Bolognesi Energia  negocia sócios para térmicas a GNL

A venda de participação é uma das alternativas para financiar os projetos vencedores do leilão de energia, orçados em R$ 5,8 bilhões. BNDES e Eximbanks também são opções

Por O Dia

Uma semana depois de incluir em leilão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) duas térmicas a gás natural, a Bolognesi Energia corre para finalizar os contratos relativos aos projetos, que vão viabilizar a construção de dois novos terminais de gás natural liquefeito (GNL) no país, um em Pernambuco e outro no Rio Grande do Sul. Além dos fornecedores de equipamentos, a empresa negocia com bancos e possíveis investidores nas térmicas, que terão parte de suas ações vendidas para levantar recursos para sustentar o investimento, previsto em R$ 5,8 bilhões. “Parte do capital virá de equity”, adianta Paulo Cesar Rutzen, vice-presidente da Bolognesi.

Criada em 1975 para atuar no ramo imobiliário, a empresa deu seus primeiros passos no setor de energia no início dos anos 2000. Hoje, tem 15 projetos em operação, entre pequenas centrais hidrelétricas, centrais eólicas e térmicas a óleo, gás e biomassa, com potência total de 1,3 mil megawatts (MW). Com a vitória no leilão da semana passada, a empresa praticamente triplica esta capacidade — cada térmica tem potência instalada de 1,2 mil MW.

“Não foi uma escolha aleatória ou uma pretensão de ser grande, é o tamanho necessário para sustentar um projeto de térmica a GNL. Para que a gente consiga ancorar um navio regaseificador, tem que ter um tamanho mínimo”, diz Rutzen. “Os projetos são fruto de um trabalho de cinco anos. Fomos atrás de parceiros, terrenos, licenças e estamos há mais de três anos negociando contratos de gás compatíveis com o que o mercado elétrico brasileiro exige”, completa.

Os contratos de suprimento terão vigência de 25 anos, com possibilidade de realocação do gás ou cancelamento de cargas nos períodos em que a geração ficar abaixo do teto. A companhia trabalha ainda com a possibilidade de vender parte do gás no mercado interno — três cartas de intenção neste sentido já foram assinadas com distribuidoras da região Sul, que tem demanda reprimida pelo combustível devido a restrições no transporte pelo Gasoduto Bolívia-Brasil.

Rutzen ressalta, porém, que a empresa não pretende competir com a Petrobras no mercado de gás. “Vemos nossos projetos como complementares à Petrobras”, afirma. Com capacidade de 14 milhões de metros cúbicos por dia, cada terminal de regaseificação terá uma ociosidade mínima de 8 milhões de metros cúbicos por dia, quando as térmicas estiverem operando a capacidade máxima. O terminal de Rio Grande, por exemplo, pode movimentar quase cinco vezes o volume de gás disponível atualmente no estado e vem atraindo a atenção de possíveis consumidores locais. No futuro, a própria estatal pode usar a estrutura para internalizar o gás do pré-sal.

Com a confirmação do leilão, a empresa espera que o governo dê início ao projeto de construção de um gasoduto de 320 quilômetros ligando o porto de Rio Grande a Triunfo, na região metropolitana de Porto Alegre. Com o objetivo de viabilizar o escoamento do GNL até os mercados consumidores, a própria Bolognesi realizou os estudos sobre o duto, já entregues ao Ministério de Minas e Energia para avaliação e eventual licitação segundo as regras estabelecidas pela Lei do Gás. Rutzen diz que a empresa espera que o projeto vá a leilão no primeiro semestre do ano que vem e ressalta que a Bolognesi não pretende atuar neste segmento.

O financiamento das térmicas — com investimentos estimados em até R$ 2,9 bilhões cada — será feito por equity, recursos de bancos estrangeiros de fomento à exportação dos países fornecedores de equipamentos e recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é que a primeira térmica, em Rio Grande, comece a operar em meados de 2018, seis meses antes do previsto nos contratos vencidos no leilão. A de Pernambuco está prevista para o final do mesmo ano.

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