Para superar momento de estagnação, F-Secure amplia portfólio

Empresa finlandesa de segurança investe em soluções de privacidade, serviços na nuvem e atendimento às PMEs

Por O Dia

São Paulo - Mais conhecida por sua atuação em parceria com mais de 200 operadoras de telefonia em todo o mundo para a oferta de softwares de segurança para consumidores, a finlandesa F-Secure está ampliando seus horizontes. Frente a um cenário atual de desafios das teles, especialmente nos mercados mais maduros, a companhia está investindo no desenvolvimento de novas fontes de receitas. Nesse contexto, o leque de diversificação do portfólio inclui sistemas voltados à proteção da privacidade dos internautas; os serviços entregues no modelo de nuvem, via internet e com pagamento mensal; e a abertura para o atendimento às pequenas e médias empresas.

“As operadoras europeias não estão crescendo, pois suas bases de clientes estão estagnadas. Nossa alternativa é investir em novos produtos direcionados a essas mesmas bases e, ao mesmo tempo, abrir novos segmentos ”, diz Leandro Hernandez, vice-presidente da F-Secure na América Latina, região que, segundo o executivo, vem registrando os índices de crescimento anual mais expressivos na operação, na casa de 30% a 35%. Globalmente, por conta desse panorama, a F-Secure reportou uma queda na receita global de 1,3% em 2013. “Na América Latina, esse cenário de estagnação ainda levará um tempo para se consolidar, mas é natural que já estejamos preparados”, observa.

Para Hernandez, a privacidade na internet foi um dos temas de destaque em 2014. Como reflexo das revelações de Edward Snowden, o assunto entrou na pauta regulatória de diversos países. Ao mesmo tempo, essa questão colocou em evidência outros elementos, como os serviços online gratuitos e os aplicativos móveis, que usam a massa disponível de dados dos consumidores para gerar receitas, por meio de práticas como a venda de anúncios baseados no comportamento de navegação desses internautas. Uma pesquisa global recente da F-Secure apontou que 57% dos usuários não concordam com o uso de suas informações pessoais pelas empresas em troca de um serviço gratuito. No Brasil, esse índice foi de 59%.

Diante desse quadro, a F-Secure desenvolveu uma ferramenta que funciona como uma espécie de rede virtual privada. A aplicação cria uma conexão criptografada que torna a navegação “invisível” e impede o monitoramento por parte de serviços on-line, aplicativos ou mesmo hackers, além de apontar todas as tentativas de rastreamento de dados do usuário.

Na computação em nuvem, uma das primeiras incursões da F-Secure é o younited, serviço de armazenamento de dados na internet nos moldes do Drive, do Google, e do Dropbox, mas que, segundo Hernandez, traz mais ênfase em segurança. No Brasil, a Claro foi a primeira operadora a lançar o serviço, no fim de novembro. A Telefônica/Vivo e a Oi estão se preparando para comercializar a oferta. Tanto o younited como o Freedome também estão disponíveis nas lojas de aplicativos do Android e da Apple. Outra ponta de distribuição é a parceria com fabricantes de dispositivos, para que essas empresas embarquem as soluções da F-Secure em seus equipamentos. No mercado local, um dos acordos costurados recentemente envolveu a sul-coreana LG e a Telefônica/Vivo.

Essas e outras ofertas nos modelos de software como serviço — entregue pela nuvem e com pagamento mensal — e de licenciamento tradicional estão disponíveis também para o segmento de pequenas e médias empresas. “Decidimos investir nesse perfil, pois entendemos que é um mercado mal atendido pelos nossos rivais, que estão mais focados nos consumidores e nos clientes de grande porte”, diz Hernandez. No recorte da F-Secure, as pequenas e médias compreendem as companhias com 5 funcionários até 500 colaboradores.

Para alcançar esse público, a F-Secure está investindo na construção de uma rede local de revendas e distribuidores. Mais que a busca por parceiros por região ou especialização em determinados setores, o foco nesse momento, diz Hernandez, é encontrar canais adaptados à oferta no modelo de software como serviço. “Existem poucos parceiros que já entendem esse conceito no país”, afirma.

O Brasil – porta de entrada da F-Secure na América Latina, em 2011 — responde por cerca de 65% das receitas da companhia na região, onde a prioridade são as soluções para dispositivos móveis. Entre outros clientes, a empresa mantém acordos com os grupos Telefónica e América Móvil, que cobrem todo o mercado latino-americano.

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