Obras no centro do Rio espantam consumidores das lojas

Avenida Rio Branco, desfigurada pelas obras do VLT, que ficará pronto em 2016, leva setor a perdas diárias de R$ 15 milhões

Por O Dia

Rio - As obras de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio — que faz parte do projeto Porto Maravilha, de revitalização da zona portuária e áreas adjacentes — , complicou a vida do comércio local, que vem amargando perdas diárias de R$ 15 milhões, segundo levantamento do Clube de Diretores Lojistas do Rio (CDL-Rio). Tudo isso às vésperas das festas de final de ano, quando, ainda segundo o CDL-Rio, estão concentradas 35% das vendas anuais do setor. Lojas vazias em pleno horário de almoço, mesmo com ofertas e descontos, preocupa lojistas e vendedores da região, diz o presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves.

“O comércio da Avenida Rio Branco e de suas ruas transversais está vendendo 50% menos por dia. O sinal de que alguma coisa estava errada já apareceu em outubro deste ano, quando o nosso termômetro de vendas, realizado pelo Centro de Estudos do CDL-Rio, apontou uma queda de 3,1% nas vendas da região, Isso quando apenas o acesso era limitado, sem todas as obras acontecendo”, diz ele.

Agora que a Rio Branco virou quase que um canteiro de obras, Gonçalves afirma que a situação só piorou.

“Com o fechamento da avenida no dia 29 de novembro, o que mais se vê são lojistas reclamando de vendas menores”, comenta o presidente da entidade. “As obras poderiam ter começado no final de dezembro, para não prejudicar as vendas. Questionamos isso com a prefeitura, mas o projeto seguiu. Agora serão obras até 2016”, lamenta Gonçalves. Procurada para comentar a decisão de fechamento da avenida às vésperas do Natal, a prefeitura do Rio não respondeu até o fechamento desta edição.

Na tentativa de atrair mais clientes e reverter o quadro ruim, o comércio de roupas e acessórios vem oferecendo descontos em pleno verão. Na Borelli, de roupas masculinas, o desconto de 20% poderia ser um atrativo. Mas os vendedores reclamam da ausência de clientes. Nem os consumidores que trabalham nos escritórios na região conseguem alavancar as vendas. Na filial da grife de bolsas e acessórios Victor Hugo, cravada na Rio Branco, próximo da Rua da Assembleia, o cenário é o mesmo. Loja vazia e vendedoras a espera de clientes. Mesmo assim, uma delas garantiu que o movimento tende a melhorar.

Na unidade da Taco, conhecida por preços mais acessíveis, por volta de meio dia poucos clientes circularam. Um horário que, no mês de dezembro, teria lojas cheias de consumidores fazendo compras de final de ano. A Via Curtume, de calçados, que oferecia 50% de desconto para os itens expostos na vitrine, também tinha pouco movimento.

No espaço da Animale, o cenário era o mesmo, com vendedores comentando que os clientes não vinham mais na mesma proporção de antes. A impossibilidade de circular de carro ou de táxi pela Avenida Rio Branco acabou afastando as compradoras da grife de roupas femininas. Cenário semelhante era visto na Galeria dos Empregados do Comércio, que concentra algumas lojas de calçados, perfumes e joias. Pouco trabalho para lojistas em pleno dezembro. A filial da Folic, na Rio Branco, que fechou há três meses, segundo uma fonte do setor, teria deixado o local por não faturar o suficiente para custear o aluguel em torno de R$ 40 mil por mês.

Na outra ponta, camelôs relatam o mesmo problema. Adriana Vieira, que vende bijuterias na Rua Sete de Setembro, quase esquina com a Rio Branco, diz que suas vendas estão longe do que eram há alguns meses.

Não foi só o comércio que sentiu as mudanças na Avenida Rio Branco. Prédios de escritórios estão perdendo empresas pela falta de acessibilidade. No condomínio Pernambuco, no número 114 da avenida, há andares disponíveis para locação. Um dos porteiros comentou que escritórios de advocacia e de profissionais liberais em geral não conseguem receber seus clientes no endereço.

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