Por monica.lima

Rio - Mudanças de hábitos, novas estruturas familiares e a facilidade na mobilidade entre a casa e o trabalho e opção de investimento são alguns dos estímulos ao crescimento na cidade de São Paulo de empreendimentos com baixa metragem — entre 20 e 30 metros quadrados e até menores — por quem procura um imóvel. O custo de um imóvel para o comprador vai até R$ 1 milhão e o metro quadrado destes micro apartamentos prontos para morar pode chegar a R$ 22 mil, dependendo da localização.

Esse tipo de empreendimento começou a ganhar fôlego em São Paulo a partir de 2013, segundo a consultoria de pesquisas imobiliárias Geoimóvel. Das unidades até 33 metros quadrados lançadas entre os anos de 2013 e 2014 na capital, 60% já foram vendidas e 40% estão em estoque. O que, segundo a Geoimóvel, revela o bom desempenho deste segmento imobiliário.

Para Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon Incorporadora e Construtora, imóveis com essas características são uma tendência e ainda têm muito mercado, uma vez que atendem não só a investidores como jovens solteiros, pessoas separadas, casais sem filhos e idosos.

“Os bairros com maior demanda são os que ficam próximos de prédios corporativos, hospitais e universidades. O metro quadrado, de acordo com a localização, varia de R$ 8 mil a R$ 22 mil. Temos hoje 38 empreendimentos em áreas como Vila Olímpia, Brooklin, Itaim, Perdizes e Morumbi, com metragens de 19 a 30 metros quadrados de R$ 230 mil até R$ 1 milhão. Dependendo da localização, até 60% dos imóveis são comprados por investidores”, diz Frankel.

Segundo ele, a empresa vai fechar 2015 com faturamento de R$ 450 milhões e R$ 800 milhões em valor de lançamentos. Serão nove no total, seis deles com até 50 metros quadrados, de olho em famílias com filhos, outro filão que, afirma Frankel, será conquistado pelos micro apartamentos com serviços.

Ele trabalha com diferentes escritórios de arquitetura que estudam soluções para pequenos espaços. Em alguns casos, os imóveis são entregues 100% prontos, incluindo eletrodomésticos. Outra opção é a compra de um kit, que pode ser o básico, composto por piso, forro e ar-condicionado, ou o kit mobília, com tudo para a montagem da casa.

A Setin Incorporadora é outra empresa que investe em imóveis compactos. O valor do apartamento de 18 metros quadrados no Setin Downtown São Luis, na Av. São Luís,com a Rua da Consolação, custa R$ 270 mil e é considerado um dos menores apartamentos na cidade.

O economista e professor da FGV-SP, Samy Dana, afirma que apesar de todos os atrativos que estes empreendimentos oferecem, é inviável pensar que um imóvel de até 30 metros quadrados seja o investimento que traga retorno, tanto como moradia quanto como negócio.

“Não é um produto confortável. Mas vende muito porque as pessoas pensam que ter um imóvel é um bom investimento. Mas nem sempre. Colocar o valor de um imóvel destes em uma aplicação segura pode render mais do que se ele for comprado como opção para rendimento. Sem contar que são espaços claustrofóbicos, onde mal se consegue pendurar um terno de forma decente”, dispara ele.

Dana acredita que o aumento dos juros para financiamento não vão provocar um recuo do mercado. No entanto, alerta para “anos mais difíceis” onde o mutuário faz uma espécie de “casamento” com um imóvel por 28 anos, em média.

“Não valeria a pena casar com uma dívida de R$ 500 mil ou mais por 28 anos. Se for para investir, vale fazer uma aplicação com os recursos, ter um imóvel desse à vista, sem comprometimentos futuros, principalmente diante do quadro de incertezas na economia”, alerta.

Você pode gostar