Fabricantes de extintores ABC têm período de expansão no país

Empresas estão contratando e aumentando turnos para dar conta da demanda pelo produto em todo o território nacional

Por O Dia

Com a substituição dos extintores de incêndio veicular do tipo BC para o ABC, determinada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), as empresas que fabricam o produto no Brasil viram literalmente o trabalho dobrar a partir do final do ano passado. A obrigatoriedade da troca de extintores, que antes tinha como prazo final o primeiro dia do ano de 2015, estendeu-se para 1º de abril deste ano. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a frota nacional — que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus — ultrapassa os 40 milhões de unidades no país.

Enquanto em outros setores da economia o momento é de demissões, férias coletivas e corte de gastos, quem atua nesse segmento passa por um período de contratações e aumento de turnos de trabalho para dar conta da demanda pelo produto que desapareceu das lojas. Todo esse investimento, no entanto, depende também do principal insumo para a produção, que é o fosfato monoamônico, um produto utilizado na produção de fertilizante agrícola. A maioria das indústrias de extintores encomenda o produto da China ou da Índia e é necessário programar as encomendas, que levam até 40 dias para desembarcar no Brasil.

Marcelo Mocelin, sócio da M Mocelin Extintores, em São Jorge D´ Oeste, no Paraná, viu sua produção de extintores ABC saltar de 1.200 unidades por mês até meados do ano passado para 1.300 unidades por dia do final do ano para frente.

“Estávamos preparados para dar conta dos pedidos habituais. Mas de repente a demanda deu um salto muito grande. Por conta disso, estamos fazendo horas horas extras e trabalhando nos finais de semana. E tivemos também que contratar mais pessoas”, diz Mocelin.

A fábrica, que tinha 110 empregados, ganhou mais 80 colaboradores, que receberam treinamento e estão ajudando a manter a produção diária, vendida para todo o país.

“Para uma cidade pequena, com apenas nove mil habitantes, a contratação de tantas pessoas nos fez um dos grandes empregadores nesse momento. O fato é que precisamos acelerar a produção porque são apenas três meses para que os donos de veículos possam cumprir a determinação do Contran. A questão é que o brasileiro também tem a tradição de deixar tudo para a última hora e por isso essa corrida às lojas da forma como vem acontecendo”, avalia Mocelin.

Ainda segundo ele, o custo por unidade dos extintores que saem de sua fábrica varia de R$ 35 a R$ 45. Tudo depende da tributação de cada estado. Mocelin explica que além do cálculo tributário, a venda também leva em conta a atividade da empresa compradora e valores diferentes são aplicados para quem é distribuidor de extintores e para quem é representante comercial. Em média, diz ele, o consumidor final paga entre R$ 70 e R$ 90 por um extintor ABC.

“O extintor ABC é mais eficaz que os demais extintores e com uma carga de 900 gramas, responde melhor a um princípio de incêndio, por exemplo”, comenta.

A importação do fosfato moniamônico teve variações de preço em função da variação do dólar, explica Mocelin. No entanto, segundo ele, sua empresa assim como as concorrentes, não repassaram este custo para a produção até o momento.

A Extang, outra fabricante, com produção em Nova Esperança do Sudoeste (PR) e com uma unidade de manutenção de extintores em São Paulo, zerou todo o estoque que tinha no final do ano e se surpreendeu com o estouro de vendas nos últimos dias de 2014.

De acordo com funcionários da fabricante, a empresa já havia feito um investimento em maquinário, que precisou ter sua instalação antecipada para atender à demanda. A produção mensal que era de 15 mil unidades ao dia, vai passar a ser de 30 mil unidades diárias em fevereiro.

O taxista Reinaldo Luzes se mostrou aliviado com o adiamento da exigência do uso do acessório. “Já procurei em postos e lojas das zonas Norte e Sul. Agora vou comprar com calma sem pagar caro, pois estavam vendendo até por R$ 200 na internet”, contou.

PONTO-A-PONTO

? A partir de 1º de abril de 2015, os veículos automotores só poderão circular equipados com extintores de incêndio com carga de pó ABC, de acordo com Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O prazo foi prorrogado já que a data limite havia sido a de 1° de janeiro deste ano.

? O pó ABC apaga todos os tipos de incêndio em carros com mais eficiência. Ele é capaz de apagar chamas de até 2 metros em sólidos, e 4 metros em líquidos inflamáveis. Com cinco anos de garantia, é amplamente utilizado nos EUA e Europa. O principal componente, o fosfato monoamônico não é fabricado no Brasil.

? O extintor de incêndio de pó químico tipo BC equipou os carros fabricados até 2004. Os veículos fabricados a partir de 2005 passaram a ser equipados com extintores de incêndio de pó químico do tipo ABC . Quem não estiver com o equipamento em dia é sujeito a multa de de R$ 127,69 e 5 pontos na Carteira de Habilitação.

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