Por monica.lima

Rio - O Grupo Paquetá, que produz cerca de 13 milhões de calçados por ano no Brasil e no exterior, aposta em diferentes linhas de atuação para chegar aos 12% de crescimento no faturamento projetados para 2015.

A começar pela ampliação da visibilidade da marca Paquetá Esportes, rede de lojas de artigos esportivos, hoje com 30 unidades e previsão de outras 30 nos próximos anos. Internamente, também está investindo em tecnologia e logística para tornar os processos da empresa mais ágeis na entrega de produtos em suas 383 lojas no país, com menos itens em estoque e maior giro. Já para o mercado externo, onde a empresa produz e exporta calçados para outras marcas, o desafio que se inicia é a internacionalização, com a linha Dumond no mercado americano e a infantil Ortopé na América do Sul. A empresa faturou R$ 2,3 bilhões em 2014.

Paulina Bacher, gerente Institucional da companhia, afirma que, em relação ao processo de internacionalização, tudo está ainda na fase de projetos, com foco na venda da linha Dumond em magazines americanos.

“Já com relação à Paquetá Esportes, que foi contemplada com o maior número de lojas dentro da expansão da companhia até 2020, fomos estimulados a partir da percepção do aumento da preocupação do brasileiro com saúde e bem-estar. As lojas da Paquetá Esportes vendem as marcas do grupo e também de outros fabricantes”, explica. A companhia optou por abrir novas frentes e buscou parceiros em Santa Catarina para a criação das linhas de vestuário, que incluem a Walk Run, voltada para as mulheres, e a Burnet, que tem como foco os skatistas. Já os skates e outros equipamentos para a prática esportiva são importados.

“O que estamos desenvolvendo internamente é a linha de calçados da Burnet, que está em fase piloto”, comenta Paulina.

O varejo vem sendo o braço mais promissor do Grupo Paquetá desde o começo dos anos 2000, quando a invasão de calçados chineses mexeu de forma drástica com as exportações da empresa. Hoje são 383 lojas, sendo 188 próprias e 195 franquias. Destas, 41 são da bandeira Paquetá, 30 da Paquetá Esportes, 37 da Gaston (que tem atuação somente no Rio Grande do Sul) e 78 da Exposende (marca com lojas da região Nordeste). Já em franquias, são 85 lojas da Dumond, 68 da Capodarte e outras 42 da Ateliermix, que reúne as marcas do grupo e atua em cidades de até 100 mil habitantes. No planejamento até 2020, serão abertas mais 300 lojas.

“Pensando na melhor maneira de atuar em diferentes frentes, as famílias donas do Grupo (Strassburger, Bacher, Leist, Weber e Müller) concluíram que o melhor caminho seria a criação de unidades de negócios. A exportação, que respondia por quase toda a operação da empresa nos anos 80 e 90, representa hoje apenas 15% do faturamento do grupo”, detalha Paulina.

A linha de produtos para exportação sai de uma fábrica na República Dominicana e é vendida para mais de 50 países, tendo os Estados Unidos como principal comprador. Também fora do Brasil, a empresa tem uma unidade na Argentina, responsável pela linha de produtos licenciados das marcas Adidas e Asics, que são comercializadas no Brasil.

No Brasil, toda a produção sai do conjunto de fábricas que a empresa tem no Nordeste — três no Ceará e uma na Bahia. A única fábrica que permanece no Sul do Brasil, na cidade de Teotônia, produz a linha de calçados esportivos da Paquetá. Também no Rio Grande do Sul, onde a empresa surgiu em 1945, ficou a sede administrativa e o centro de pesquisa e desenvolvimento, na cidade de Sapiranga.

Em seu projeto de expansão no varejo, as aquisições fizeram parte da trajetória. Em 2005, a empresa comprou a Exposende e, em 2010, arrematou em um leilão a marca Ortopé, com sede em Gramado. A empresa pertencia a Horst Volk, industrial conhecido em Gramado e região pelas festas nababescas que promovia em sua mansão. Seu estilo de vida, no entanto, não condizia com a situação financeira da companhia, que parou as atividades.

“Ele era um pouco o dono de Gramado. Foi condenado mas está foragido, segundo dizem pessoas da região, em uma pequena cidade alemã. Dele, arrematamos apenas a marca e reativamos a Ortopé. Nossa última aquisição foi em 2011, a Capodarte, de São Paulo. Os sucessores não se interessaram em continuar com o negócio e vimos na marca e em suas lojas mais um bom caminho para o nosso processo de expansão no varejo.

Você pode gostar