Acionistas da Portugal Telecom fazem oposição à oferta angolana

Representantes dos acionistas da PT SGPS manifestam intenção de votar contra a proposta da empresária Isabel dos Santos

Por O Dia

Rio - Representantes dos dois maiores acionistas da Portugal Telecom SGPS no Conselho de Administração da empresa manifestaram intenção de votar contra a Oferta Pública de Aquisição (OPA) apresentada pela holding Terra Peregrin, da empresária Isabel dos Santos. A posição contrária dos representantes do Novo Banco e da Ongoing, por meio da RS Holding, consta do relatório divulgado anteontem pelo Conselho de Administração da PT SGPS sobre a oportunidade e as condições da oferta. Embora reflita a posição pessoal de ambos os conselheiros, já que tanto Francisco Ravara Cary (representante do Novo Banco) como Nuno Vasconcellos (presidente da Ongoing) detêm participação na PT SGPS, é provável eles que votem no mesmo sentido.

No relatório, a intenção de voto de outros sete membros do conselho é descrita como “decisão pendente”. Gerald S. McGowan, conselheiro independente, e João de Mello Franco, presidente da PT SGPS, também não têm interesse em aceitar a proposta da Terra Peregrin, conforme registrado no documento. Cotada na Bolsa de Lisboa, a PT SGPS tem, entre seus ativos, participação de 25,6% na Oi. Segundo dados publicados na página da companhia na internet, o Novo Banco possui fatia de 12,6% do capital social e o mesmo percentual em termos de direitos de voto. Já a RS Holding detém 10% da companhia — participação idêntica à da Telemar Norte Leste. Os números foram atualizados em 10 de dezembro.

Ontem, os papéis da PT SGPS terminaram o dia cotados a 1,14 euro na Bolsa de Lisboa, como resultado de uma desvalorização de 5,32% em relação ao preço de fechamento da sessão anterior. Desde 4 de dezembro, a ação já perdeu 19,21% do seu valor. Nem mesmo o fato de Isabel dos Santos ter feito uma proposta de 1,35 euro por ação foi suficiente para conter a queda, uma vez que o mercado considera pequenas as chances de sucesso da OPA. Para o Conselho de Administração da PT SGPS, a oferta de Isabel dos Santos não reflete o “valor intrínseco” da empresa, que incluiria o potencial de desenvolvimento da Oi no médio e longo prazo como consequência de uma consolidação no mercado brasileiro de telecomunicações.

Ontem, a PT SGPS informou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador do mercado de capitais em Portugal, que realizará no próximo dia 12 de janeiro uma assembleia de acionistas para deliberar sobre a venda da PT Portugal, subsidiária operacional da Oi, à francesa Altice. A aquisição de ativos em Portugal e na Hungria pela Altice, por  7,4 bilhões de euros, já teve a aprovação do Conselho de Administração da Oi. Agora, cabe aos acionistas da PT SGPS dar o OK final, em assembleia geral extraordinária.

Segundo o periódico português “Diário Económico”, a assembleia para aprovar a venda da PT Portugal precisava — para atender aos estatutos da PT SGPS — ser marcada com 21 dias de antecedência. A OPA de Isabel dos Santos também teria de ser votada em assembleia geral extraordinária, mas o tema não aparece na convocatória da PT SGP publicada ontem no site da CMVM.

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