Aplicativo de carona Uber encontra dificuldades para crescer no Brasil

Nova série de polêmicas envolvendo o aplicativo de caronas inclui queixa da Secretaria de Transportes do Rio

Por O Dia

São Paulo - Criado em 2009, o Uber — aplicativo de caronas — ganhou tração rapidamente neste ano e hoje já é a start-up americana de tecnologia mais valiosa do mercado. Em contrapartida, a novata tem encontrado uma série de polêmicas pela frente, especialmente na rota de sua expansão global. Os mais novos desafios desse percurso foram conhecidos no início desta semana e incluem a operação brasileira.

O Rio de Janeiro é um dos palcos dessa movimentação. A Secretaria Municipal de Transportes da capital carioca (SMTR) registrou uma queixa contra o Uber e ofertas similares, alegando que essas empresas não solicitaram as licenças específicas para operar com serviços de táxi na cidade. “A SMTR já enviou um documento para que a Polícia conduza uma investigação”, afirmou o órgão em comunicado. A SMTR informou que o serviço é “ilegal”, pois se trata de um modelo de transporte pago e sem as licenças apropriadas, e acrescentou que os motoristas cadastrados na plataforma correm o risco de terem seus carros apreendidos.

As principais cooperativas de táxi do Rio de Janeiro — cidade que foi a porta de entrada do Uber no Brasil, no primeiro semestre desse ano — estão discutindo uma possível denúncia conjunta contra o serviço, disse Djalma Sales Barbosa, presidente da Transcoopass, cooperativa carioca. Segundo Barbosa, o volume de corridas diminuiu significativamente nos aeroportos do Rio desde a chegada do serviço.

Outros casos vieram à tona nessa semana. Em Nova Délhi, na Índia, todos os serviços on-line de táxi foram banidos depois que uma passageira relatou ter sido estuprada por um motorista contratado por meio do Uber. Em Madri, um juiz ordenou a suspensão do serviço, atendendo a uma ação da Madrid Taxi Association. Uma decisão semelhante foi anunciada na Tailândia, a partir de uma queixa do Departamento de Transportes Terrestres da Tailândia (DLT).

Procurado pelo Brasil Econômico, o Uber informou que não recebeu qualquer notificação das autoridades do Rio de Janeiro e observou que o atual marco regulatório não contempla os serviços de veículos executivos, além de não levar em conta a escolha do consumidor. “Estamos ansiosos para trabalhar com o poder público para desenvolver um ambiente favorável ao crescimento da economia de inovação no Brasil”, disse o Uber.

Sobre o caso de Madri, a start-up ressaltou que a decisão é preliminar. “Essa decisão não condiz com o amplo reconhecimento político, na Espanha e na União Europeia, dos benefícios dos serviços de economia compartilhada”, afirmou. Quanto à Tailândia, a companhia disse que espera progredir em suas conversas com o DLT para incluir suas soluções de transporte em um marco regulatório apropriado.

No Brasil, as polêmicas não estão restritas ao Rio de Janeiro. Em agosto, a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo também declarou que o aplicativo é ilegal. Procurado, o órgão disse em comunicado que o Uber incentiva o uso de veículo particular para exercer transporte individual remunerado de passageiros, o que caracteriza um serviço clandestino de táxi. “O Departamento de Transportes Públicos já abriu processo administrativo e notificou os servidores de internet onde estão instalados esses aplicativos, além de notificar o Uber para que retire o serviço do ar”, acrescentou.

Presidente da frota Táxi Sampa e diretor da Associação das Empresas de Táxi do Município de São Paulo (Adetax), Fabio Boni destacou que os serviços de táxi na capital paulista são regulamentados por uma série de procedimentos, como vistorias e o levantamento da ficha criminal do taxista. “Comparar Uber e táxi é como comparar um produto ou serviço legalizado com outro contrabandeado ou pirata”, observou.

Lançado em maio, o serviço online brasileiro Tripda investe em um modelo diferente. A plataforma reúne ofertas de caronas entre cidades. Após inserir seus pontos de partida e de chegada, os usuários podem buscar as caronas disponíveis. Os motoristas, por sua vez, indicam seus trajetos, entre outros dados. Para reforçar a segurança, as mulheres têm disponível a opção “Só para elas”, que restringe às caronas às mulheres motoristas e passageiras. “Nosso modelo é a ideia inicial da carona, com base na divisão de custos. Nós trabalhamos com a demanda e a oferta que já existem, enquanto outros serviços estão incentivando essa prática como profissão”, diz Daniel Bedoya, copresidente das operações brasileiras da Tripda.

A Tripda ainda não gera receita. Os pagamentos são acordados e realizados entre motoristas e passageiros. “Nosso modelo de remuneração prevê a oferta de pagamentos via cartão para intermediar essas transações, com uma taxa de serviço. Mas nossa visão é de longo prazo. O foco agora é ganhar escala em usuários”, diz. Como parte desse plano, a Tripda fez duas aquisições no Brasil nesse ano e já está presente em outros 12 países, incluindo os Estados Unidos. Hoje, no Brasil, o serviço conta com cerca de 55 mil usuários.

Com agências

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