará e uma no Rio Grande do Norte —, além de um centro de distribuição e escritório em São Paulo. Nos últimos cinco anos, a empresa investiu R$ 600 milhões em todas as suas unidades.

A modernização de suas linhas de produção, diz o presidente da Vicunha Têxtil, contribuiu para que a empresa repetisse bons resultados desde 2009, pois além do crescimento das vendas, houve redução dos custos. Em 2009, a receita líquida da empresa foi de R$ 737 milhões. “Nossa estratégia, desenhada há cinco anos, envolveu a concentração em tecidos índigo e brins, modernização e flexibilização das unidades fabris e internacionalização dos negócios”, ressalta ele.

Segundo Steinbruch, esse foi um passo muito importante para que a empresa pudesse concorrer com as importações, principalmente de países asiáticos, que têm como característica os produtos prontos. “A estratégia foi montada para que estivéssemos mais perto dos clientes. Damos uma assistência técnica diferenciada. Vendemos algo que só é realmente um produto depois de lavado. Então, damos assistência técnica, falamos de moda, ensinamos a costurar, o que dá um diferencial à Vicunha”, completa.

No Brasil, a fabricante atende a mais de cinco mil clientes, que vão desde grandes magazines e marcas até pequenas confecções, com cerca de 140 produtos em seu portfólio. Nem todos, no entanto, chegam a outros países. “Temos uma coleção global e coleções locais, porque cada mercado tem suas características. No Brasil, as pessoas são muito sofisticadas no uso do jeans, por isso precisamos de um portfólio maior para abranger todas as tendências da moda”, explica Steinbruch, acrescentando que por aqui o mercado é muito concorrido, com quase 20 empresas atuando no segmento.

“É um segmento muito forte da indústria do vestuário, com muitos players modernos e capazes. Dentro da indústria têxtil, é o que está melhor, embora ainda sofra com as importações”.

Apesar do bom resultado no país no primeiro semestre, pondera o presidente, a segunda metade do ano está mais fraca, o que fará com que o crescimento no acumulado do ano seja menor. Por isso, diz ele, o momento é de cautela. “Estamos nos preparando para momentos difíceis da economia. Não sabemos como ficará o dólar, a taxa de juros. Estamos prudentes e esperando o cenário ficar mais claro.”

Um dos destaques da Vicunha fora do país é sua operação no Equador, que já responde por cerca de 10% da receita líquida da empresa, e recentemente ganhou o prêmio de mérito industrial e comercial “Condecoración al Fomento de la Producción 2014”, concedido pela Cámara de Industrias y Producción daquele país. A fábrica da Vicunha Equador é a única produtora local do tecido, matéria-prima do jeans, e vem ajudando na expansão do setor de confecção daquele país.

“O prêmio que recebemos é um reconhecimento à importância da empresa para o Equador, onde temos crescido 14% ao ano, vendendo tecidos denim (índigo) para as confecções locais e para os outros países do Pacto Andino, principalmente a Colômbia, além do México, países do Caribe e da América Central”, finaliza Steinbruch.

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