Jaguar Land Rover faz expansão com foco na qualidade

De olho em mercados emergentes onde o segmento premium avança rapidamente, a montadora quer ampliar a produção fora do Reino Unido mas resiste a adotar estratégia de crescimento acelerado da capacidade

Por O Dia

Iniciado em outubro, com a abertura de uma fábrica na China, o processo de expansão internacional da produção da Jaguar Land Rover vai prosseguir de forma gradual, focado em mercados com alto potencial de crescimento, como o brasileiro e o chinês. “Tudo vai ser feito passo a passo. O crescimento da nossa produção vai acontecer num ritmo que nos permita manter a qualidade”, afirmou ontem o presidente global da Jaguar Land Rover (JLR), Ralf Speth, em São Paulo.

No país para participar hoje da cerimônia de lançamento da pedra fundamental da fábrica de Itatiaia (RJ), Speth disse que a aposta da companhia no mercado brasileiro é de longo prazo. A decisão da JLR de se instalar no Brasil — onde a companhia investirá R$ 750 milhões — está diretamente relacionada à expansão do mercado local de automóveis de luxo. De janeiro a novembro deste ano, foram vendidos no país 47.464 automóveis na categoria premium, quase o dobro do total registrado no mesmo período de 2010. No portfólio da montadora britânica, controlada pela indiana Tata Motors, os níveis de crescimento foram similares ou até maiores. No mesmo período, as vendas de modelos Land Rover subiram 96%, totalizando 8.245 unidades nos dez primeiros meses deste ano. Já a marca Jaguar pulou de 88 veículos vendidos no Brasil, entre janeiro e novembro de 2010, para 351, em igual período de 2014.

A planta no município do Sul Fluminense é a primeira com 100% de participação da JLR fora do Reino Unido — a da China foi erguida a partir de uma joint venture com a chinesa Chery. Apesar dos investimentos na Ásia e na América do Sul, a montadora avalia futuras expansões, sem confirmar outras fábricas. Ainda não há decisão tomada com relação à construção de uma fábrica na Arábia Saudita, frisou Speth. A hipótese chegou a circular no mercado depois da assinatura de uma carta de intenções com o governo saudita, em 2012. A instalação de uma fábrica da JLR nos Estados Unidos também é outra possibilidade não confirmada pelo executivo. “Todo mundo tem interesse no mercado americano”, desconversou Speth. “Primeiro vamos nos concentrar na fábrica da China.”

Prevista para entrar em operação no início de 2016, a unidade brasileira vai produzir inicialmente o modelo Discovery Sport, da Land Rover, ao preço de R$ 179,9 mil. A capacidade produtiva da fábrica de Itatiaia será de 24 mil veículos por ano, mais de duas vezes e meia o volume de veículos vendidos pela JLR no Brasil entre janeiro e novembro deste ano. Mesmo assim, o risco de um excesso de capacidade instalada não preocupa o presidente da Jaguar Land Rover para a América Latina, Terry Hill. “O mercado brasileiro de carros premium está experimentando um crescimento fenomenal. E acreditamos que essa expansão vai continuar no médio e no longo prazo”, justificou Hill.

A estimativa da JLR é de que o mercado automotivo brasileiro — atualmente no patamar de 3,3 milhões/3,4 milhões de unidades vendidas por ano — alcance o nível de cinco milhões em 2020. “Nos mercados maduros, o segmento premium responde por 10% das vendas. Aqui, ainda está abaixo de 2%”, comparou Hill. “Acreditamos que vai chegar a 10% em 2020? Não. Mas também não achamos que vai ser menos de 2%”. Nada que comprometa o posicionamento premium das marcas da JLR: “Não estamos no jogo do volume mas no da experiência do consumidor”, ressaltou Speth.

Mesmo antes do início da produção no Brasil, a montadora planeja ampliar sua rede de concessionárias no país: das atuais 38 para 42 até março de 2015. Outro ponto importante em termos de vendas — o do crédito ao consumidor — já foi equacionado, segundo o presidente da JLR para a América Latina. Disponíveis desde outubro do ano passado, os financiamentos da Jaguar Land Rover Financial Services são utilizados por 40% dos clientes que adquirem um automóvel das marcas. A previsão é de que o Discovery Sport comece a ser vendido no país em março do próximo ano, ainda importado. Hill não descartou a fabricação de outros modelos em Itatiaia mas evitou adiantar qualquer novidade. Ao menos inicialmente, o Discovery Sport feito no Brasil não será exportado.

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