Por bruno.dutra
Rio - O presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, afirmou ontem que o mercado brasileiro comporta a existência de quatro operadoras móveis e não precisa necessariamente passar por um processo de consolidação que reduza o número de grandes players para três. Em conversa com jornalistas, no Rio de Janeiro, o executivo disse ainda que a companhia controlada pela Telecom Italia defende três caminhos para antecipar a liberação da frequência de 700 megahertz (MHz), que será usada para complementar a cobertura dos serviços de quarta geração. Abreu citou como prioridade da TIM a liberação da faixa de frequência — atualmente utilizada por canais de TV aberta analógica — nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.
“O mercado não precisa necessariamente passar por uma consolidação. No Brasil, temos um mercado de 270 milhões de linhas móveis, o que representa uma escala muito considerável. Na Europa, as operadoras têm uma fração disso”, argumentou Abreu. “Mas é inegável que um mercado com três operadoras teria mais escala”. Ontem, as ações da TIM terminaram o pregão da BMF&Bovespa em alta de 11,3% após a divulgação de notícia que Oi, Telefónica e Vivo preparam uma oferta de US$ 15 bilhões pela concorrente.
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Outra hipótese ventilada no mercado ao longo dos últimos meses é a aquisição da Oi pela operadora móvel controlada pela Telecom Italia. No mês passado, o Conselho de Administração da Telecom Italia autorizou o presidente da companhia, Marco Patuano, a avaliar a possibilidade de uma fusão entre TIM e Oi. O presidente da TIM Brasil ressaltou ontem que a empresa tem condições de se manter no mercado, sem necessitar de uma fusão com a Oi. Mesmo assim, a companhia está aberta a uma possível união com a operadora brasileira, desde que “o volume de sinergias geradas ultrapasse o custo da aquisição”, conforme enfatizou Abreu.
Com relação à implantação do 4G na faixa de 700MHz, o CEO da TIM informou que a empresa defenderá junto à EAD (Entidade Administradora da Digitalização) e ao Gired (Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização) a antecipação da liberação da frequência. A EAD terá a função de limpar a faixa de 700MHz, gerindo possíveis interferências do 4G sobre os sinais de TV, a partir de um orçamento total de R$ 3,6 bilhões, aportado pelas operadoras vencedoras no leilão. Já o Gired vai reunir empresas de telecomunicações, governo e radiodifusores.
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No Rio de Janeiro, o desligamento dos equipamentos de radiodifusão que transmitem na faixa de 700MHz está previsto para o fim de 2016. Para o município de São Paulo, o prognóstico é de que desligamento ocorra em maio de 2016. Um dos argumentos apresentados por Abreu para acelerar o processo é de que, como um dos lotes do leilão de 4G não foi arrematado, há uma “banda de guarda” suficiente para minimizar possíveis interferências. Outro ponto levantado pela TIM é a reorganização do cronograma de liberação da faixa, privilegiando cidades estratégicas, agrupadas em blocos de municípios. Uma terceira possibilidade seria a de encurtar o prazo de 12 meses, estabelecido no edital do leilão, entre a liberação das frequências e a entrada em operação do serviço 4G.