Por monica.lima

Rio - O crescimento de 16% no faturamento da rede de franquias Multicoisas — que fechou o ano de 2014 com R$ 389 milhões no caixa e 15 unidades abertas — foi considerado aquém do esperado pelo dono na marca, Lindolfo Martin, que projetava vendas de R$ 400 milhões e pelo menos 20 novas franquias.

Apesar de sua empresa ter crescido acima da média da indústria de franchising — em 2014, segundo dados preliminares da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor terá alta de 5% a 7%, interrompendo um ciclo de dez anos de crescimento em dois dígitos —, Martin, que toca o negócio na sede da Multicoisas, no Mato Grosso do Sul, diz que é preciso rever os planos de crescimento ano a ano. Para ele, a atual conjuntura econômica “que exige mais cautela do empresário.”

Para 2015, a expansão, que era de 20 lojas, encolheu para 18 e a projeção de crescimento do faturamento deverá variar entre 13% e 16%. “Em 2014, tivemos, como todo varejista, o efeito negativo da Copa do Mundo e das eleições. Este ano, estamos diante de um desafio na economia, com aperto nas contas e alta de custos. Resolvemos rever nosso crescimento, mesmo já tendo traçado um planejamento até 2018 de ter 360 lojas no país”, diz ele.

Com 185 unidades em funcionamento, 75% delas em shoppings e o restante em unidades de rua, o foco da expansão são as cidades onde a empresa já está presente, em 20 estados brasileiros, mais o Distrito Federal. Criada em 1984 por ele e sua esposa Elza Martin, em Campo Grande (MS), a Multicoisas tem como principal público alvo os consumidores das classes A e B, que buscam produtos para manutenção da casa, organização e acessórios. Por isso a decisão de ir para locais onde há densidade populacional e empreendimentos maduros ou bem estruturados na indústria de shoppings. Martin não pensa em criar novos formatos de loja, como unidades express.

“Este ano vamos abrir de oito a nove lojas no primeiro semestre na Bahia, São Paulo e Espírito Santo e o restante no segundo semestre, seguindo a linha de atuação que é vista por nós como a melhor, que são os shoppings e lojas de rua. Ainda não chegamos ao Norte do país. A região ainda não está nos planos da empresa”, acrescenta.

Para dar conta da distribuição em todos os estados onde atua, a Multicoisas tem dois centros de distribuição, em Osasco (SP) e Campo Grande (MS), denominados Rede Forte.

“É uma empresa operada nos mesmos moldes de uma cooperativa, cumprindo o papel de operador logístico do sistema, que conta hoje com mais de 450 fornecedores. O trabalho desta empresa, que é parte do grupo, é de manter o suprimento constante das lojas em todo o Brasil. Todas as unidades são interligadas ao nosso centro de distribuição. Temos um mix de seis mil produtos, que são importados ou produzidos por empresas nacionais. Estamos estudando uma marca própria, mas são por enquanto apenas estudos”, adianta Martin.

Com pouca concorrência no mercado — a única franquia que se assemelha ao conceito da Multicoisas e que também atua no franchising é a Casa&Coisa, criada em 2005 em São José do Rio Preto e que conta com 26 unidades — a clonagem da marca é o que mais preocupa Martin. Segundo ele, o departamento jurídico da empresa costuma receber duas notificações de clones por mês, a maior parte delas nas cidades onde sua marca está presente.

“O departamento jurídico tem muito trabalho. São encontradas marcas exatamente iguais, ou que usam parte do logotipo para abrir lojas. Nossa preocupação é evitar essa disseminação para não comprometer a imagem da Multicoisas, que foi construída nestes 31 anos”, comenta Martin.

A Multicoisas é filhote da primeira empresa do casal Martin, a Multicasa, voltada para a venda de material de construção e criada em 1978. A empresa continua ativa mas os planos para ela são bem menos ambiciosos. Até o momento são quatro lojas, três em Campo Grande e uma em Cuiabá. Para Lindolfo Martin, o suficiente para um nicho de mercado que já tem concorrentes de peso.

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