Por monica.lima

Rio - Este ano não vai haver pagamento de dividendos para os participantes do fundo de investimento imobiliário do shopping West Plaza, em São Paulo, administrado pelo BTG Pactual. A sucessão de problemas, que culminou não só no não pagamento de dividendos como no aumento dos custos das obras, tem origem em seu antigo dono, o Grupo Malzoni, que optou por não investir no empreendimento devido a desentendimentos com seu sócio original, a gestora de fundos Funcesp, do setor de energia elétrica do Estado de São Paulo. Ambas deixaram o negócio em 2007. No ano seguinte, a concorrência já havia dominado a região, levando lojistas e consumidores.

Localizado em uma área nobre da capital paulista, a zona Oeste, na Av. Francisco Matarazzo, o Shopping West Plaza se destaca no percurso de quem passa na região por seu porte: um complexo de três prédios interligados, no qual a circulação interna é confusa e mal sinalizada. Há alguns anos em reestruturação, tem hoje como principais acionistas o BTG Pactual, que detém 30% do empreendimento, e a administradora de shoppings Aliansce, dona de 25% do West Plaza. Fundado em 1991, ocupava lugar de destaque na região. Mas ficou praticamente parado e sem nenhum tipo de investimento por conta de discussões entre o Grupo Victor Malzoni e a Funcesp.

Uma fonte do setor afirma que o imbróglio, que se arrastou por quase uma década, foi fatal para o empreendimento. Segundo a fonte, a Funcesp não queria desembolsar recursos para modernização do shopping e, do outro lado, Victor Malzoni também não queria tirar dinheiro do caixa sozinho. Em 2007, a Funcesp anunciou sua saída do negócio e sua participação de 20% foi comprada pela rede Plaza, do Grupo Malzoni, que tinha em sua carteira, além do West Plaza, os shoppings Paulista, Pátio Higienópolis e Vila Olímpia, todos em São Paulo. No mesmo ano, o Grupo Brascan comprou todos os empreendimentos por US$ 1,1 bilhão, segundo informações veiculadas na época.

O movimento, no entanto, foi tardio, pelo menos para o West Plaza. Em 2008, foi inaugurado a 500 metros do empreendimento o Shopping Bourbon, que, segundo a fonte levou, de pronto, 50 lojistas do West Plaza ao abrir as suas portas. Do outro lado da ponte, que dá acesso à Marginal Tietê, um novo empreendimento da Cyrella, o Tietê Plaza, inaugurado no final de 2013, vem diminuindo o fluxo dos moradores que vinham da zona Norte. E, alguns quilômetros à frente, está o Pátio Higienópolis, hoje um rentável concorrente. Há ainda o shopping Villa-Lobos, que atende a demanda dos moradores do Alto da Lapa e adjacências. Para uma outra fonte do setor, a “pá de cal” foi mesmo a abertura do Bourbon.

“A credibilidade da parte comercial do West Plaza é zero. As reformas são cosméticas, entre elas a melhoria de banheiros. Mas o local segue com uma arquitetura que já não é mais usada, um conceito em desuso. Pode ser que o fluxo melhore com o complexo de cinemas que será inaugurado, mas isso ainda deve demorar pelo menos dois anos”, acredita a fonte.

Em um comunicado à Bovespa, o BTG Pactual informou, em junho de 2014, que as obras dos cinemas, antes orçadas em R$ 9,7 milhões, tiveram que passar por ajustes que aumentaram em R$ 5 milhões o seu custo, totalizando R$ 14,7 milhões. Em novo comunicado divulgado no último dia 25, o BTG informa que o total de obras a pagar está em R$ 17,4 milhões. E que o caixa do shopping tinha, no final de dezembro de 2014, R$ 8 milhões. Já o caixa do fundo, dispunha de apenas R$ 29 mil. Motivo pelo qual a empresa não pagará dividendos a seus cotistas. No último demonstrativo de receitas da empresa, de 2013, os ganhos com aluguel caíram de R$ 6,1 milhões, em 2012, para R$ 5,9 milhões em 2013. O salto em receita veio com o estacionamento, cujo faturamento passou de R$ 663 mil em 2012 para R$ 1,2 milhão em 2013. Procurado, o BTG não comentou a situação do shopping.

“Dá pena de ver o que ele foi e o que é hoje. Acho muito difícil a recuperação do empreendimento. O processo de melhoria é lento e a concorrência está muito à frente”, acrescenta a fonte.

A Aliansce informou que nos dois primeiros anos à frente do shopping — a empresa entrou no empreendimento em 2012 — , investiu R$ 20 milhões na modernização de sanitários, escadas, revestimentos, iluminação, paisagismo e sinalização interna. E que desde o primeiro semestre de 2014 está investindo mais R$ 18 milhões em uma expansão que abrigará sete novas salas de cinema de última tecnologia da bandeira Cinemark e um teatro.

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